Equivalente Metabólico em Repouso (MET): Como planejar nutrição no alto rendimento

Por Camila Matiazi Macedo

Meu nome é Camila Macedo, sou atleta da seleção brasileira de escalada, muitos escaladores me pedem dicas e para escrever sobre minha alimentação. Venho sendo um pouco cuidadosa ao expor meus costumes alimentícios, pois tenho receio que algumas pessoas venham a imitar minha dieta e isso não seria adequado. Vamos começar contando o resultado de um simples teste realizado no final de fevereiro no LO (Laboratório Olímpico).

O teste em questão é o MET em repouso (equivalente metabólico em repouso), que demonstra o consumo de oxigênio tendo a capacidade de aferir a quantidade de calorias que cada atleta gasta em repouso. O que a grosso modo, significa acordar pela manhã e passar o resto do dia sentado na frente da televisão sem fazer absolutamente nada e no final do dia gastaríamos “X” de calorias, o teste então acusa quanto gastamos de energia calórica para simplesmente respirar.

Pois bem, o meu MET em repouso é de 1.990 calorias só para ficar acordada sentada no sofá. Uma pessoa normal, de idade média e digamos que “sedentária”, gasta cerca de 2.500 calorias para passar o dia inteiro nas suas atividades rotineiras, trabalhando, estudando, dirigindo, tomando banho e até mesmo fazendo pequenos deslocamentos a pé. Ou seja, meu gasto diário é alto, que de acordo com minha genética e ainda a quantidade de exercícios que eu faço diariamente chega facilmente acima de 5.000 calorias por dia.

A nutricionista Manuella Lopes, que me acompanha a mais de quatro anos em Curitiba, já sabia disso e vem me atendendo tempo suficiente para colocar seus estudos e conhecimento a prática da minha dieta, consumo diário de nutrientes e calorias. Obviamente se alguém imita minha dieta, sendo que cada pessoa tem seus próprios gastos e necessidades, seria inadequado e podendo até gerar problemas de saúde.


Por Manuella Lopes Toledo – Nutricionista Clínica Funcional e Esportiva – CRN8/7121

Um plano alimentar para atletas vai muito além de indicar carboidratos para energia.

O tratamento/orientações começa pela boca, pois é por ela que se inicia a digestão de carboidratos, por exemplo, pela ação de uma enzima chamada alfa-amilase salivar, preciso considerar o pH do estômago, intestino para saber se o nutriente prescrito conseguirá ser bem absorvido, digerido, caso contrário causo bloqueio destes. Até o alimento ser transformado em energia, existem estes processos e outros, para melhor liberação de macro e micronutrientes na corrente sanguínea chegando a massa muscular por exemplo.

Um atleta de alta performance, como é o caso da atleta Camila Macedo, necessita de fibras na sua alimentação, e existem fibras específicas para cada fase, como dias de treino, dia que antecede campeonatos e o dia deste. Alguns dias são indicados fontes de fibra insolúvel como: alface, cenoura, brotos de feijão, aipo, arroz integral, cascas de frutas. E outro preciso indicar as solúveis: farelo de aveia, cevada, frutas frescas como morango, feijão, alho, repolho de Bruxelas, abobrinha, etc.

A alimentação da atleta Camila, é elaborada considerando todos estes fatos. O porque indicar fibras para a atleta está pautado em que substâncias potencialmente toxicas presentes nos alimentos e na bile, ligam-se as fibras alimentares e são eliminadas do organismo, o que evita que estas substancias causem danos a mucosa intestinal ou que sejam absorvidas. Estudos científicos mostram que uma dieta rica em fibras alimentares pode reduzir a incidência de câncer de cólon, por exemplo.

E na hora de indicar alimentos para pré, intra e pós-treino, preciso analisar e prescrever alimentos que auxiliem na função hepática, pois o fígado é um dos órgãos que fica a “todo vapor” na hora e pós a prática de atividade física de alta intensidade. Considero também alimentos que consigam liberam açúcar na corrente sanguínea, por exemplo, gradativamente para que a atleta tenha energia do início ao fim da prática da atividade. No pós, preciso ponderar que as reservas de glicogênio estão sendo depletadas.

No período de repouso de um atleta (individual para cada modalidade, peso e outros fatores fisiológicos) deve-se considerar o turnover dos carboidratos no repouso por exemplo. Quais alimentos posso indicar nesta fase para que no pós-prandial o intestino delgado consiga absorver e seja estocado como glicogênio no fígado e no músculo esquelético, para ser utilizado no dia seguinte. Para isso é importante que o profissional precisa saber qual é o MET em repouso do atleta.

Estas foram algumas informações de como elaboro o plano alimentar e suplementação da atleta Camila Macedo, porem aqui está apenas uma pincelada de muitos detalhes que são pensados para a fisiologia individual da mesma.

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