Nanga Parbat: A montanha das histórias tristes

Nanga Parbat (que significa “montanha nua” em urdu) é a nona montanha mais alta do mundo, com 8.125 m de altitude foi escalada pela primeira vez 1953 pelo alpinista austríaco, Hermann Buhl. Esta ascensão representa um dos feitos mais impressionantes na história do montanhismo mundial, porque foi a única vez na qual a primeira acensão de uma montanha acima de oito mil metros acima do nível do mar que foi realizada por um alpinista só. Ou seja, foi realizado um ataque único ao cume desde o último campo até o topo.

Localizada na zona ocidental dos Himalaias no Paquistão, é uma das montanhas mais mortíferas dos Himalaias com uma percentagem ao redor de 28% entre tentativas de acesso e acidentes mortais. Até 2009 a montanha foi escalada com sucesso 326 vezes (22 foram mulheres). Até o momento, 68 pessoas morreram.

Antes mesmo da primeira ascensão documentada, 31 pessoas já tinham morrido tentando subi-la em explorações. A primeira morte é datada de 1895, quando o alpinista britânico Albert Mummery desapareceu na vertente do Rakhiot por uma avalanche, enquanto estava fazendo o reconhecimento do local. Mummery estava acompanhado de dois sherpas que também pereceram. Esta é considerada a primeira tentativa da história a uma montanha acima de 8.000 metros de altitude.

Quase 40 anos depois, em 1934, foi a vez de uma expedição alemã fazer parte da triste estatística do Nanga Parbat. Uma tempestade inesperada atingiu a expedição, vitimando o líder da equipe Willi Merkl e mais seis sherpas. A tragédia não intimidou os alemães, que enviaram uma nova expedição em 1937, com resultados igualmente dramáticos devido a uma avalancha de neve, em que vitimou 16 alpinistas.

Nanga Parbat foi escalada pela primeira vez na história em 1953, criando uma esperança de que as mortes na montanha iriam terminar. Mas em 1962, uma outra expedição alemã atingida no cume pelo lado Diamir, vitimando o alpinista Siegfried Löw. A partir de então a fama da montanha começou a ganhar contornos míticos, considerando-a um projeto para as futuras gerações.

Foi quando em 1970, durante a escalada do cume pela Face Rupal, os irmãos Günther Messner e Reinhold tentaram subir o Nanga Parbat. Esta foi a primeira vez que a Face Rupal foi utilizada em uma escalada. Infelizmente Günther Messner morreu no final da descida pelo lado Diamir. De acordo com informações disponibilizadas por Reinhold , Günther foi acometido pelo mal da altitude e estava muito debilitado, logo não conseguiria continuar descendo. Messner disse para o irmão ir no seu ritmo e ele, que se sentia mais forte, iria buscar ajuda. Reinhold caminhou por dois dias até encontrar ajuda, mas já era tarde demais para salvar seu irmão.

Reinhold Messner foi acusado de ter deixado seu irmão para morrer, posteriormente ele foi absolvido. A história virou filme “Nanga Parbat”, que baseou-se nos escritos de Messner e em relatos de integrantes das expedições. A primeira ascensão feminina desta montanha foi em 1984, quase 100 anos depois da primeira tentativa. A conquista foi da montanhista francesa Lilliane Barrard.

Mas uma das histórias mais tristes de expedições ao Nanga Parbat não tem a montanha como protagonista. No ano de 2013, um grupo de terroristas talibãs (grupo terrorista que atua no Afeganistão e no Paquistão desde os anos 1990), vestidos como paramilitares Gilgit, mataram 10 escaladores com tiros, em um episódio que ficou conhecido como o “Massacre de Nanga Parbat”.

Dos 10 escaladores, três eram ucranianos, um lituano, dois eslovacos, dois chineses e um ásio-americano. Além deles foi morto um guia sherpa e um cozinheiro paquistanês. Os assassinos chegaram no meio da noite, surpreendendo os escaladores em suas barracas. Após rendê-los e roubarem todo o seu dinheiro, os amarraram e fuzilaram impiedosamente.

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