Circuito O em Torres del Paine: Guia essencial para o emblemático trekking da América do Sul

Algo ser emblemático significa, em linhas gerais, é ser um símbolo importante de representação de algum lugar ou alguma atividade. O que faz um trekking ser emblemático? Para saber, basta procurar no Google (caso você seja implicante com a plataforma de busca você pode usar o Yahoo ou Baidu) trekking junto da localidade que procura. Procure nas primeiras fotos para verificar qual é o lugar que mais se repete.

Fazendo exatamente isso (procurando trekking+América do Sul), Torres del Paine é o destino que mais aparece como destaque entre as opções existentes. Muito desta superexposição de Torres del Paine impactou no volume de pessoas que frequentam o lugar, que atualmente recebe um número impressionante de 213.859 visitantes (dados do ano de 2016). Por conta desta visitação maciça várias restrições foram implementadas pela administração do parque. O Parque Nacional Torres del Paine é um dos maiores e mais importantes do Chile, com área de 181.000 hectares (1.810 km²) é visitado por mais de 150.000 pessoas durante todo o ano. Acredita-se que uma vez realizado os circuitos de trekking o amor pela montanha é sacramentado no coração de cada pessoa.

Visitando Torres del Paine é possível realizar dois trekkings: Circuito O (também conhecido como 360°) e Circuito W. O Circuito W já foi abordado em um guia completo sobre o lugar aqui na Revista Blog de Escalada. O nome de ambos (Circuito W e Circuito O é dado ao conjunto de trilhas, que acabam formando um circuito, mais famoso existente no parque, por conta da forma que possui, e a partir dele é possível admirar as maravilhas mais destacadas do local.

O Circuito W (com 70 quilômetros aproximadamente) é o preferido dos turistas de todas as idades, e é o mais indicado para os montanhistas menos experientes, já que todo o percurso é realizado com boa infraestrutura. Para montanhistas mais experientes, o mais recomendado é que realize o Circuito O (com 120 quilômetros aproximadamente), que é considerado dos trekkings que deve constar no curriculum de todo praticante de esportes de montanha.

 

Quanto tempo é necessário?

Muito antes de estabelecer um tempo mínimo e máximo, também é importante esclarecer algo: estar em Torres del Paine é um privilégio.

Exatamente por isso que não se deve pesar em “quebrar recordes” de realização do circuito O. A principal regra para realizar o percurso de 120 km é contemplar a natureza.

Foto: http://moseractive.cl

Estima-se que para realizá-lo de maneira adequada (contemplando a paisagem e sem pressa de chegar) é um mínimo de 7 a 8 dias. Obviamente que o preparo físico do praticante de trekking é que irá fazer a diferença. Durante todo este tempo, é importante que quem planejar realizar o circuito O esteja consciente de que muitas das comodidades oferecidas no Circuito W não irão estar presentes. O Circuito O é não somente um desafio físico, mas também logístico pois ele é indicado a pessoas experientes em montanhismo.

Uma outra observação com relação ao tempo necessário para fazer o Circuito O em Torres del Paine é que o praticante deva levar a sério a dificuldade técnica do percurso. A passagem Joohn Gardner é a mais “odiada” e, ao mesmo tempo, venerada por todos que já visitaram o parque. Isso porque é a passagem mais alta (1.200 metros acima do nível do mar) do parque e que exige uma subida de desnível de 600 metros durante apenas 4 km. Logo após esta subida, há uma descida por mais quatro quilômetros.

Características do Circuito O em Torres del Paine

Foto: http://www.dialogosur.cl

A principal característica do Circuito O em Torres del Paine é a baixa presença do homem em grande parte do circuito. O circuito O é muito mais selvagem e desafiante, dando a verdadeira oportunidade do praticante de trekking fundir-se com a natureza de uma forma bem intensa. Fazendo uma comparação inevitável com o circuito W, o circuito O é um trekking raiz, enquanto o W é “nutella”.

Por esta razão é que o volume de pessoas que tentam realizar o Circuito O é muito pequeno, se comparado com o Circuito W. Por este motivo, que não cabe aqui fazer juízo de valor, o Circuito W está intensamente massificado. Por este isolamento é que o Circuito O é considerado, além de desafiante, uma experiência mais tranquila. Partes mais virgens e inóspitas de Torres del Paine podem ser contempladas como Glaciar Los Perros, Lago Dickson e a melhor vista panorâmica dos Campos Hielo Sur.

Como chegar?

Para ir para Torres del Paine, deve-se tomar um avião até o Chile e, desde a capital Santiago, realizar transbordo para outro lugar. O aeroporto mais perto do parque está localizado em Punta Arenas, que é uma cidade portuária do Chile com pouco mais de 20.000 habitantes, e está a aproximadamente 150 km do parque.

