Subir o Monte Everest será mais difícil em 2019

Conforme divulgado na semana passada em primeira mão pela Revista Blog de Escalda na semana passada, a China implementou novas e rígidas regulações para o ano de 2019. O motivo deste endurecimento tem um motivo já conhecido: a banalização e massificação da subida ao Monte Everest (8.848 m)nos últimos 20 anos. Esta banalização vem sendo denunciada por cada grande nome do montanhismo mundial, como Reinhold Messner, que contesta o real mérito de chegar ao cume da montanha mais alta do mundo.

As novas exigências, tanto logísticas como econômicas, serão o primeiro entrave que a China implementará em 2019, para evitar certas práticas do lado do Tibet (país controlado pela China). Nos últimos anos houve uma explosão de excussões e pseudo-montanhistas interessados a subir o Monte Everest pelo lado tibetano. O Chinese Mountaineering Association and Mountaineering Association of Tibet (CTMA) anunciou que estas novas medidas serão oficiais a partir de primeiro de janeiro e terão como prioridade garantir tanto a segurança, como a proteção meio-ambiental de montanhas como Cho Oyu (8.201 m) e Shishapangma (8.013 m), além do próprio Everest.

Foto: AP Photo

Historicamente, escalar o Monte Everest pela vertente tibetana era a escolha mais barata, selvagem e independente. Como denunciado constantemente pelos principais veículos de comunicação outdoor de todo o mundo, a subida ao Monte Everest tornou-se banal, facilitada e, guardada as devidas proporções, sem dificuldade. Portanto o governo chinês irá endurecer em quatro frentes: organização da expedição, limite de permits (licença para subir), proteção meio-ambiental e resgates na montanha.

Medidas polêmicas

No que se refere às organizações de expedições, serão exigidos padrões preestabelecidos para expedições e operadores, especialmente para as agências comerciais que queiram subir qualquer uma das montanhas acima de oito mil metros de altura em relação ao nível do mar. Será examinada a reputação da empresa, as formações e habilidades dos expedicionários, suporte logístico, qualidade do serviço e formação dos guias. Além disso, será investigado o “compromisso com as leis e regulações” de cada agência.

Todos estes itens serão avaliados antes de conceder os permits para subir à montanha. Desta maneira, o CTMA poderia chegar a escolher ou vetar o acesso de expedições comerciais caso acreditem que isso seja necessário. Como os critérios são subjetivos e a China é um país sob ditadura socialista, práticas de corrupção podem acontecer. A suspeita de corrupção acontece por muitas agências por causa da lista de exigências, como a obrigatoriedade de estar acompanhado de um guia local, além de que cada expedição deve possuir um líder de equipe.

Além disso, a cobrança da taxa de US$ 5.500 por pessoa no início da expedição, que será devolvida caso não aconteça nenhum acidente ou “incidente meio-ambiental”. A regulação mais rígida é que a China, para evitar maior número de acidentes, não aceitará expedições organizadas no Nepal. Desta maneira, significa que poderá dominar o mercado de montanhismo no Cho Oyu e Shishapangma além do próprio Everest.

Com relação ao permiss, haverá uma data limite para cada expedição na temporada. A data, inclusive, já foi estabelecida: 28 de fevereiro de 2019. Desta maneira, montanhistas que decidirem unirem-se às expedições de última hora, ficarão de fora. Desta maneira, vários apresentadores de TV, montanhistas que recorrem a financiamentos coletivos, além de outros tipos de captação de recursos, poderão ficar de fora.

Para a proteção meio-ambiental das montanhas acima de oito mil metros acima do nível do mar, a China aumentará o valor cobrado por cada montanhista com um valor próximo de US$ 1.700 para o Monte Everest, US$ 1.000 para Cho Oyu, Shishapangma e Mount Lhakpari (7.045 m). O mesmo valor será cobrado para todo aquele que acessar o campo base do Monte Everest. Este valor não é apenas um depósito, mas uma outra taxa a unir-se aos US$ 10.000 que a China cobra para fazer a ascensão ao Monte Everest. Desta maneira, o valor para escalar o Monte Everest pelo lado chinês fica no mesmo valor que no Nepal: US$ 12.500.

O dinheiro, segundo afirmaram as autoridades chinesas, é para o transporte até a base em veículo motorizado e será destinado também para os trabalhos de limpeza das montanhas, assim como melhorar a logística para a eliminação dos resíduos de montanha.

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