Montanhista usa sua arte em capacetes para incentivar a segurança na escalada

Quando eu descobri as montanhas, primeiro nas trilhas e depois nas escaladas, foi com a ajuda de agências e guias. Fazer parte daquele ambiente, aparentemente, tão selvagem e perigoso me dava muito medo e eu buscava estar com pessoas que pudessem me dar a segurança que eu precisava. Na primeira vez que eu fiz a Serra Fina, cruzei com grupos independentes e sem guias, por dentro eu me perguntava “nossa, mas vocês não morrem?”.

Foi então que eu decidi que queria aprender ao máximo sobre o assunto para também poder andar por onde eu bem entendesse, com quem eu mais gostava e no ritmo que nós aguentássemos. A primeira e principal lição foi que estar na montanha é uma constante gestão de riscos e que eu precisava me planejar para o máximo deles que pudessem acontecer. Desde o casaco impermeável caso chovesse, o kit de primeiros socorros pensado para cada acidente que pudesse acontecer, até rotas de fuga caso precisássemos abortar a trilha. Cada novo perrengue que eu passava era um risco novo que eu aprendia e mais um item no meu planejamento.

Capacete pintado

Foto: Adriane Gonçalves

Quando comecei a escalar mais, percebi que isso era ainda mais importante na escalada. Seus riscos e procedimentos eram ainda maiores. Já ter aprendido um pouco em trilha, me ajudou muito, porém eu via muitos escaladores não pensando em cada detalhe e esquecendo, principalmente, dos riscos que as trilhas de acesso poderiam trazer. De novo, cada nova escalada era um aprendizado novo que um daqueles grandes experientes da montanha me trazia. Conforme eu fui aprendendo a ficar mais independente na escalada comecei a buscar maiores formas de segurança como um curso de auto resgate.

O assunto de riscos, como minimiza-los, preveni-los e até sair de roubadas é infinito, mas o que mais me preocupa, é como questões extremamente básicas de segurança são costumeiramente ignoradas. Uma destas negligências que eu mais presencio pelas montanhas é a falta do uso do capacete. Entendo que é incomodo de usar, em dias quentes a cabeça fica suando ainda mais, fora que não é um equipamento que investem em design. Ninguém fica mais bonito com o capacete.

Capacete pintado

Foto: Adriane Gonçalves

A maior parte das pessoas acredita que o capacete é apenas para caso sofra uma grande queda. Muitos só pensam em usar quando estão guiando, por exemplo. Eu mesma nunca sofri uma queda que eu batesse a cabeça, mas meu capacete já foi muito bem aproveitado! Infinitas pedrinhas e outras coisas que já caíram lá de cima e situações com diversos tetos pequenos ou grandes nos quais eu bati ou raspei a cabeça. Ele está todo arranhado e isso me lembra a importância de estar com ele em todos os momentos.

O ideal é que todas as pessoas usem o capacete estejam elas guiando, em top-rope, de segundo, fazendo a segurança, assistindo ou até só passando pelo espaço. Todos aqueles no ambiente estão sujeitos ao risco de algo acontecer. Porém, não é isso que vemos pelas fotos que a galera divulga por aí. A grande maioria das pessoas posta fotos sem capacete e acabam divulgando justamente o contrário: que não seria importante usá-lo. Talvez até, justamente, por eles terem layout sem graça e que não dizerem nada sobre a personalidade da pessoa.

Capacetes com arte

Capacete pintado

Foto: Adriane Gonçalves

Foi observando isso que, durante o planejamento da escalada de uma alta montanha no Peru, a artista Adriane Gonçalves de 25 anos, também conhecida como Drilify, teve a inspiração de usar o seu capacete como tela para os seus desenhos. A artista e montanhista, que desenha desde criança e passou a usar as montanhas como inspiração também para fotografias desde 2015, percebeu que sua arte poderia ajuda-la de diversas formas.

Além de tornar aquele equipamento sem graça em uma obra extremamente pessoal e mais bonita, ficaria muito interessante nas fotos e, de quebra, poderia ajudar as pessoas a localizarem ela caso sofresse um acidente como, por exemplo, cair em uma greta.

 

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As montanhas que ela já havia feito e, principalmente, aquelas que iriam subir na sua primeira experiência em alta montanha foram as grandes inspirações para que aquele capacete branco passasse a ser uma tela para as suas canetas. Dri levou para a rigidez do capacete, seus traços delicados feitos a mão.

Conseguiu deixar a caneta tão leve que mesmo aquela ponta grossa desenhou as finas curvas que a silhueta de cada montanha pede.

Capacete pintado

Foto: Adriane Gonçalves

Usar o capacete deixou de ser apenas uma chatice de segurança. Transformou-se em uma expressão de quem ela é, sua história e as montanhas que já haviam marcado a sua vida. Algo que as pessoas costumam querer esconder ou acham que atrapalham nas fotos, virou um toque pessoal e trouxe ainda mais emoção para os registros daquela viagem.

Essa é a forma que a Dri encontrou de usar sua arte para alertar sobre a importância de usar o capacete sempre. Pelo Instagram @drilifyart é possível conhecer mais o seu trabalho e os capacetes que ela já fez até então. Todos os desenhos são personalizados e inspirados pela história dos próprios escaladores de forma que usar o capacete deixa de ser algo chato para ser uma grande expressão da personalidade de cada montanhista.

Essa é uma grande oportunidade para todos nós sentirmos orgulho de usar o capacete e não esquecermos mais de estarmos seguros em todas as situações.

Capacete pintado

Foto: Adriane Gonçalves

Capacete pintado

Foto: Adriane Gonçalves

Capacete pintado

Foto: Adriane Gonçalves

 

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Tradicional garota da cidade grande (São Paulo – SP) teve seu primeiro contato com trilhas em 2013 no Peru, mas só veio descobrir as belezas da sua vizinha Mantiqueira em 2015.

Apaixonou-se pelas montanhas e passou a se dedicar ao trekking e à escalada por diversos cantos do Brasil além de Peru, Chile, Venezuela, França, Itália e Suíça. Completou os 180 km do Tour du Mont Blanc sozinha após uma cirurgia no joelho.

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