Adam Ondra não consegue estabelecer marca inédita: Encadenar à vista via de Yosemite

O escalador tcheco tentou estabelecer mais uma marca: encadenar uma via em Yosemite à vista. O termo encadenar, conforme já explicado em um artigo aqui na Revista Blog de Escalada, significa a pessoa escalar sem apoiar-se em nada que não seja na própria rocha. Esta filosofia aplica-se muito na escalada esportiva, mas nem tanto na escalada tradicional. Por isso a ideia de encadenar uma via tradicional “à vista” não é muito difundida. Não que ela não exista, mas não é comum este tipo de busca por escaladores.

Encadenar qualquer projeto, independente do grau, possui um grau de dificuldade que exige apurada técnica e força. É, talvez, a melhor “medida”, para saber se um escalador está no nível do grau que escala ou não. É o tipo de ascensão mais utilizada em campeonatos de escalada. É exatamente isso que Adam Ondra procura no momento: projetos desafiadores para encadenar à vista. Para isso, Ondra foi até a capital das vias tradicionais, Yosemite, para tentar encadenar a via “Salathé Wall”, graduada em 5.13b (9c brasileiro).

 

Visualizar esta foto no Instagram.

 

Uma publicação compartilhada por Adam Ondra (@adam.ondra) em

A via em questão é considerada das mais técnicas e das primeiras abertas em Yosemite. Com 914 metros de altura, a via foi batizada em homenagem a John Salathé, um pioneiro da escalada em Yosemite. John Salathé, que era suíço de nascença, era um escalador pioneiro, ferreiro e inventor do piton. Quando trabalhava como ferreiro, contraiu uma doença que o levou a praticar meditação, vegetarianismo e escalada em rocha, quando começou a escalar aos 45 anos de idade. Até hoje, um modelo de piton chamado Lost Arrows, que era de sua criação, é comercializado pela empresa Black Diamond.

A primeira ascensão foi feita por Royan Robins, Tom Frost e Chuck Pratt em 1961. Porém a primeira ascensão em estilo livre (sem ser escalada artificial) foi em 1988 por Paul Piana and Todd Skinner. Com 35 cordadas, a via é uma das mais desafiadoras de Yosemite.

 

Visualizar esta foto no Instagram.

 

Uma publicação compartilhada por Adam Ondra (@adam.ondra) em

O escalador suíço Ueli Steck também tentou realizar a mesma façanha em 2009, mas na via “Golden Gate”, também cotada em 5.13b (9c brasileiro). Mas não conseguiu. O próprio suíço tentou alguns anos depois, em 2014, mas a sua ascensão na via “Freerider”, graduada em 5.13a (9b brasileiro), foi considerada em flash.

A via “Salathé Wall” poderia ser dividida em três partes: “Freeblast”, considerada uma via por si só, “Heart Ledges” até “El Cap Spire” e posteriormente “El Cap Spire” até o cume. Todo este percurso inclui a via “Headwall”, que é onde se considera o crux da linha. Adam Ondra estava tentando a via com Nico Favresse.

Comente agora direto conosco

Comment moderation is enabled. Your comment may take some time to appear.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.