Brasileiro expulso de Torres del Paine explica o que realmente aconteceu no Parque

No início da semana foi noticiado que dois brasileiros tinham sido expulsos do Parque Nacional Torres del Paine na vidada do ano.

Todos as informações disponibilizadas, tanto pelas autoridades chilenas quanto pelas agências de notícias internacionais, apontavam a dupla de brasileiros como culpados.

O montanhista Marcelo Magalhães, através de mensagem postada na fanpage da Revista Blog de Escalada, deu a sua versão a respeito do ocorrido no Parque Nacional Torres del Paine, quando ele, e um companheiro, foram abordados por um guarda-parque.

Segundo o montanhista relatou em sua mensagem, o ocorrido foi uma denúncia de uma dupla de chilenas que interpretaram que os brasileiros estava cozinhando quando, segundo Marcelo Magalhães, estavam fazendo um sanduíche utilizando uma panela para realizar uma mistura para servir de recheio.

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Aparentemente não havia nenhum tipo de animosidade anterior à denúncia entre os brasileiros e o delatores. Pela inexistência de histórico, além de qualquer outro tipo de incidente ou provas concretas, especula-se que tenha sido somente um mal entendido.

Uma outra dupla de montanhistas que os encontraram, pouco antes das delatoras, confirmaram toda a versão da história de Magalhães a respeito da inocência dos brasileiros por escrito.

Após alguns dias à espera do encontro com o juiz esta declaração por escrito serviu de prova para que o processo fosse arquivado por falta de provas, e os brasileiros considerados  inocentados.

Todos os guarda-parques do Parque Nacional Torres del Paine realizaram uma reunião na qual foram orientados por um superior a somente acatar acusações com provas. Na ausência de provas concretas, apenas uma advertência deve ser realizada.

Marcelo Magalhães foi procurado pela redação da Revista Blog de Escalada, porém não obtivemos resposta, a não ser seu texto publicado por meio do Facebook.

Política Anti-Incêndios no Parque chileno

O Parque Nacional Torres del Paine, fundado em 1950, está localizado ao sul da Patagônia chilena é administrado pelo órgão governamental Conaf, que por norma instituída proíbe o uso de fogareiro em alguns locais do parque, e todos os visitantes são informados deste tipo de regra no momento de entrar.

Algumas áreas do parque há alta probabilidade de incêndio e estas medidas de seguranças tomadas, segundo dados estatísticos levantados pelo governo chileno já diminuiu a incidência de incêndio em aproximadamente 56%.

Íntegra da Versão de Marcelo Magalhães para a sua expulsão

Olá a todos,

Depois de tanto ver, e ler, notícias sobre o acontecido na Patagônia e ver o pior mal do brasileiro, que é julgar sem saber o que realmente aconteceu, achei melhor com minhas palavras explicar o que realmente aconteceu, já que fui um dos acusados a acender fogareiro em área proibida.

Dia 28 entramos no parque e sim recebemos um aviso pessoalmente de um dos guarda informando todas as regras de o que podia, e o que não podia, fazer na trilha (SIM EU SABIA QUE ERA PROIBIDO ACENDER FOGAREIRO). Entrei para fazer o circuito “O” com dois colegas brasileiros, e um dos colegas já tinha feito o circuito “W” também sabia das regras.

Também peguei informações com um colega que sabia que íamos para a Patagônia, e o mesmo informou a nós três antes de sair em um grupo de WhatsApp que era proibido.

E mais um vez : Nós três sabíamos da proibição !!

No quarto dia de trilha, mais exatamente entre o acampamento Dickson e o Los Perros, nos afastamos de um dos amigos e seguimos a trilha somente em dois. Esse meu colega estava com bastante bolhas nos pés e resolvemos parar para dar um olhada.

Decidimos também comer algo. Paramos e sacamos as coisas da mochila, retiramos nosso material de cozinha que junto estava panela, talheres, comida e gás. Tudo junto.

Paramos e fizemos uma mistura de atum, maionese e comemos com pão (ISSO TUDO E UMA PEQUENA PANELA). Na mesma hora passou um casal de chilenos e sentou dois minutos conosco para tirar umas fotos, e ficamos conversando sobre o lugar e após dois minutos o casal saiu e continuamos a comer.

Logo em seguida passaram duas garotas chilenas por nós, e como de costume cumprimentamos e elas seguiram seu caminho. Arrumamos nossas mochilas logo após e seguimos o nosso caminho. 

Faltando 500 metros para chegar ao acampamento Los Perros EU e meu AMIGO fomos surpreendidos por um dos guarda-parque totalmente fora de controle e nos acusando de estar cozinhando, pois o mesmo tinha recebido a denúncia de duas garotas chilenas.

