Pesquisa questiona a validade dos conselhos dos influenciadores fitness

Todo e qualquer praticante de esportes deve procurar orientação sobre alimentação com um nutricionista e de preparo físico com um educador físico especializado na modalidade que se quer praticar. Este procedimento, como muitos sabem, não é seguido à risca, especialmente por quem acompanha as postagens em redes sociais de influenciadores fitness. Em um mundo em que facilmente pode-se comprar seguidores para chancelar sua suposta popularidade (às vezes enganando marcas e agências de publicidade), ser influenciador fitness pode parecer um bom negócio.

Porém há um perigo oculto nisso. Um estudo da Universidade de Glasgow acompanhou nove dos mais populares influenciadores fitness do Reino Unido e descobriu que apenas um deles forneceu informações precisas e confiáveis. Embora esses resultados possam não ser surpreendentes para alguns mais céticos, eles podem significar que o feed do Instagram está repleto de informações falsas.

Os influenciadores seguidos no estudo foram verificados em pelo menos duas plataformas (com perfis verificados no Instagram e no Twitter), postavam regularmente sobre o controle de peso e tinham mais de 80.000 seguidores em pelo menos uma das plataformas estudadas. Isso equivale a um volume considerável de pessoas sendo alimentadas com informações menos precisas sobre seus corpos.

Esta não é a primeira vez em 2019 que “especialistas de redes sociais” em fitness são criticados por não fornecer os resultados anunciados. A influencer norte-americana Brittany Dawn ficou em maus lençóis em março deste ano quando seus planos de dieta personalizados e cursos de fitness que custam US$ 300 ficaram muito aquém do que prometeu aos fãs.

“Influenciadores” no universo outdoor

Foto: Andrew Bydlon / Caveman Collective

Mas a venda de planos ineficazes de fitness é apenas uma das maneiras pelas quais os influencers podem afetar suas bases de seguidores. Apesar de seus feeds estarem repletos de mensagens de amor-próprio e afirmações positivas, muitos de seus seguidores acabam desencorajados, achando difícil acompanhar as versões idealizadas de fitness e sucesso que veem nas mídias sociais. Não somente no universo fitness conselhos errôneos são divulgados, mas em trekking e escalada também.

Não raramente, candidatos a influencers no universo outdoor, promovem horários de perguntas e respostas para treinamento ao público. Na ocasião o dono do perfil sequer era educador físico. Recentemente, houve uma denúncia de um atleta divulgando seus serviços de treinador na cidade de São Paulo. O atleta não era professor de educação física mas realizava planilhas de treinamento em escalada, além de aulas de personal. O caso foi entregue ao conselho regional de Educação Física e segue sob investigação.

Entretanto, este não é um caso isolado e além de haver flagrante compra de curtidas e seguidores por parte de vários atletas candidatos a influenciadores, há também uma crescente oferta de serviços de aconselhamento e planos de treinamento por quem não é credenciado a oferecê-lo. Como atividades outdoor, como escalada e trekking, não fazem parte do mainstream de fitness, esta atividade passa despercebida por quem fiscaliza. Portanto, cabe a quem testemunhar um delito deste tipo, como pessoas não qualificadas oferecer serviços de treinamento, denunciar às autoridades e conselhos de nutrição e Educação Física.

Para saber mais sobre o estudo: https://www.eurekalert.org

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