Como aprender com os próprios erros nas atividades outdoor

Todos devem ter escutado alguma vez na vida a expressão “errar é humano”. Todos nós erramos, e isso é um fato que não se pode esquivar. Erros são uma característica tipicamente humana e pode ser até considerado natural. A insistência em errar, no entanto, não pode ser um comportamento comum. Geralmente quem tem por diversão atirar pedras em quem comete erros, especialmente nas redes sociais (onde pode se esconder no anonimato), é exatamente aquele que comete erros insistentemente, ou até mesmo se não os comete é porque se omite de qualquer tentativa que resulte em erro.

Por mais que passemos a vida tentando cometer o menor número de falhas possíveis, inevitavelmente elas irão aparecer. O mais importante é ter consciência, saber levantar depois de um tombo e manter o foco de que um erro pode ser um dos melhores caminhos para o crescimento pessoal e até profissional. Claro que existem penalizações e consequências pelo erro, mas o mais importante é tornar essa experiência apenas algo educativo. Buscar aspectos depreciativos em erros, nossos ou de outra pessoa, emperra o processo de amadurecimento.

Foto: Sérgio Netto

No universo outdoor é a mesma coisa. Inegavelmente há nossas experiências únicas com vistas de tirar o fôlego, o melodioso canto dos pássaros, as viradas repentinas do clima, os confusas (ou inexistentes) sinalizações de trilha, equipamentos que se rompem… Tudo isso é parte de um aprendizado e, claro, neste processo irá também cometer erros. Claro que há gravidades em erros. Equipes de busca e resgate são chamadas centenas de vezes por ano para pessoas que se perdem por excesso de confiança. Pode parecer até uma “vergonha” para quem esta sendo resgatado, mas a realidade é um pouco diferente. Seguramente quem passa por apuros em algum trekking, escalada e outras atividades outdoor, irá sair dela mais maduro e mais prudente.

Desde uma simples queda na escalada, ou esquecimento de um lanche em um trekking, até mesmo ter de ser resgatado por helicóptero em um lugar remoto, há de encarar como pontos de experiência, os quais ajudam ao praticante a subir de nível (ao menos de maturidade) para um praticante mais confiante e capaz. Aqueles que ficam apontando o dedo nos erros, se autoproclamando os mais “machos” ou mais “experimentados”, muito provavelmente são aqueles que o resgate é feito apenas para a retirada de seu corpo.

É natural que falhas passadas incomodem, especialmente quando ficamos diante de um cenário que lembra um erro que já cometemos. Evite pensar no que já aconteceu, deixe para trás as decisões que um dia tomou. Olhe para frente e faça as coisas da melhor maneira possível, lembrando de sempre buscar melhorar e que isso faz parte do crescimento.

Quando se perder

Se perder não acontece de repente. É um processo lento e que é a consequência de várias pequenas decisões decisões erradas, uma após a outra. Dê uma olhada onde você saiu da trilha e veja se consegue identificar o início da cadeia. Talvez você tenha sido arrastado rio abaixo em um cruzamento que deveria ser fácil. Em uma situação destas antes de se desesperar, procure fazer anotações mentais de que assim que sair da situação que se encontra, irá procurar melhorar suas próprias habilidades. Entenda como habilidades aprender técnicas para atravessar cursos de água com segurança.

Um outro exemplo é que talvez você tenha confundido uma trilha ou simplesmente saído para o caminho errado. Quem nunca passou por uma situação assim? Identificado o erro, agora você sabe qual trilha deveria ter seguido e pode incorporar o aprendizado para futuras caminhadas, sabendo pesquisar antecipadamente onde determinadas armadilhas podem estar. Passado o apuro, chegue em casa e procure aprimorar suas habilidades de navegação, procurando ler conteúdos sobre como ler um mapa usando uma bússola e até mesmo familiarizar com o uso de um GPS.