Chegando dentro do abrigo dos guardas imediatamente o guarda comunicou à portaria que tinha recebido uma denúncia de dois brasileiros fazendo comida quente com fogareiro.

Eu e meu amigo tentamos explicar o ocorrido e que não passava de um engano, e que as chilenas tinham se enganado. Mas em momento nenhum o guarda deu direito à nossa defesa.

Por sorte nós encontramos o primeiro casal que sentou conosco no local que fomos acusados e o chileno deu uma declaração de próprio punho informado que OS DOIS BRASILEIROS NÃO ESTAVAM COM NENHUM EQUIPAMENTO DE FOGO NO LOCAL DESCRITO.

Mesmo com a declaração do casal de chileno não tivemos nenhuma chance de defesa no dia do ocorrido. No dia seguinte nós seguimos com o protocolo de expulsão do parque. Seguimos direto para a portaria do parque para interrogatório pelos carabineiros do Chile (POLICIA CHILENA) junto com o guarda-parque que recebeu a denúncia.

Após um longo depoimento no dia 31 de Dezembro de 2015 fomos informados pelo sargento responsável pela segurança do parque que o guarda-parque informou ao sargento que o próprio tinha nos surpreendido, e que não existia nenhum depoimento a nosso favor e que EU e MEU amigo tínhamos que comparecer dia 05/01/2016 no tribunal de Justiça de Puerto Natales.

Poderíamos pegar 3 anos de cadeia se fôssemos culpados, além de pagar uma multa de 2 mil dólares e que se nós tentássemos sair do pais a situação poderia piorar.

Dia 01/01/2016 voltamos para a entrada do parque, e por sorte achamos o guarda-parque que tinha recebido a denúncia e exigimos dele uma cópia da declaração do casal de chilenos que estava na sua ATA.

Tiramos uma foto da página da ATA onde continha a declaração do casal de chilenos.

Emfim para encurtar o texto, fiquei super chateado pela reação das pessoas em muitos grupos que eu faço trekking e montanhismo a quase 5 anos, e nunca passei por esse tipo de situação.

Todo mundo que me conhece, que faz trilhas comigo, ou que já me viu em alguma trilha no Brasil sabe da minha índole. 

Passamos por uma situação de injustiça e sem direito a defesa e em nenhum momento os guardas do parque, ou a policia chilena, nos deu voz para defesa, ou tentar fazer qualquer tipo de explicação, já que tínhamos provas que não estávamos cozinhando e que nós BRASILEIROS fomos acusados sem nenhuma prova.

Estava planejando essa viagem com meus amigos a 4 meses e vi todos os planos de passar o ano novo em um lugar super lindo ir por água abaixo por um engano por injustiça.

Fico mais chateado ainda em ver brasileiros acusando e desejando o mal de outros brasileiros.

Passei os 5 dias esperado o julgamento em Puerto Natales apreensivo e lendo as notícias no Brasil e vendo o quanto somos podres e pobres de alma. Como podemos julgar e desejar o mal de pessoas sem ao menos saber o que a pessoa esta passando, e muito menos sem saber o motivo ?

Dia 5 fui julgado com meu colega aqui em Tribunal de Justiça de Puerto Natales e POR FALTA de provas e com a declaração do casal chileno escrito a próprio punho fomos inocentados.

Tenho em mãos a foto do caderno ATA do Guarda com a declaração e uma declaração do tribunal de Justiça de Puerto Natales informando minha e a inocência do meu colega.

Infelizmente alguns sites brasileiros e chilenos repassaram a história ERRADA informando que o guarda-parque (X) tinha surpreendido os dois brasileiros cozinhando.

Estou aqui perante todos que me conhecem, e todos que não me conhecem, de cara limpa e com a minha consciência limpa informando realmente o que aconteceu e dizer que em nenhum momento foi fácil passar por essa situação e todo esse constrangimento.

Mas graças a Deus foi tudo resolvido e não deixei isso abalar minha férias, agora nesse momento estou em El Chalten para continuar minhas férias, pena que o início não foi como eu planejei mas creio que Deus sabe o que faz.

Mesmo depois de todo o acontecido fiz muitas amizades com alguns guardas do parque que souberam do que aconteceu, e fui informado por uma dos guardas que tem mais temporadas no parque que logo após o ocorrido todos os guardas tiveram uma grande reunião para informar que a central só pode receber acusação com PROVAS.

Qualquer acusação ou declaração só será feito uma advertência verbal.

Desculpa algumas falta pontuação nas palavras ou falta de acentuação gráfica o teclado aqui é argentino e os atalhos são diferentes.

Atenciosamente

Marcelo Magalhães

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