Conheça as atitudes de praticantes de esportes outdoor que mesmo sem intenção impactam a natureza

Por definição impacto ambiental é uma mudança causada no meio ambiente oriunda da atividade do ser humano. Dependendo da maneira que for visto (ou interpretado) este impacto pode ser positivo ou negativo. O impacto ambiental negativo representa uma quebra no equilíbrio ecológico e provoca prejuízos agudos ao meio ambiente. A partir deste ponto de vista é inegável que atividades de natureza como trekking, escalada, canoagem, etc, impacta o ambiente em um determinado grau.

Entretanto exigir que as pessoas fiquem trancadas em casa, e proibidas de sair da cidades onde vivem, é uma visão muito extremistas mas defendidas por alguns fanáticos conhecidos popularmente como “eco-chatos”. Sob a ótica de um pensamento racional, o qual é apoiado na racionalidade do ser humano, o mais inteligente é ensinar a todos o que é certo e errado no momento de ir a algum lugar longe da civilização. Caso a pessoa não saiba se comportar é fundamental que esta seja punida para que possa refletir sobre seus atos.

Foto : Walter Costa

Foto : Walter Costa

Um exemplo desta punição de pessoas despreparadas para o convívio em ambientes naturais foi dado recentemente na cidade de São Bento do Sapucaí-SP que baniu dois grupos de delinquentes de frequentar um local de escalada. Seguramente estas pessoas, as quais são despreparadas de viver em sociedade e incapazes de respeitar as regras estabelecidas, irão repensar suas atitudes e meditar sobre o comportamento inadequado que prejudicou a comunidade a qual faz parte. Infelizmente, como no caso citado, pessoas sem caráter somente aprendem a respeitar a sociedade após uma punição severa.

O uso de cigarro e outros desrespeitos à placas de sinalização estão longe de ser os únicos problemas que frequentemente são reportados em fanpages e blogs de praticantes de trekking e escalada. Mesmo com a “melhor das intenções” (o qual o inferno está sempre cheio delas) muitas pessoas cometem atos que danificam a natureza mesmo que, ao fazer, não exista nenhuma maldade. Portanto preocupado em pelo menos lembrar a estas pessoas que existem algumas atitudes que poderiam ser evitadas para que, no mínimo, a convivência dos seres humanos com a natureza seja a menos impactante possível.

Alimentar animais silvestres

Foto : http://www.tunturisusi.com/

Foto : http://www.tunturisusi.com/

Por  mais tentador que possa parecer, alimentar um animal silvestre (mesmo que seja para vê-lo de perto) pode prejudicar o ciclo de vida dele. Na melhor das hipóteses este animal perderá seus hábitos alimentares naturais e passará a ser dependente de que alguém o alimente. Faz parte da vida silvestre buscar o próprio alimento.

Uma outro motivo que faz com que este ato prejudique imensamente o meio ambiente : muitos de nossos alimentos são prejudiciais ao organismo de um animal silvestre. Doces, sanduíches e outros alimentos processados fazem muito mal a qualquer animal silvestre que, no caso de contaminação alimentar, pode desencadear uma epidemia de moléstias na sua população. Até mesmo a sua reprodução pode ficar comprometida dependendo do alimento.

Por este motivo é que não se pode deixar NUNCA nenhum tipo de lixo em trilhas de trekking, locais de escalada e áreas de camping selvagem. Este lixo deixado para trás pode ser consumido por algum animal silvestre que passe por aí como e não resista de comer por exemplo uma guimba de cigarro, salgadinho processado, papel higiênico, etc.

Necessidades fisiológicas perto de fontes de água

Foto : https://www.pedestrian.tv

Foto : https://www.pedestrian.tv

Urinar ou defecar próximo de fontes de água como rio, córrego, lagos, lagoas, poços, mangue, charque, etc, acarreta em uma contaminação biológica da água e, invariavelmente, dos animais que consomem esta água (incluindo o ser humano). Ninguém está dizendo para não fazer as suas necessidades fisiológicas em ambiente natural, porque isso seria impossível de alguém conseguir. Porém é necessário ter consciência e bom senso quando o fizer.

No momento de que houver a necessidade de realizar as suas necessidades fisiológicas, procure observar se está perto (considere uma distância de 50 metros) de alguma fonte de água. Este tipo de atitude faz com que alguns vírus como Hepatite A (também chamada de Hepatite infecciosa), poliomelite, bactéria do cólera, tifo e diarreia sejam transmitidas.

