Jogos Olímpicos da Juventude: Japoneses mostram domínio no último dia de competições

Os jogos Olímpicos da Juventude, que acontecem em Buenos Aires, Argentina, finalizaram a estreia do formato olímpico de escalada corroborando o domínio dos japoneses na modalidade. De forma incontestável, Keita Dohi e Shuta Nakamura dominaram a competição com atuações perfeitas e impecáveis. Mesmo na modalidade pouco popular entre os escaladores, a velocidade, a dupla japonesa mostrou regularidade e consistência. O vencedor da prova de velocidade foi o francês Sam Azevou com um tempo impressionante, especialmente para um “não especialista”: 6.96 segundos. O segundo colocado foi Keita Dohi (7.00 segundos) e o chinês Yufei Pan (8.23 segundos).

Assim como aconteceu em todos os dias, a velocidade, mesmo com todas as inovações tecnológicas anunciadas com pompa pelo IFSC, é a modalidade que menos atraiu a atenção do público presente. Dificilmente o Olympic Channel irá anunciar os números de audiência, mas seguramente as transmissões em streaming da modalidade foi bastante irrisória, chegando perto de ser nula. O Olympic Channel transmitiu todas as modalidades gratuitamente para todos os países do mundo, não sendo necessário adquirir assinatura de nenhum canal a cabo, ou pacote adicional, para assistir a estreia da escalada olímpica.

 

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Na modalidade de boulder é que, tanto público quanto escaladores, mostraram um maior interesse. Assim como no dia anterior, com as finais femininas, as linhas de boulders propostas pelos route setters pareciam mais fáceis do que as classificatórias. Apesar de somente uma pessoa conseguir realizar os quatro tops nas linhas de boulder, visivelmente os atletas tiveram menos dificuldade que nas classificatórias. Com uma atuação soberba e impecável, o japonês Keita Dohi encadenou todos os boulders com relativa facilidade, consagrando-se o vencedor da modalidade de boulder. Com uma pontuação de 4T4z-12, mostrou personalidade e carisma ao se emocionar com a vitória. O segundo colocado foi o italiano Filip Shcenk com 3t4z-4 e terceiro foi o japonês Shuta Tanaka com 3t4z-7.

Na categoria de boulder os route setters procuraram implementar cada linha, de um total de quatro, em um estilo diferente para desafiar a diversidade de cada um dos seis finalistas. Porém o que se viu foi um festival de linhas encadenadas. Quando parecia que todos iriam ter a mesma pontuação, somente a última linha parece ter sido pensada para aplicar dificuldade aos atletas. Somente Keita Dohi conseguiu encadenar, já na quarta tentativa. Apesar de toda esta dificuldade, ficou nítido a tendência que é adotada em campeonatos internacionais: muito equilíbrio, pouca força bruta, precisão impecável e técnica apurada.

Foto: IFSC/Eddie Fowke

Vários treinamentos aplicados em academias do mundo inteiro, como campus board e fingerboard, não são tão efetivos para o estilo implementado nestas competições. Lembrando que em entrevistas a cada um dos atletas que se destacaram na competição, muitos afirmaram que as linhas de boulder, assim como as vias, “não eram difíceis”.

Na modalidade de via guiada, com público recorde de todo o parque olímpico, os atletas japoneses praticamente passearam. Shuta Tanaka foi o grande vencedor da modalidade, seguido por outros escalador, que também fez top: Yufei Pan (China). Keita Dohi foi o terceiro colocado na modalidade de vias guiadas.

 

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Pela pontuação somada, segundo as regras de ponderação matemática utilizada pelo IFSC, Keita Dohi, que ficou com o quarto lugar na categoria, foi o vencedor da medalha de ouro. Seu compatriota, Shuta Nakamura, ficou com a medalha de prata e o francês Sam Azevou ficou com a medalha de bronze. O resultado é um pequeno retrato da escalada atual: amplo domínio do esporte pelos japoneses e a premiação a países que trabalharam a médio e longo prazo na formação de atletas de todas as categorias.

Quando entrevistado, o técnico da seleção japonesa, afirmou que o resultado obtido nos jogos olímpicos da juventude é o resultado de um planejamento minucioso, que passa não somente pelo treinamento e especialização de técnicos e academias, mas também pelo tipo de educação esportiva que o país possui.

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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