Canabidiol: Escaladores e montanhistas deveriam consumir o produto?

O canabidiol, também conhecido por CBD, é um dos princípios ativos da Cannabis sativa, nome científico da maconha. Por vir da cannabis, uma planta que é cercada de polêmicas e preconceito. Mas para quem não sabe, o CBD já está em ampla discussão no Brasil há um bom tempo, muito disso pelos seus benefícios.

A título de informação, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) retirou o CBD em 2015 da lista de substâncias ilegais, passando para a lista de substâncias controladas, exigindo receita e laudo médico para a importação.

Na medicina, o canabidiol pode ser usado como anticonvulsivante, anti-inflamatório, ansiolítico e antitumoral (impede o desenvolvimento de tumores). Dentre as propriedades estão também o de relaxante muscular (auxiliando no tratamento de dores e contusões), combate à insônia e ansiedade e regulador de apetite. O CBD pode oferecer ainda uma opção para o tratamento de diferentes tipos de dor crônica.

Antes que alguém possa questionar o produto, um aviso: o cannabinol não possui qualquer efeito psicoativo. Ou seja, para alguém que é dependente químico, de qualquer tipo de droga, não haverá nenhum perigo de que tenha uma recaída ao consumir o CBD. Diversos estudos já foram realizados a respeito disso e de acordo com um relatório da Organização Mundial da Saúde “Em humanos, o CBD não exibe efeitos indicativos de qualquer abuso ou potencial de dependência”.

Portanto, para que fique claro, o CBD é apenas um componente da maconha (um entre centenas), e por si só não causa um “barato”. O assunto, inclusive, já foi abordado com mais abrangência em um outro artigo aqui na Revista Blog de Escalada.

CBD para escaladores

Nos EUA o CBD está na moda e está sendo vendido em tudo: guloseimas para cães, óleos de massagem, gomas de mascar, pílulas e até mesmo como suplemento nutricional. Os produtos contém CBD bruto em diferentes formas.

Uma das razões pelas quais o CBD se tornou um assunto tão popular no mundo dos esportes é que vários atletas profissionais (ou atletas aposentados) começaram a defender verbalmente que mais pessoas usassem o CBD. Especialmente para esportes onde as lesões são comuns, como escalada e montanhismo. Pois um dos maiores benefícios do CBD é sua capacidade de ajudar no alívio ou alívio da dor.

Os efeitos colaterais do CBD incluem náusea, fadiga e irritabilidade. Portanto, como explicado acima, não há qualquer efeito psicoativo. Isso fez com que mais e mais atletas ficassem curiosos sobre o potencial do CBD para ajudá-los a se recuperar mais rapidamente de treinos pesados. Isso gerou muitas dúvidas e expectativa sobre o uso de CBD para atletas em todos os níveis de competição.

Pesquisas sugerem que o CBD é promissor em ajudar a aliviar a dor e reduzir a inflamação, o que pode ser útil para atletas que participam de exercícios intensos. No entanto, já houve relatos de pessoas com teste positivo para THC após consumirem o CBD, dependendo do tipo de teste realizado. O risco aumenta se você tomar o CBD de uma fonte não confiável, pois pode estar contaminado ou rotulado incorretamente.

Agência Mundial Antidopagem (WADA) no ano passado removeu o cannabinol de sua lista de substâncias proibidas, que abriu a porta para triatletas, ciclistas, corredores e outros atletas usá-lo (desde que não seja proibido por seus órgãos regionais ou regulamentos). O componente psicoativo da maconha, o THC, ainda é proibido em competições, assim como os canabinóides sintéticos.

Aqui está a Lista de Substâncias Proibidas da WADA de 2020.

Muitos jornalistas e comentaristas mal-informados (sobretudo esportivos), alguns até mesmo com uma pesada carga de preconceito, apenas se limitaram a criticar a decisão da WADA sem qualquer embasamento ou pesquisa prévia. Trataram o THC (maconha) e o CBD (cannabinol) como a mesma coisa. Como descrito acima, não são.

Não há evidências claras de que o CBD aumenta a capacidade atlética diretamente. Não é um suplemento milagroso que vai transformar o atleta em uma máquina imbatível. Isso é algo que apenas a prática pode fazer.

O CBD é ideal para atletas de esportes de natureza com uso repetido (como escalada) porque não cria uma dependência como alguns medicamentos prescritos para o controle da dor podem fazer.

O que a ciência diz sobre o cannabinol

Quando se trata de esportes e CBD, não há estudos suficientes para deixar claro que o cannabinol para atletas é benéfico para o desempenho. Mas, nos estudos já realizados, existem resultados promissores para os atletas que usam o CBD.

Como o uso crônico de analgésicos apresenta maior risco para a saúde do que se conhecia anteriormente, atletas estão curiosos e ansiosos pelas promessas do cannabinol (CBD) para o alívio da dor e redução da inflamação, sem os riscos associados aos Anti-inflamatórios não esteroides ou opioides.

Portanto, especificamente para escaladores e montanhistas, o alívio da dor e o controle de peso são as principais vantagens do uso de CBD. Um estudo, publicado no meio do ano de 2020 em uma revista científica, afirmou que o CBD exerce uma série de efeitos fisiológicos, bioquímicos e psicológicos que têm o potencial de beneficiar os atletas.

Já uma outra revisão de 2020 publicada na Sports Medicine analisou estudos pré-clínicos em animais e ensaios clínicos de CBD em populações de não atletas. Os autores descobriram que o CBD pode promover efeitos fisiológicos, bioquímicos e psicológicos potencialmente benéficos para os atletas.

Uma das principais conclusões da revisão é que o CBD pode ajudar a aliviar a dor inflamatória associada a danos nos tecidos e dor neuropática causada por danos ou irritação dos nervos. Isso pode sinalizar uma vantagem importante para atletas de resistência: exercícios repetitivos de longa que podem provocar inflamação e irritação nos nervos.

Mesmo com vários estudos a respeito do produto, não resta dúvida de que o CBD é uma promessa alentadora para escaladores e montanhistas. Mas é importante ressaltar que o conhecimento atual é limitado, porque a maioria dos dados é baseada em estudos com animais em que os animais tendem a receber altas doses de CBD.

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