Mundial de escalada esportiva no Japão determinará primeiros classificados para olimpíada

O universo da escalada esportiva mundial está em imensa expectativa para um acontecimento na semana que vem no Japão: O Campeonato Mundial de Escalada de Hachioji. O torneio classificará para as olimpíadas nada menos que sete atletas, por gênero, e acontecerá de 11 a 21 de agosto de 2019.

Vale lembrar que este torneio é uma edição extra do Campeonato Mundial, visto que o último foi realizado há um ano. Embora seja tradicionalmente realizado a cada dois anos, o Campeonato Mundial de Escalada IFSC será novamente disputado este ano, para que os atletas se prepararem para a estreia olímpica da escalada em Tóquio 2020. Classificarão para as Olimpíadas os melhores atletas classificados no combinado.

Toda a atenção das mídias especializadas, assim como dos patrocinadores, estará voltada para escaladores favoritos como a eslovena Janja Garnbret e o austríaco Jakob Schubert, além dos favoritos japoneses Tomoa Narasaki, Akiyo Noguchi e Miho Nonaka. Ao contrário de alguns esportes, os atletas em escalada esportiva qualificam por cotas individuais, e não para índice olímpico.

Como funciona a seleção de atletas

Foto: Eddie Fowke

Portanto, existem para as Olimpíadas 40 vagas no total, das quais 20 são para a categoria masculina e outros 20 para a feminina. Quanto à distribuição de vagas, das 20 destinadas a cada sexo, uma é para o país anfitrião (Japão) e outra para o que se chama de “Locais de Convocação da Comissão Tripartite”, que são lugares de convite atribuídos por esta comissão. Dessa maneira, existem de fato para serem disputadas 18 vagas para cada gênero.

A cota máxima por país ou federação nacional é de dois atletas por gênero. Portanto, a cada cota preenchida por um país, a vaga é “herdada” por um atleta de outro país que ainda não foi contemplado ou que o país não tenha sua cota esgotada.

Lembrando que todos os atletas que competem em Tóquio irão fazê-lo em todas as três disciplinas: boulder, vias guiadas e velocidade. Este formato combinado, muito criticado desde o anúncio que o esporte faria parte das olimpíadas, resultará em medalhas para quem obtiver o melhor desempenho em cada uma delas.

A primeira etapa para a corrida olímpica começa efetivamente agora, no Campeonato Mundial de Hachioji, cidade japonesa localizada na província de Tóquio a 36 km da capital. O campeonato irá premiar com a classificação os 7 melhores homens e as 7 melhores mulheres com os melhores resultados combinados das três disciplinas: boulder, vias guiadas e velocidade.

Chances de classificação para a Olimpíada

Foto: Daniel Gajda / IFSC

Após esta edição extra do Campeonato Mundial, haverá ainda seis vagas para atletas que melhor estiverem colocados nas etapas da Copa do Mundo do IFSC. Para obter este lugar, os atletas devem ter participado de pelo menos dois eventos da Copa do Mundo em cada disciplina durante o ano de 2019 e, claro, não ter se classificado para as vagas olímpicas no Campeonato Mundial.

As últimas cinco vagas restantes para cada gênero, serão distribuídas para o melhor colocado não classificado para as olimpíadas (em cada gênero) nos torneios continentais a serem disputados em 2020. As etapas classificatórias continentais são:

  • África: 1 a 3 de maio, Joanesburgo, África do Sul.
  • Ásia: 18 a 24 de maio, Morioka, Japão
  • Europa: 16 a 18 de abril, Moscou, Rússia
  • Continente Americano: 27 de fevereiro a 1º de março em Los Angeles, EUA
  • Oceania: 18 a 19 de abril, Sydney, Austrália

Atletas sul-americanos

Foto: Eddie Fowke

Assim como todos os países que participam da edição extra do Campeonato Mundial de Escalada, os países sul-americanos enviaram os atletas mais fortes de seu esporte. É consenso entre todos que acompanham as competições de escalada, que o parâmetro para saber as reais chances de ganhar uma vaga para as olimpíadas é a classificação de um atleta para as semifinais durante a Copa do Mundo de Escalada.

No que depender deste quesito, a perspectiva de classificação de um sul-americano não é muito otimista. Isso porque somente uma atleta sul-americana se classificou para as semifinais da Copa do Mundo este ano: a argentina Valentina Aguado.

Além disso, em várias outras etapas a argentina esteve muito próxima da linha de corte da classificação. Quanto aos atletas brasileiros, os resultados apresentados em 2019, embora fossem relativamente melhores que nos anos anteriores, os colocaram em um patamar muito longe de ambicionar chegar às semifinais ou para se classificar para as Olimpíadas.

Embora haja brasileiros melhor classificados entre os sul-americanos, os resultados ainda são insuficientes para grandes ambições. Especialmente quando estes resultados são comparados com atletas norte-americanos e canadenses. Para se classificar para as semifinais, ou mesmo classificar-se para as olimpíadas na edição extra do Campeonato Mundial de Hachioji, teriam de apresentar uma performance nunca antes vista na história da escalada nacional.

Embora a liga independente que administra as competições de escalada no Brasil demonstre satisfação com o volume de atletas competindo em Hachioji, os resultados a serem apresentados para sonhar com uma classificação para as Olimpíadas ainda estão muito longe do que foi apresentado até agora. Há a expectativa entre a comunidade de praticantes de escalada no Brasil, de que seja implementado um planejamento para desenvolvimento de novos talentos para que este cenário mude nas Olimpíadas de Paris 2024.

Pontuação

Foto: Eddie Fowke / IFSC

A primeira coisa a explicar para quem não está familiar com a escalada esportiva é o sistema de pontuação e classificação das competições de escalada no formato olímpico, também chamado de “combinado”. Conforme explicado acima, os escaladores competem em três disciplinas: velocidade, depois boulder e depois vias guiadas.

A pontuação geral de cada atleta determina a classificação das três disciplinas multiplicadas entre si.

No pan-americano realizado em novembro passado no Equador, muitos atletas abdicaram de uma disciplina. Isso fez com que a pontuação no formato olímpico (combinado) classificasse às finais atletas com baixo rendimento, mas que tinham pontuado nas três disciplinas. Na edição extra do Campeonato Mundial em Hachioji não haverá esta distorção, pois todos os atletas irão participar de todas as provas. Portanto, o campeonato está sendo encarado pela comunidade como o verdadeiro espelho do que irá participar em Tóquio 2020.

Por exemplo, se um escalador ficasse 4º em velocidade, 2º em boulder e 6º em vias guiadas, sua pontuação seria 48 (4 x 2 x 6). Dos 20 escaladores classificados para o formato olímpico (o qual foi testado e aprovado nos Jogos Olímpico da Juventude), a melhor pontuação possível é 1 (1ª na velocidade x 1ª em boulder x 1º em vias guiadas) e a pior pontuação possível seria 8.000 (se um escalador terminar em 20 nas três disciplinas).

Os 8 escaladores mais bem classificados avançam para as finais. Seguindo a mesma lógica a melhor pontuação é 1, e a pior é 512 (8º em todas as três disciplinas).

Onde assistir

A edição extra do Campeonato Mundial de Escalada em Hachioji será transmitido por streaming gratuito e pelo Olympic Channel.

Para a América do Sul o streaming de transmissão do evento pode ser acompanhado gratuitamente no canal do IFSC no YouTube (não há necessidade de assinatura ou aquisição de pacote premium na TV a cabo).

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