Entrevista com Sílvia Vidal

No universo da escalada quando se pensa em big wall e escalada artificial, o nome de Sílvia Vidal aparece como das maiores de todos os tempos. Fosse necessário listar suas grandes conquistas, o espaço aqui ficaria pequeno para tantas coisas que Vidal já realizou na vida. A catalã, como bem gosta de frisar, em setembro deste ano abriu uma nova via em solitário, a qual passou 36 dias apenas carregado seus equipamentos.

Após todo este trabalho, Sílvia Vidal passou 17 dias na parede em um lugar remoto no Alasca. Ao todo foram 150 kg de equipamentos de escalada e comida, tudo sem ajuda externa, rádio ou telefone. Sem nenhum exagero, a catalã é uma verdadeira Mulher Maravilha (desculpe Gal Gadot, mas é verdade), de fato e de direito.

Foto: https://www.klettern.de/

Tivemos a oportunidade única de realizar uma entrevista com Sílvia Vidal para falar um pouco sobre sua carreira, reflexões e o que pensa sobre o universo da escalada.

Sílvia Vidal pode ser contatada para palestras e outros assuntos em: http://www.vidalsilvia.com/

Sílvia, desde que você começou a escalar, em sua opinião, o que mudou?

Comecei a escalar aos 23 anos de idade e em todos estes anos, claro, aconteceram algumas mudanças. É a vida!

Movimenta-se e muda-se para seguir em frente. Mas claro que nem todas estas mudanças foram por causa da escalada. Para mim a escalada é apenas uma boa ferramenta para experimentar parte da minha vida.

De todas as disciplinas de escalada, por que você escolheu escalar em solitário?

Eu escalo com parceiros de escalada quase todo o tempo. Mas às vezes eu tenho a necessidade de ir escalar sozinha.

Quando isso acontece significa que eu estou motivada. Não quer dizer que sou uma pessoa solitária ou que eu gosto de estar sempre sozinha, este não é o caso. Significa que eu gosto de estar sozinha às vezes, de uma maneira natural.

Existe solidão boa e solidão ruim: para mim a solidão boa é quando é escolhida.

Foto: Sílvia Vidal | https://supawell.com

Você fez uma grande conquista no Alasca este ano. Como foi para você fazer algo tão espetacular?

Eu fico alegre e agradecida por ser capaz de viver estas experiências e ser capaz de compartilhá-las mais tarde.

Quais são seus projetos de escalada para 2018?

Eu cheguei a pouco da última expedição. Este topo de expedição não é o tipo de coisa que você pode fazer todo dia (não estou falando apenas de escalada). Elas exigem muito (fisicamente e mentalmente). Eu somente vou para uma expedição quando eu sinto que estou pronta novamente para isso, não antes.

De qualquer maneira, se eu já souber quando e onde será a próxima expedição eu não diria. Eu nunca conto meus planos antes de eu fazer (nem mesmo aos patrocinadores). Acho que é importante guardar minha real motivação intacta e ter a liberdade que procuro.

Foto: Sílvia Vidal | http://www.alpinist.com

Para alguém que queira escalar no mesmo estilo que você, qual o seu conselho?

Sinta e siga o que você é, não o que os outros são.

Se a escalada é parte de seu caminho, você saberá. Assim como o estilo sera parte de sua própria responsabilidade.

Em sua opinião, o que faz um escalador ser completo?

O que quer dizer com ser um escalador completo se não é uma pessoa completa no dia a dia da sua vida? Eu acredito que nós nunca estamos totalmente completos.

Por sorte há sempre algo mais que queremos melhorar.

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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