Graus de escalada: o que todo mundo pensa mas ninguém nunca falou

Este artigo nos chegou graças ao nosso parceiro escaladagranada.es O artigo foi traduzido e possui bons conselhos.

Quem define a graduação de uma via na escalada esportiva?

Quais são os fatores que influem quando se decide cotar (graduar as vias de escaladas) este novo projeto, que acaba de ser equipado? Devemos aceitar o grau proposto como imutáveis, uma escolha somente reservada a pessoas que supostamente possuem mais experiência?

Graduação de escalada nos dias de hoje

Hoje em dia a escalada esportiva tem experimentado um grande pico quantitativo no número de participantes, os quais decidiram experimentar o esporte. Modalidade esportiva esta, sem sombra de dúvida, desperta o interesse de você, caro leitor. Com isso há o encanto que existe em poder aproveitar o ambiente natural, rodeado de amigos e criando experiências, possibilitando enfrentar dificuldades maiores, ou menores, no grau de escalada.

Dificuldades estabelecidas segundo a escolha de um ou outro itinerário de escalada na rocha. Ou seja, na opção individual de enfrentar um desafio, medido por diferentes graduações, sejam elas francesa, americana, inglesa, brasileira, etc. O que estabeleceria o quão forte estamos, a capacidade de resistência que temos, a segurança psicológica com a qual nos movemos? Definitivamente a exigência de que a via, seguindo esta escolha pessoal que já foi feita, nos aparecerá uma vez que estejamos começando o trajeto até a parada (que é o final da via).

graus de escalada

Entretanto, é importante ressaltar como esta graduação gira em torno de números, letras e símbolos (ex.: V+, 7a, 8a) nada mais é do que um elemento subjetivo que, em determinado momento, após a finalização da conquista da via e sucessivas tentativas que a mesma foi submetida.

Posteriormente este conquistadores, que possivelmente tenham um grande acervo de vias no currículo, a respectiva graduação da escalada segundo um lugar que nos encontramos, sempre possui como referência outra vias escaladas e, em algumas ocasiões, perguntado a colegas que também a realizem para saber a opinião em relação a grau que se deve outorgar.

“As graduações têm sido historicamente uma forma de estabelecer a dificuldade de um recorrido de uma via de escalada, atendendo diversos fatores subjetivos, como o tipo do escalador e condição que estava no momento da escalada”.

graus de escalada

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A realidade da graduação na escalada

Que acontece quando uma via, que foi estabelecida em um determinado grau e com o passar do tempo passa a ser decotada? Ou, pelo contrário, subir o grau?

Pois bem, para que isso aconteça pode ser por diversos fatores. Talvez as agarras foram modificadas pela própria erosão dos escaladores (quebra de agarras, polimento de pés, abrasividade comprometida, etc), ou tanto conquistador quanto comunidade de escaladores decidem que o grau não foi idôneo. Ou ainda porque alguém considerado muito forte, ou fraco, decide modificar este valor por um outro valor.

graus de escalada

Neste último caso, quando devemos ser conscientes da graduação da escalada, deveria ser estabelecida pelas pessoas que naquele momento entrou na via (enfrentando a dificuldade). Ou seja: “Uma pessoa que conquiste uma via de 6º ao lado de seu projeto de 10b, para uma namorada(o) poder escalar também, seguramente não está capacitado para estabelecer fidedignamente que esta esta via é ou não na verdade um 5ºsup.

Ou seja, esta diferença de graduação (5°sup para 6°) para uma pessoa que está iniciando no esporte, pode representar a mesma dificuldade que para um escalador experiente entre um 10b e 10c.

Pronto! A polêmica está criada!

graus de escalada

Seguramente, neste caso do 10°, a polêmica estaria criada já que estávamos falando de pessoas que deverão ser questionadas por seus iguais, ou seja, por pessoas que podem escalar a via desta dificuldade e estabelecer se a linha é tão dura para o grau, ou se exige capacidades físicas de resistência e força que um grau inferior, ou superior, não requereria.

Talvez poderíamos, inclusive, falar de que o crux (movimento chave da via) é de determinada envergadura, mas poderíamos poderíamos colocar a temática do tamanho em outra via fazer com que a mesma possa ser decotada ou sobrecotada?

Conclusão sobre graduação na escalada

Definitivamente, o que se desejo com este texto é refletir sobre a importância que os graus de escalada representam, sobretudo a necessidade de sermos conscientes de que, quando escalamos, devemos saber que este número pode ser questionado a todo momento. Isso porque Urko Carmona, com apenas uma perna, que escala 10a acredita que uma pessoa que faz um 10c poderá fazer esta mesma via com apenas uma perna? Ou, neste mesmo caso, deveríamos estabelecer uma outra graduação.

Os graus deveriam ser usados como referência para abordar uma via ou outra e, na grande parte dos casos, estabelecer um projeto pessoal em torno da dificuldade para valorizar o progresso. Mas os graus de escalada nunca deveriam ser empregados como verdades imutáveis, pois no final de duto, a decisão de que no início foi individual, também teria de ser ao final da via.

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Urko Carmona

Uma vez escalada a via e, refletindo sobre suas exigências, deveria saber que não é igual a uma pista de atletismo, circuito de ciclismo ou levantamento de pesos.

A escalada se trata de uma linha com infinita de opções limitadas unicamente pelos movimentos e capacidade que cada indivíduo realiza possui, para imaginar e descobrir durante a duração da escalada.

Tradução autorizada de Escalada Granada

Mídia digital dedicada ao mundo do esporte em geral, e mais especificamente à escalada esportiva. Com linha editorial baseada na pluralidade de opiniões e variedade de informação.

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