Orientação básica: Conheça os três tipos de norte que existem

Saber orientar-se em uma atividade ao ar livre é tão importante quanto saber escolher o equipamento certo. Ninguém sai de casa para qualquer atividade para ficar perdido. Da mesma maneira que se procura um endereço em um mapa de uma cidade, é importante saber orientar-se em um trekking ou hiking.

A bússola, que foi inventada pelos chineses, é sem dúvida o instrumento mais conhecido da “Era dos Descobrimentos” (período da história que decorreu entre o século XV e o início do século XVII), pois foi provavelmente o mais importante. Era indispensável a todo e qualquer navegador. O mesmo aparelho pode ser utilizado pelo mais simples praticante de atividades outdoor. Com um mapa e uma bússola, é possível se orientar de maneira bastante eficiente.

O básico de orientação é saber os pontos cardeais (norte, sul, leste e oeste) e colaterais (nordeste, sudeste, sudoeste e noroeste) e saber identificá-los em uma bússola.

Primeiramente é necessário ter um lugar referência e, por isso, o mais comum é o norte. Entretanto existem três tipos de norte: Magnético, Geográfico e Lamber.


Norte magnético e o rumo

O norte magnético é aquele que identificamos com a maior facilidade em uma bússola. O ponteiro da bússola está alinhado com as forças do campo magnético do planeta Terra. Este campo magnético está em um lugar estável e sua localização diária pode variar em alguma centenas de metros.

Para chegar ao ponto exato do norte magnético, os que se locomovem a explorações polares, devem fazer compensações e cálculos para saber onde ele está a cada ano.

Pela convenção física, o polo magnético norte estaria situado no sul da Terra e vice-versa. Para evitar essa confusão, convencionou-se chamar de polo norte magnético o polo que está próximo ao polo norte geográfico, o mesmo ocorrendo com o polo sul.

A partir do princípio de funcionamento da bússola, é descoberto o “rumo”. Entenda por rumo à direção de interesse que deseja-se ir.

Como o ponteiro da bússola (chamada tecnicamente de agulha) aponta sempre para o norte, ele é usado como referência fixa, e tomamos leituras a partir dela usando o portão. O norte da bússola é a origem da leitura, à medida que deslocamos a direção do disco de leitura (parte integrante de uma bússola e auxilia na navegação) no sentido horário, o valor do rumo cresce. Este valor deve ser sempre menor que 90°.

Portanto, usando os pontos cardeais como referência, o seu rumo a ser informado a alguém deve ser algo como:

  • N50°E (50° norte para o leste)
  • N20°O (20° norte para o oeste)
  • S45°O (45° sul para o oeste)
  • S30°E (30° sul para o leste)

Norte geográfico e azimute

O norte geográfico também é chamado de norte verdadeiro e é o que utiliza o eixo de rotação como referência. Este eixo, apesar de apontar para o Polo Norte geográfico, não coincide com o norte magnético. Esta diferença chama-se declinação magnética e em cada localidade do planeta possui uma distinta.

Para o norte geográfico, a medida utilizada é o azimute geográfico. Em Navegação, o conceito de azimute geralmente é usado no sentido de direção. Os valores de azimute levam em consideração o norte geográfico como referencial e a partir disso as direções possuem valores até 360°.


Norte Lambert ou Norte UTM

O Norte Lambert, Norte Cartográfico ou Norte de UTM são as linhas paralelas que marcam os meridianos como vemos nos mapas e que, aparentemente, são retas. O Sistema UTM é dividido em 60 fusos (Zona UTM) de 6 graus de amplitude em longitude.

Mas estas linhas não são paralelas, pois convergem de norte a sul magnético. Não entendeu? Observe a projeção plana das linhas de uma mexerica (tangerina ou bergamota), agora as imagine sua vista perpendicular (da mesma maneira que uma planta baixa) em um plano.

Pois é exatamente isso: uma projeção de uma superfície esférica em uma superfície plana. Por ser uma projeção, há inevitáveis deformações. As principais projeções utilizadas são as projeções azimutais (também conhecida como plana ou zenital), cônicas e cilíndricas. O exemplo mais conhecido e utilizado é a Cilíndrica Equatorial Conforme de Mercator (conserva os ângulos e distorce as áreas).

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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