Entenda a importância da pausa e do descanso para aumentar seu rendimento

Todos aqueles que praticam alguma atividade física regular sabem que existem diversos níveis de praticantes, que vão desde daqueles que buscam uma prática terapêutica para escapar da rotina até os que investem pesado em equipamento e viagens internacionais, que não competem em nível profissional, mas com rotinas que por vezes superam até mesmo a dos atletas profissionais.

Dentro do universo dos escaladores, assim como acontece em qualquer outra modalidade esportiva, existe um grupo composto por aqueles que não são profissionais, mas tem um desempenho acima da média e buscam aprimorar constantemente seu condicionamento físico e técnico para conseguir bater suas próprias marcas e alcançar resultados mais expressivos.

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Foto : http://nickitynatnat.tumblr.com/

Para conquistar esses objetivos é preciso abrir mão de muitas coisas e estabelecer prioridades, pois enquanto um atleta profissional treina normalmente de 6 a 8 horas diárias essa classe de escalador precisa encontrar estratégias para conseguir conciliar com qualidade os treinos e as obrigações profissionais.

Para tal, é preciso ter muita força de vontade e estabelecer uma rotina como menos horas de sono, ausência em eventos sociais, alimentação balanceada e muita paciência para lidar com muitas, mas muitas reclamações dos amigos e familiares que tem dificuldade em compreender escolha e estilo de vida.

Como se todas essas exigências em si não fossem suficientes para esse grupo de entusiastas assíduos, eles também acabam mais expostos de serem acometidos por um mal silencioso que pode comprometer seriamente não só a rotina de treinos, mas a vida de um modo geral – esse mal se chama overtraining (supertreinamento em português).

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Foto : http://enormocast.com

Para aqueles que ainda não ouviram falar nesse termo, o quadro de overtraining aparece quando em algum momento dentro da periodização (programa de treino) o volume e intensidade do treinamento excedem a capacidade de recuperação do organismo, causando sintomas como dores musculares persistentes, fadiga constante, queda do sistema imunológico, aumento dos níveis de cortizol e maior suscetibilidade a lesões.

Esses sintomas podem ocorrer isoladamente ou em diferentes graus, mas a grande armadilha está no fato de que normalmente mesmo com um quadro de supertreinamento instalado o atleta consegue continuar realizando seus treinos normalmente, ainda que com queda de rendimento, incapacidade em completar alguns treinos e retardamento na recuperação, mas que pela sutileza e dificuldade de diagnóstico são corriqueiramente relacionados pelos atletas a outras causas que não o overtraining.

Uma das principais dificuldades com relação à síndrome do supertreinamento é justamente conseguir um diagnóstico preciso e ainda pairam muitas incertezas com relação a sua causa, mas historicamente ela tem sido relacionada às altas cargas de treino combinadas com uma recuperação inadequada.

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Foto : http://www.huffingtonpost.com

Se fosse possível delimitar polaridades para definir o que é excelente e o que é péssimo na periodização dos treinos de um atleta poderia se dizer que o supertreinamento é o oposto da supercompensação (para entender o princípio da supercompensação, clique aqui ).

No primeiro caso prevalece o monitoramento da carga e volume de treino, existe um aporte de nutrientes e descanso apropriado que propiciam uma boa recuperação do organismo ao longo as sessões de treino, já no segundo caso ocorre uma falha em controlar os fatores que contribuem com o supertreinamento, culminando com a queda de rendimento dos atletas, e em muitos casos, com o afastamento da atividade por período indeterminado.

Fique de olho nos principais sintomas do supertreinamento:

  • Indisposição e desmotivação
  • Diminuição no desempenho de treino
  • Sensação constante de cansaço
  • Dores musculares e articulares constantes
  • Queda da imunidade (aumento de resfriados, dores de garganta, etc)
  • Diminuição do prazer para treinar
  • Aumento da incidência de lesões

Portanto, se você apresenta alguns dos sintomas acima mencionados combinados é de suma importância ficar atento em observar seu corpo.

Procure reconhecer os sinais do supertreinamento tão logo eles aconteçam, e sempre ter em mente que o aumento de desempenho em todas as capacidades físicas depende diretamente de momentos de qualidade para pausa e descanso.

Treine pesado sim, mas não deixe de valorizar o café da manhã em família, as idas ao supermercado com seus companheiros, algumas visitas aos familiares nos fins de semana e aqueles reencontros dos colegas de faculdade, pois é certo que essas atividades também trazem inúmeros benefícios, talvez até muito maiores do que você possa imaginar.

Bons treinos, mas principalmente um bom descanso a todos!

Sobre o Autor

Leonardo Oshiro

Leonardo Oshiro

Leonardo Oshiro, é educador físico e profissional certificado no NOLS (National Outdoors Leadership School) , professor de pilates, personal trainer e é mochileiro desde os 17 anos.

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