Saiba o que é o sistema de camadas para se aquecer em trekkings com frio intenso

Passear na montanha é um prazer e um privilégio que somente quem aprecia entende. Porém é necessário estar preparado para enfrentar o clima de montanha de maneira adequada, pois é de conhecimento geral que o clima de montanha tende a ser muito mais frio que o de regiões urbanas próximas do nível do mar.

Sob determinadas condições climáticas usar apenas um bom casaco não é o suficiente para manter-se devidamente aquecido em um clima de frio intenso. Existem lugares como, por exemplo, Pico dos Marins, Pico das Agulhas Negras e Pedra do Baú, em que a sensação térmica é muito diferente da temperatura em termômetro.

O seguinte exemplo é bem ilustrativo: estar parado em uma varanda, ou mesmo na rua, de camiseta de algodão e um grosso casaco de penas de ganso em um lugar que está fazendo 0ºC, a pessoa sente relativo conforto térmico. Quando esta mesma pessoa começa a caminhar este conforto térmico começa a desaparecer. Isso porque o tecido de algodão começa a reter o seu suor, ficando úmido (dependendo da pessoa até mesmo molhada). Com a camiseta de malha de algodão retendo uma quantidade grande de suor e, consequentemente, ficando molhada esta umidade começa a também molhar o grosso casaco pela parte de dentro. Esta sensação de desconforto é o que comumente chama-se de sufocamento e um desejo de se desfazer urgentemente do casaco.

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Para contornar esta situação, que pode comprometer completamente um passeio prazeroso, desenvolveram-se vários tecidos que são usados em diversos tipos de roupas. A sobreposição de várias peças de roupas da-se o nome de “sistema de camadas” por assemelhar-se com as de uma cebola. Este tipo de conceito de aquecimento, muito usado em países frios, vale também para pescoço, mãos e membros inferiores.

O sistema de camadas é dividido em 3 peças fundamentais: camada base ou primeira camada (base layer), camada térmica ou intermediária (middle layer) e camada externa ou terceira camada (external layer). Todas as camadas devem, prioritariamente, serem respiráveis, portanto no momento de estiver escolhendo cada uma das pelas é fundamental reparar neste detalhe.

Algumas pessoas em clima de frio considerado extremo, geralmente abaixo de 10ºC, optam por utilizar até mesmo seis camadas. Este tipo de opção prejudica a locomoção imensamente, mas preserva o usuário de sofrer de hipotermia, por isso cabe a cada um saber o seu limite de tolerância ao frio e escolher sabiamente cada uma das camadas.

Camada base

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A camada base (base layer), também conhecida como primeira camada, é uma peça de roupa que se assemelha a uma luva, porém para o corpo inteiro. Esta peça é conhecida como segunda pele, o que causa confusão com muitas pessoas. Mas deve-se prestar atenção sempre na regra abaixo:

  • A camada base e constituída é a sua segunda pele é sempre

A função da segunda pele é conseguir dissipar o suor com rapidez, para não deixar o usuário sentir-se empapado (excessivamente molhado), e ajudar a diminuir o odor exalado pelo suor durante uma caminhada.

Uma regra não deve ser esquecida para a camada base: algodão é material “proibido” em um trekking pois o empapamento é inevitável por causa da transpiração e compromete a eficácia do sistema de camadas. Um outro aspecto que deve ser prestado atenção no momento de adquirir uma segunda pele é a sua gramatura. Para atividades de sudorese intensa, como corrida de montanha, a opção por uma gramatura mais leve é uma escolha adequada.

Importantíssimo ter em mente que a principal função da primeira camada é expelir a transpiração e manter o usuário sempre seco.

Camada térmica

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A camada térmica, também conhecida como camada intermediária (middle layer) é uma peça de roupa que é usada por cima da segunda pele. Preferencialmente esta camada é constituída por um fleece (que tem gramatura variando de acordo com o frio que irá enfrentar). O objetivo desta camada, como o próprio nome deixa a entender, é primordialmente aquecer o usuário.

Alguns usuários também utilizam softshell (se você não sabe o que é um softshell acesse aqui) para esta camada, mas a escolha limita um pouco os movimentos se comparados a um tecido como fleece.

Dependendo da intensidade do frio esta camada também é aplicada às pernas do trekkeiro.

Camada externa

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A camada externa (external layer) é primordialmente para proteger o usuário de duas coisas: vento e/ou chuva, e deve ser de um tecido respirável e impermeável à chuva e/ou vento.

Vários fabricantes possuem tecnologias com nomenclaturas diferentes para suas tecnologias, mas as mais conhecidas são as WindStopper e Gore-Tex. (A explicação completa destas tecnologias você encontra clicando aqui).

A camada externa pode possuir ainda proteção extra contra o frio, podendo possui forro com pena de ganso ou algum similar artificial.

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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