Como é a organização de uma etapa da Copa do Mundo de Escalada?

Organizar um evento é um grande desafio, pois são muitas as variáveis envolvidas no processo. Há quem acredita que basta postar algo nas redes sociais, fazer acordos verbais com amigos e esperar para a casa encher. Na verdade, é necessário muito mais que apenas vontade, pois é preciso coordenar diversos fornecedores, definir uma logística eficiente e, obviamente, agradar aos convidados.

Para um evento de sucesso é necessário planejar, pois o planejamento de eventos é essencial para qualquer organizador. Planejar minuciosamente é a maneira mais eficiente de minimizar os possíveis problemas, otimizar os processos e garantir os melhores resultados.

 

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Enquanto na América do Sul os eventos de competições de escalada ainda estão engatinhando, na Europa a International Federation of Sport Climbing (IFSC), a Federação Internacional de Escalada Esportiva, já organiza eventos com grande presença de público e transmissão de qualidade por streaming. A diferença do que é praticado na América do Sul, com raríssimas exceções (como o Master de Boulder no Chile), é porque grande parte das pessoas que organizam o esporte no continente sul-americano não possui a mesmo expertise nem a longevidade dos eventos do IFSC na Europa.

Hoje, indiscutivelmente, as competições de escalada do IFSC possuem uma base sólida por causa de um detalhe: a experiência de 30 anos. Como descrito em um artigo na Revista Blog de Escalada sobre a história das competições de escalada, em 1989 foi organizada a primeira Copa do Mundo de vias guiadas. O primeiro teste foi realizado em Leeds, na Inglaterra, e os vencedores foram Jerry Moffat e Robyn Erbesfield.

A Copa do Mundo x Campeonato Mundial

 

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Nas competições de escalada esportiva existem dois eventos considerados “máximos”: A Copa do Mundo e o Campeonato Mundial. Estes dois eventos são os que premiam e chancelam os atletas que podem ser considerados como os melhores do mundo. Porém ambos os eventos, apesar de serem organizados de maneira parecida, possuem calendários diferentes.

A Copa do Mundo de Escalada do IFSC é realizada em várias etapas ao longo do ano. As provas são realizadas em diversos países. Cada país que quiser sediar uma etapa do IFSC deve ter uma associação ou federação em dia com os pagamentos de filiação.

Para cada tipo de prova, é necessário pagar a taxa de realização, que varia de € 25.500 a € 36.000, dependendo do número de disciplinas a realizar. A tabela de preços é disponibilizada no site do IFSC. Além disso, a construção da estrutura fica por conta do organizador.

O Campeonato Mundial de Escalada é organizado de dois em dois anos, em uma única cidade.

Organização

 

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Uma etapa da Copa do Mundo tem dois componentes fundamentais: a organização (associação ou federação do país local) e a equipe técnica da IFSC, composta por route setters e árbitros. Atualmente há um terceiro pilar, que é a equipe encarregada da transmissão por streaming. A equipe de streaming não é vinculada diretamente com o IFSC, para poder trabalhar as habilidades de transmissão independentemente.

Além disso, o pessoal do streaming também funciona como mestre-de-cerimônias que, de acordo com a organização e a equipe de arbitragem, marca o andamento do evento. No final, todos (route setters, árbitros e streaming) trabalham juntos, mas de maneira independente e sem interferir no trabalho um do outro.

Entretanto, para que a competição funcione de maneira harmônica, essas três partes devem ter uma comunicação muito fluida e contínua. Não funcionaria, por exemplo, se o streaming fizesse seu trabalho pelas costas dos árbitros ou se a organização tomasse decisões sem comunicar a outras partes interessadas. Como trata-se de um evento profissional, os recursos gastos em um evento deste é considerável. Não chega a ser como uma partida de futebol profissional, mas é proporcionalmente igual.