Todas as vezes que se perder, não siga cometendo o erro mais comum que existe em pessoa que não aprendem: arrumar desculpas para o próprio erro. Assuma (para quem quer que seja) e não fique se justificando. Ter uma atitude defensiva é um dos piores comportamentos que podemos assumir quando erramos. Quem não não está preparado, geralmente tem um instinto natural em procurar justificativas, encontrar culpados. O primeiro objetivo, em vez de aprender, é se proteger de algo que acabou cometendo, mesmo que sem intenção.

Após análise do que aconteceu (ou está acontecendo) e concluir que a má tomada de decisões pode ter o efeito de estar com fome, cansado ou desidratado, também é informação a se aprender! Da próxima vez, coloque lanches extras, leve bastante água e verifique se sua condição física antes de começar.

Quando se machucar

Lesionar-se em uma atividade outdoor é um problema corriqueiro. Existem vários tipos de lesão: desde um tornozelo torcido até mesmo fratura exposta. Estes tipos de ocorrência são raras, se comparadas a quantidades de pessoas que praticam a atividade. Mas, como dito no início do texto, errar faz parte da natureza humana e, por isso, acidentes acontecem.

Você já ouviu falar do cara do filme “127 horas”? Ele cometeu uma série de erros que custaram parte de seu braço. Por sorte ainda está vivo e continua a praticar as suas atividades. Seguramente, como deve ser, procurou aprender com seus erros (em vez de procurar desculpas) e seguiu em frente. Isso porque não é vergonha errar, vergonha é não aprender com o erro. Pior, obviamente, são aqueles que se julgam “perfeitos” e sem nenhum erro no currículo (o que é impossível), apontarem o dedo ridicularizando outras pessoas por erros que elas mesmas já cometeram no passado.

Portanto, depois que sofrer um acidente em uma atividade outdoor, procure inspecionar no seu equipamento, analisando ele atende às suas necessidades de emergência. Vá até o seu kit de primeiros socorros e aprenda a personalizá-lo para os tipos de lesões ou condições que você provavelmente terá em sua próxima viagem. Caso ele seja inútil, ou mesmo não souber como usar o material, procure fazer um curso de primeiros socorros. O aprendizado deve ser contínuo e é a partir dele (não do escrutínio dos donos da verdade) que você se torna uma pessoa mais preparada.

Lembre-se que muitas pessoas se acidentam por causa do excesso de confiança. Não seja infantil a ponto de acreditar que “nunca vai acontecer comigo”. Além disso, sempre dê a alguém de confiança o seu itinerário da sua atividade, para que ele saiba quando, e onde, enviar ajuda.

Procure entender o que aconteceu, para que não volte a se repetir. Analise o que foi que deu errado e, de cabeça fria, e encontre as soluções cabíveis para que eles não ocorram novamente.

Quando enfrentar tempo ruim

Interpretar a previsão meteorológica é parte das disciplinas que todo e qualquer praticante de atividades outdoor deve dominar. Como o próprio nome diz “outdoor” (da porta para fora), fica implícito que deve estar fora de casa e da proteção do próprio teto. Portanto, saber como o clima pode estar e se comportar é fundamental.

Todos sabemos que um pouco de chuva pode tornar qualquer viagem miserável. Mas muita chuva, ou qualquer outro tipo de clima inesperado, como calor extremo, nevasca ou uma grande tempestade com vento, raios e granizo, pode ser um problema. Se você foi pego de surpresa ou forçado a procurar abrigo durante qualquer atividade, já aprendeu que pode não haver muito o que fazer.

Aqui é onde esta situação também pode ser transformada em experiência. Sempre leve um abrigo de chuva, ou algum casaco para enfrentar um pouco de frio. Protetor solar e labial, chapéu, e outros meios de proteções contra intempéries do tempo devem ser considerados. Especialmente quando, por qualquer motivo que seja, tenha passado por uma situação desconfortável.

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