A cidade de Punta Arenas está localizada na Península de Brunswick (Punta Arenas é a única cidade por aí) e nas proximidades do Estreito de Magalhães (maior e mais importante passagem natural entre os oceanos Atlântico e Pacífico). Desde a cidade está a rodoviária que é, para muitos, o ponto de partida para o parque. A partir da rodoviária toma-se um transporte público (para o parque todos os ônibus saem da rodoviária) até a entrada do Parque Nacional Torres del Paine.

Foto: http://chile.travel

Portanto é altamente recomendavel que a passagem de ônibus deve ser comprada assim que chegar na cidade. Os ônibus para o Parque Nacional Torres del Paine, quando estão em alta temporada, saem duas vezes ao dia: 7:30 e 14:00. Para chegar ao parque o ônibus faz três paradas: Laguna Amarga, Pudeto e Administración, e a viagem é cerca de 2 a 4 horas (dependendo do clima e condições da estrada).

O local de parada deve ser escolhido de acordo com o lugar de onde irá começar o Circuito O, que a partir do mapa (cedido ao pagar a entrada) pode ser estudado. Há uma outra alternativa de chegar ao parque, que é por meio de uma agência de turismo que realiza excursões com transporte até o parque incluído. Para entrar no parque estas taxas podem ser pagas no lugar, somente em dinheiro os seguintes valores:

  • Durante a alta temporada, considerada de 1º de outubro até 30 de abril, os preços variam de R$ 100,00 para adultos (aproximadamente CHI$ 18.000) e R$ 3,00 (CHI$ 500,00) para crianças.
  • Durante a baixa temporada, considerada de 1º maio a 30 de setembro, os preços variam de R$ 60,00 para adultos (aproximadamente CHI$ 10.000) e R$ 3,00 (CHI$ 500,00) para crianças.

É possível fazer sem barracas?

Foto: http://chile.travel

Respondendo diretamente: Não. Diferentemente do Circuito W, que é possível fazê-lo dormindo em refúgios de montanha, o Circuito O não possui tanto luxo. Na parte norte de todo o Maciço Paine, onde ocupa quase todo o percurso, existe apenas um refúgio. Ou seja, durante quase oito dias caminhando, terá o privilégio de apenas um único refúgio, que mesmo assim não é garantia de encontrá-lo vazio.

Para se ter uma ideia, a distância entre o Refúgio Grey e Dickson é de 31 km. No meio deles está o Paso John Gardner, descrito acima. Portanto é necessário acampar, possivelmente com neve e tempo frio, no percurso. Portanto junto da barraca é fundamental que seja levada a comida, equipamentos de camping e vestimentas de frio dentro da mochila.

Contratação de Guia

Foto: http://chile.travel/

A contratação de um guia não é obrigatória no Parque Nacional Torres del Paine embora seja recomendavel para quem não possui experiência em trekkings. Por experiência em trekking entenda que tenha de ter realizado pelo menos uma travessia de dificuldade como a Serra Fina ou Petrópolis-Teresópolis, além de estar habituado a acampar em lugares de mínima infraestrutura de camping.

Se você está acostumado a somente acampar em praias durante o réveillon, nem tente em contratar um guia para realizar o Circuito O, é muito capaz de que irá se desentender com o guia pois não está preparado para o percurso. Para realizar o trekking, além de bom preparo físico e experiência sólida, é recomendavel ainda que tenha uma bússola ou GPS para auxiliar na leitura dos mapas.

Equipamento necessário

O equipamento abaixo está relacionado o essencial para um visitante que optar pelo camping durante a realização do Circuito O:

  • Barraca 4 estações
  • Saco de dormir de -10ºC de conforto
  • Isolante térmico (de preferência inflável)
  • Mochila de trekking com capacidade de 40 a 50 litros com capa de chuva.
  • Jaqueta de chuva respirável e resistente ao vento.
  • Calça de trekking tipo softshell (que seja resistente ao vento).
  • Segunda pele
  • Gorro de fleece
  • Luvas para trekking
  • Fleece de gramatura acima de 400
  • Botas de trekking resistentes à água e respiráveis.
  • Carregador USB pequeno
  • Headlamp
  • Canivete suíço
  • Fogareiro
  • Conjunto de panelas de camping
  • Meias para trekking
  • Bastões de trekking
  • Protetor Solar FPS 30
  • Óculos Escuros
  • Garrafas para levar água
  • Máquina fotográfica
  • Bússola e/ou GPS

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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