 

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Dentro da equipe técnica da International Federation of Sport Climbing fazem parte:

  • Delegado do IFSC: Responsável por aspectos técnicos. Trabalha em colaboração com a organização, executando inúmeras tarefas como, por exemplo, desde medir o muro de prova de velocidade até padronizar um recorde, auxiliar a equipe médica e prestar assistência na realização do streaming.
  • Presidente da competição: Responsável pelo desenvolvimento da competição. Faz reuniões técnicas antes das competições com todos os técnicos e escaladores e todos os árbitros.
  • Árbitros internacionais do IFSC: Responsáveis ​​por supervisionar o trabalho dos árbitros nacionais, publicar os resultados, receber reclamações (se houver), supervisionar e executar mudanças importantes que possam ocorrer nos cronogramas da competição.
  • Árbitros Nacionais do IFSC: Responsáveis por pontuar os competidores. Trabalham sob as ordens dos árbitros internacionais do IFSC.

Como toda competição, a equipe técnica não deve ter nenhum protagonismo (querer aparecer mais do que deve ou mais que o evento), o importante é escaladores e escaladores.

Um exemplo clássico e que acontece frequentemente: um competidor usou uma parte da parede, ou mesmo pisou em uma chapeleta, como suporte, algo ilegal e passível de punição. Como toda competição que ambiciona credibilidade, isso é punido.

 

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Nesse caso, o IFSC permite que o escalador possa terminar sua tentativa e, quando desce, é informado de maneira muito educada que o vídeo será revisado e que ele poderá sofrer uma punição. A comunicação é dada de maneira direta, sempre com educação e serenidade, sem excesso de explicações. O árbitro fez seu trabalho, mas está em segundo plano.

Obviamente existem decisões que podem estar erradas, por esse motivo, há reivindicações, nas quais o Delegado do IFSC e o Presidente do Júri tomam a decisão final, dando o voto de minerva. Diante de uma punição, em geral, os técnicos e escaladores das equipes nacionais são muito profissionais e cumprem as decisões. Parte disso porque está previsto no regulamento punições para chiliques e acessos de fúrias dos escaladores e técnicos.

Por outro lado, o IFSC também faz sua parte assumindo erros quando ocorre (não apagando as evidências), até mesmo classificando ou desclassificando atletas quando detectado um erro posteriormente.

Route setters

 

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A equipe de route setters é composta por três pessoas, as quais, geralmente, têm outros assistentes e testadores de vias. Os três pilares da organização dos route setters são: chefe de route setters e dois route setters auxiliares.

De maneira antecipada, os route setters conhecem o nível dos atletas, por isso o fator surpresa sempre pode aparecer e é uma das atrações da competição. Porém os route setters escolhidos não devem possuir problemas que levem a um conflito de interesses. A oposição dos interesses pessoais e profissionais do route setters é motivo para que este não faça parte da competição.

O que seria um conflito de interesses? Por exemplo, um route setter ter relacionamento afetivo (namorado, namorada, esposo, esposa, etc) com um dos competidores. Em uma competição profissional este tipo de acontecimento é inaceitável.

Streaming

 

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A transmissão contínua, ou streaming, é um desenvolvimento relativamente recente mas que já evoluiu muito por parte do IFSC. Até alguns anos atrás, as transmissões da Copa do Mundo e do Campeonato Mundial de escalada era bastante precária. Porém o importante foi que o IFSC e a equipe de streaming, aprenderam com os erros. os organizadores entenderam, por exemplo, que um o narrador, qualidade de som e imagem e estabilidade de transmissão são fundamentais para o sucesso do streaming.

Um dos principais segredos de uma transmissão de streaming de qualidade são as conexões com boas taxas de upload. No Brasil, por exemplo, é muito difícil ter uma internet com boas taxas de upload. O problema do IFSC de início foi resolvido, com o uso de servidores de acesso universal e streaming adaptativo.

Por outro lado, o IFSC também percebeu com o tempo que seria necessário utilizar a mesma logística e organização já existentes na televisão. Portanto, um narrador e comentaristas com boa dicção e que entendesse do esporte, mas que não quisessem aparecer mais que o evento, foi fundamental para a consolidação da transmissão.

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