Treinamentos de Escalada: Tem algum efeito o treinamento isométrico sobre o rendimento dinâmico?

Conheço muitos escaladores que falam que treinar os bloqueios é bom para melhorar a força de tração. Sem dúvida, se a gente treina os bloqueios, fica melhor bloqueando. Porém há alguns fatores que devem ser levados em conta:

Vai melhorar só o ângulo que treinamos. Alem disso, por enquanto, pelo menos para pessoas muito em forma, não tem provas para pensar que um ângulo determinado seja representativo do movimento completo (Wilson & Murphy, 1996).

Gráfico da porcentagem da melhora na força isométrica dos flexores do cotovelo após o treinamento isométrico a diferentes ângulos do cotovelo. Em Fleck & Kraemer (2004), tomado de C. Thèpaut-Mathieu et al, 1968.

Por exemplo, Folland et al (2005) fez um estudo com 33 homens fisicamente ativos (sujeitos não-atletas saudaveis ou fisicamente ativos, mas que não realizavam exercício com objetivos de rendimento) e comparou o aproveitamento de forças obtido após o treinamento isométrico.

Só em uma perna em 4 ângulos diferentes, com as de um treinamento convencional dinâmico na outra perna.

O incremento na força isocinética resultou ser similar nas duas pernas, mas tem que lembrar que este efeito unicamente foi observado em pessoas pouco treinadas.

Outro assunto diferente, mas sem dúvida, fundamental , é pensar se compensa treinar especificamente esta habilidade, e se é assim, qual é o melhor método.

Foto: Rainer Eder

A seguir vamos responder algumas perguntas para tentar encontrar argumentos para fundamentar o nosso treinamento,e conhecer um pouco mais da escalada e seus fatores de rendimento:

1- Podemos melhorar nossa força de tração, de características dinâmicas, a través de um exercício estático, como os bloqueios?

2- E ao contrário, treinando dominadas, melhoramos a nossa força de bloqueio?

3- É efetivo combinar contrações dinâmicas com bloqueios no mesmo exercício, como nos isométricos funcionais, ou as dominadas estático-dinâmicas de Cometti?

4- Que papel representa para nosso rendimento a capacidade de bloquear? É importante treiná-la?

5- Para que tipo de escalador e escalada é importante treinar os bloqueios, e qual será o método mais efetivo e menos lesivo?

Podemos melhorar a nossa força de tração a través de um exercício estático como os bloqueios?

O treinamento isométrico tem transferência ao rendimento dinâmico? Podemos supor que, dado que o mecanismo de contração é o mesmo para ativações dinâmicas e estáticas, a resposta é que sim. Mas como acontece, as coisas não são tão simples.

Alguns livros falam que o melhoramento da força está relacionado com o jeito de como foi conseguido esse melhoramento.

As ganâncias obtidas após treinar com determinado ângulo, velocidade, posição, ou ativação (estática ou dinâmica), tem pouca transferência ao rendimento em outras diferentes (González-Badillo y Izquierdo, 2008).

Em geral, o efeito do treinamento isométrico sobre a força dinâmica explosiva, é relativamente pequeno, especialmente para esportistas fortes e potentes (Hakkinen, 1994).

Pelo contrário, treinando dominadas, melhora o bloqueio?

Supostamente, um teste de FIM (força isométrica máxima) é bom indicador da força máxima dinâmica ou uma repetition maximum (1RM) (McGuigan and Winchester, 1998; Juneja et al, 2010).

Porém, segundo numerosos estudos, depois de ter treinado um exercício dinâmico, as melhoras obtidas em um teste dinâmico, não se relacionam com as melhoras obtidas no teste isométrico.

E isso é assim, enquanto maior fica o rendimento do atleta.

Isso que dizer que os sujeitos que melhoram, por exemplo, na quantidade de quilos levantados numa sentadinha, não melhoram proporcionalmente em quilos suportados num teste isométrico a 90º do joelho

Considerações finais

Duchautau e Hainaud (1984) sugerem que nossos músculos se adaptam de um jeito diferente ao treinamento isométrico do que ao dinâmico.

Segundo o Baker et al (1994), os mecanismos que ajudam a melhorar a força dinâmica parece não estar relacionados aos que favorecem o aumento da força isométrica.

Os resultados dos seus estúdios deixam ver que a generalização da função muscular, parece não existir, só que na verdade esta é específica de cada atividade (em González-Badillo & Izquierdo., 2008)

Na prática, segundo alguns livros científicos citados, podemos falar que pode ter alguma relação entre a força máxima em dominadas e bloquear em um ângulo ótimo (segundo Murphy et al, 1995 seria aquele no que podemos produzir maior força, ou seja, num bloqueio, a 90º) treinando o bloqueio, pode melhorar o nosso rendimento no ângulo treinado, mas não conseguiríamos aproveitar em dominadas, e vice versa.

Tradução autorizada : http://eva-lopez.blogspot.com.es/

Eva López é espanhola, educadora física com mestrado em treinamento físico para escaladores. Também é escaladora desde os 15 anos de idade e uma das pessoas mais especializadas em treinamento de escalada no mundo

There is one comment

  1. Orlei Jr.

    Olá Eva! Tudo bem?
    Tb sou profisisonal de educação física, treino escaladores desde 2000, …
    Já li alguns de seus textos e confesso ter dificuldade de compreendê-los em alguns aspectos! Não sei se são mal traduzidos para o português ou se há algum problema de nomenclatura.
    De qq forrma entendo que força é a capacidade de elevar a maior quantidade de peso em 1RM. Certo? Por exemplo. O escalador A levanta 70Kg. O escalador B levanta 20 Kg. A é mais forte que B.
    Dito isso penso que escaladores precisam de força MÍNIMA – suficiente para levantar o peso do próprio corpo – e resistência (anaeróbia lática) MÁXIMA – para elevar o peso do próprio corpo várias vezes, durante um longo período de tempo.
    Alterações da força podem ser medidas com o teste de preensão manual. Verá que são discretas.
    Pergunto:
    Pq medir força para treinar resistência?
    Que tal medirmos / falarmos de potência e de RAL (resistência anaeróbia lática)?
    Se tem algum efeito o treinamento isométrico sobre o rendimento dinâmico ? Eu acredito que isso dependerá da via projeto. Se a “via alvo” solicitar bloqueios de braços certamente que o treinamento isométrico de resistência (e não de força) fará a diferença entre encadenar ou não a via!
    O princípio da especificidade é indiscutível. “Se a gente treina os bloqueios, fica melhor bloqueando.”
    Espero que me entendas e que possamos evoluir juntos.
    Abraço

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