Crítica do filme “Pura Vida”

pura-vida-the-ridge_cartel-promocional_1[1]Expedições sempre foram fonte inesgotável de realização de muitos filmes de montanha.

A conquista de um feito sempre desperta muita curiosidade do público e são produzidas obras de respeito como “Harmatan“, “K2 – Siren of Himalayas” e “Cold“.

Todos estes filmes documentando o lado humano de escaladores, fugindo do objetivo de criar heróis.

Entretanto o outro lado da moeda também existe.

Há histórias de tragédia que atiça ainda mais a curiosidade do público que fica ávido por saber algum fato que o atormentará pelo resto da semana.inaki-ochoa[1]

O espanhol “Pura Vida” é um misto dos dois: é uma história de expedição tragédia mas também sobre a paixão e motivação de escaladores.

A produção documenta a história da tentativa de resgate de Iñaki Ochoa no Annapurna e o engajamento de pesos pesados do alpinismo mundial na tentativa de resgatar o espanhol.

O Monte Annapurna fica no Himalaia e é a décima montanha mais alta do planeta mais de 8000 metros de altitude.

_SERGEI_855d2548[1]Ochoa era um alpinista conceituado e teve complicações de saúde na sua ascenção ao cume

Por conta destas complicações um resgate delicado era necessário.

Para resgatá-lo formou-se uma equipe de pesos pesados do alpinismo mundial como: os nepaleses Nima Nuru Sherpa e Mingma, os russos Horia Colibasanu e Alexei Bolotov, o suíço Ueli Steck, cazaquitanês Dennis Urubko, polonês Robert Szymzak, os romenos Alex Gavan e Mihnea Radulescu e os canadenses Don Bowie e Nancy Morin.

Seria o equivalente a todos os heróis dos vindadores (hulk, capitão américa, homem de ferro e etc) fossem resgatar algum outro personagem do mundo fantasioso da marvel comics.

A partir deste enredo o filme procura dissecar todos os detalhes da morte de Iñaki .

O detalhamento de todos os aspectos vão desde o início do incidente e é apresentado com declarações de cada um dos alpinistas da equipe.PURA VIDA IÑAKI

Junto com a descrição de cada resgatista também há espaço para que filosofem sobre os motivos de irem à montanha.

Nestas declarações estão muitos dos momentos emocionantes do filme, emq ue não analisam somente a vida de montanhista mas o esporte.

Por se preocupar em documentar tantos detalhes não tão interessantes a quem não sente paixão pelo esporte, o filme passa a sensação de lentidão.

Esta sensação se justifica pelo diretor optar por mostrar tanto o drama e tensão de ir a um resgate como também diálogos filosóficos.

Por esta escolha parece que são dois filmes distintos em paralelo.

1357331907_223266_1357332579_noticia_normal[1]O público que está acostumado a filmes de montanha e escalada conter muita ação e gritos guturais sentirá incômodo por um que procura fazer as pessoas pensar.

Questionamentos são levantados durante o filme com relação ao esporte e algumas imagens da preparação física dos russos e poloneses para a escalada são icônicos.

Mesmo tendo um ritmo lento,  “Pura Vida” tem o mérito de documentar um resgate e ao mesmo tempo enaltecer o companheirismo de escaladores.

Importante destacar que homenagens a Iñaki Ochoa foram comedidas e na medida certa e com elegância .

Tudo documentado sem colocá-lo em pedestal ou classifica-lo como herói.1363391870114[1]

“Pura Vida” é um filme a ser cultuado por praticantes de alpinismo por muito tempo devido à sua qualidade e deve ser visto até por quem não aprecia o estilo.

Entretanto seu ritmo lento pelo volume de informações a documentar tira um pouco do brilho que o filme possui deixando brecha a quem não aprecia o alpinismo.

Mesmo assim a produção é de qualidade acima da média e põe uma lupa em várias éticas, dogmas e filosofias do montanhismo.

Análise esta que poucas produções fazem tão bem quando “Pura Vida”.

Nota do Blog de Escalada:

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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