Como descobrir se está confiante (ou não) para um desafio

Lembro-me de Hueco Tanks, no Texas no início da década de 1990, escalando e treinando no “Campo de treinamento” de Todd Skinner. Ele transformou sua casa em um centro de treinamento e gostava de hospedar escaladores de todo o mundo. Poderíamos treinar e explorar amplamente; foi antes que as restrições atuais na Hueco fossem estabelecidas. Nós também exploramos amplamente nossas conversas sobre treinamento. Esqueci a maioria dessas conversas, no entanto lembro-me de uma coisa que Todd disse: “O benefício de ser poderoso é saber que você é poderoso”.

É interessante como lembramos coisas específicas que as pessoas dizem, mas esquecemos quase todo o resto. Tendemos a lembrar de coisas que nos chocam, nos surpreendem ou que não esperamos. Temos certas concepções mentais. Despertamos quando outros dizem coisas que chocam essas concepções, desde que permaneçamos abertos para aprender com elas.

Todd Skinner

Perguntei-me o que Todd queria dizer com sua declaração. Parecia um pouco confuso usar a palavra “poderoso” duas vezes na mesma frase. Isso me fez parar e pensar, desafiar a minha concepção do que seria poderoso. Foram necessários muitos anos de estudo de treinamento mental para entender tais distinções.

“Saber” é uma qualidade mental. O poder físico é importante, mas se não acreditarmos que somos poderosos, não teremos a capacidade de aplicar nossa força física. Saber que somos poderosos significa que nosso poder mental “alcançou” nosso poder físico. Nos experimentamos aplicando nosso poder físico o suficiente para que a mente agora acredite que somos tão poderosos quanto o corpo demonstra que é.

Experimentei isso recentemente enquanto trabalhava no meu projeto de via, em Obed, no Tennessee: Born on the 4th of July. Eu havia treinado no hang-board por quatro meses; meu poder físico estava aumentando. Eu estava segurando os pequenos regletes do crux da via por mais tempo do que anteriormente. No entanto, notei minha mente não acreditando que isso fosse possível e soltando quando eu poderia continuar. Eu precisava saber que eu era poderoso para aplicar toda a força física que eu havia desenvolvido.

Precisamos nos dar espaço para acreditar em nós mesmos para fechar o vão entre nosso poder físico e mental. Como vamos fazer isso? Nós tendemos a pensar em pedaços que são muito grandes. Vemos uma série de movimentos difíceis e pensamos em todos eles. Em vez disso, pense em pequenos pedaços. Concentre-se apenas no próximo movimento. Mantenha o contato visual com a agarra. Fazer isso mantém nossa atenção concentrada ali. Eu vi escaladores, especialmente em competições de boulder, olhando para baixo enquanto seus corpos ainda estavam se movendo para cima. Isso demonstra que eles já decidiram que não conseguiram fazer o movimento. Olhar para baixo direciona sua atenção para longe do engajamento para cima.

Não desista até desistir. O que significa: não pare de exercer esforço até que seu corpo falhe. Quando ocorrer algo inesperado, como ainda estar na rocha, use isso como uma oportunidade para sua mente aprender. Você aprendeu que algo que você não esperava era possível. O benefício de permanecer aberto é permitir que sua atenção permaneça no momento. A eficácia do engajamento do corpo diminui quando sua atenção não está focada ali. Como resultado, você limitará a capacidade da mente de se recuperar com o corpo físico e você terá desperdiçado muito tempo fazendo treinamento físico. E você pode nunca saber que você é poderoso.

Dica prática: E agora?

É importante ter uma compreensão de toda a via ou problema de boulder antes de se comprometer com ele.

No entanto, uma vez que você tenha realizado o pensamento, traga sua atenção para o próximo pequeno pedaço de pedra na sua frente.

Pergunte a si mesmo: “E agora?” Esta pergunta simples desloca sua mente para o agora, o pequeno pedaço de escalada atual que precisa de sua atenção.

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O livro “The Rock Warrior Way – Mental Training for Climbing” está à venda traduzido para a língua portuguesa no Brasil em: http://www.companhiadaescalada.com.br/

Tradução do original em inglês: Gabriel Veloso

Arno Ilgner distinguiu-se como um escalador pioneiro nos anos 1970 e 80, quando as principais ascenções foram as primeiras fortes e perigosas. Essas façanhas pessoais são a base para Ilgner desenvolver o programa de treinamento físico e mental – Rock Warrior Way ®. Em 1995, após uma pesquisa aprofundada da literatura e prática de treinamento mental e as grandes tradições guerreiras, Ilgner formalizado seus métodos, fundou o Instituto Desiderata, e começou a ensinar seu programa de tempo integral. Desde então, ele tem ajudado centenas de estudantes aguçar a sua consciência, o foco de atenção, e entender seus desafios de atletismo (e de vida) dentro de uma filosofia coerente, baseada em aprendizado de tomada de risco inteligente. Ilgner considera a alegria e satisfação no esforço – a “viagem” – intimamente ligada à realização bem sucedida das metas.

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