Pirâmide de encadenamento – O que é a filosofia de evolução sustentável na escalada

A ilusão mais comum do escalador iniciante é acreditar que no momento que encadenar uma via de grau X, automaticamente todas as outras vias com a mesma graduação passarão a também ser encadenadas. Quem pratica o esporte por bastante tempo sabe que há uma diferença enorme entre as duas coisas, especialmente se a via encadenada não é de um grau elevado (leia-se acima de 10º grau brasileiro). Há uma diferença absurda entre encadenar via de grau X e escalar grau X.

Para uma evolução sustentável (ou seja que não “evapore” com o tempo) é necessário aplicar o método de pirâmide. Uma filosofia de encadenamentos que é usada por atletas de elite na Europa.

Foto: Sam Bié | http://cruxcrush.com/

Por isso para começar a usar a filosofia da pirâmide na escalada é necessário antes perguntar-se: quanto tempo você fica na sua zoa de conforto? Está muito difícil sair da comodidade para evoluir no grau de escalada que se encontra? Não consegue encontrar motivação para encontrar projetos novos? Sobra desculpas quando te convidam a entrar em uma via difícil?

Respondendo a estas perguntas fica muito mais fácil saber que evoluir da escalada é também fruto de um bom planejamento.

Método da Pirâmide

O método da pirâmide é relativamente simples de compreender. Primeiramente desenhe em um papel uma pirâmide e a divida em 16 partes iguais.

Na base coloque o grau que você escala facilmente e de maneira cômoda à vista. Preferencialmente que encadene com poucas entradas (três tentativas ou menos).

Estabelecido este tipo de parâmetro começamos a subir o grau até o topo da pirâmide. O resultado obviamente é um grau alto (mas que não seja impossível).

No momento que acabar de desenhar terá feito o seu “plano de projetos de escalada”. A partir de estabelecido isso procure escalar cada um dos quadrados. Preferencialmente vá anotando as vias/setores/lugares. Importante lembrar que escalar seis vezes a mesma via não conta para subir um nível na pirâmide.

Um dos segredos de evoluir rapidamente é buscar encadenar vias não conhecidas nem encadenadas anteriormente. Saber os movimentos de uma via de memória apenas mascara a sua escalada. Por isso buscar lugares novos com vias novas é fundamental para uma evolução orgânica e natural.

Muito importante para este tipo de metodologia funcionar é o escalador ser honesto consigo mesmo pois o importante neste método é não deixar-se desviar do objetivo que é evoluir de maneira sustentável. Por isso a maneira que irá encadenar as vias da base é que influi na maneira de que busque subir um nível na sua pirâmide. Pirâmides baseadas em vias à vista, mesmo com graus na base relativamente baixos para o seu objetivo final, são as que melhor resultados tem a longo prazo.

Para pirâmides na qual a base não são vias encadenadas à vista algumas “regras” devem ser seguidas:

  • Na escolha das vias da base tenha em mente que as vias devem ser encadenadas com no máximo três tentativas
  • Para cada nível superior na pirâmide dobre o número de tentativas do nível inferior
  • Não faça tentativas em vias de grau superior até conseguir realizar todas do nível que se encontra

Uma outra coisa importante a se destacar que este tipo de metodologia não é para ser realizada em apenas um dia de escalada. Deve ser aplicada como uma espécie objetivo trimestral/semestral/anual de treinamento.

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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