Enterrar ou queimar papel higiênico

Foto : http://www.ndtv.com

Foto : http://www.ndtv.com

Mesmo que possa parecer a coisa mais nojenta do mundo, e tenha o desejo visceral de livrar-se de sua vista, o papel higiênico usado deve sempre ser levado com você. Por isso tenha sempre um saco de lixo para esta finalidade. A única coisa que deve ser enterrada, para que nenhuma animal entre em contato, são suas fezes. O papel higiênico reaparece por conta da erosão e enxurradas quando há uma chuva, e assim contamina-se a água (como descrito no item anterior).

Queimar o papel higiênico talvez seja a atitude mais estúpida que uma pessoa possa ter após fazer as suas necessidades fisiológicas, pois pode causar um incêndio e, assim, destruir vários hectares de natureza e matar vários animais silvestres. A prática, que foi muito utilizada em um passado recente, já foi causadora de vários incêndios ao redor do mundo e, por consenso de associações de guias, foi considerada danosa e inaceitável.

Alguns locais do mundo como o Parque Nacional Torres del Paine pune com prisão e pesada multa a prática. Incêndio recentemente ocorrido no Pico dos Marins (ainda sob investigação) pode ter sido causado pela mesma atitude.

Caminhar fora da trilha

Foto : http://www.visitvictoria.com/

Foto : http://www.visitvictoria.com/

Este tipo de conduta tem um motivo simples de explicar : quando o praticante sai da trilha dificulta o crescimento da vegetação. Assim quanto mais pessoas sair da vegetação, maior ficará a largura da trilha pois a vegetação vai morrendo pela quantidade de pessoas que pisam. Com o tempo uma trilha que tinha 40 cm de largura vai ficando com 1 m e, com a destruição da trilha, vai alargando a cada dia.

Caminhar pelos caminhos alternativos e não homologados por guias além de prejudicar a vegetação dificulta no rastreamento quando alguém ficar perdido.

Todas as vezes que alguém se perde em uma trilha é por este motivo.

Usar protetor solar não-biodegradável

Foto : http://tripadvisor.com

Foto : http://tripadvisor.com

Como foi explicado recentemente em um artigo completo, o qual foram consultados vários dermatologistas, é muito importante proteger-se do sol em atividades de natureza. Porém a preocupação com a preservação da natureza deve começar pela preocupação com o tipo de protetor solar a utilizar em uma atividade outdoor. Mesmo que pareça uma preocupação irrisória e cercada de excesso de preciosismo é fundamental que o praticante procure por marcas de protetores solar que sejam biodegradáveis.

Esta preocupação tem um motivo : vários trekkings possuem passagens a lugares que um mergulho parece inevitável. Cachoeiras, lagos, lagoas e rios parecem chamar o praticante para um prazeroso mergulho para aprofundar o contato com a natureza. Imagine o que acontecerá com o protetor solar que não é biodegradável e que ficará resíduos dele na superfície da água.

Protetores solares que tenham os seguintes elementos químicos abaixo não são biodegradáveis :

  • Octocrileno
  • Benzofenona
  • Butilcarbamato
  • Cetil dimeticona
  • Dimetil Apramida
  • Hexilodecanol
  • Metilparabeno
  • Polietileno
  • Propilparaben

Portanto peça a um dermatologista uma receita de um protetor solar biodegradável para que seja feito em uma farmácia de manipulação. Há algumas marcas comerciais de protetores solares biodegradáveis, basta que exista uma boa vontade em procurá-los.

No Brasil, após estensa pesquisa, não achamos nenhuma nenhuma marca que ofereça protetor solar biodegradável, apesar de várias proclamarem-se como “amigo do ambiente”. Esta amizade, pelo visto, dura até a página três, pois de todos os fabricantes pesquisados todos os produtos são realmente biodegradáveis. No mercado, especialmente no exterior, após uma rápida consulta foi relativamente fácil encontrar a opção :

Sobre o Autor

Natalia De Marco

Natalia De Marco

Argentina de nascimento e brasileira de coração, é apaixonada pela Patagônia e Serra da Mantiqueira.
Entusiasta de escalada, trekking e camping.
Tem como formação e profissão designer de produto e desenvolve produtos para esportes de natureza.

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