Tipos de rocha na escalada: Saiba porque é importante escovar o magnésio das agarras

Este artigo nos chegou graças ao nosso parceiro escaladagranada.es O artigo foi traduzido e possui bons conselhos.

O tipo de rocha determina a aderência que teremos ao escalar. Ao não escovar as agarras e cantos da superfície, possivelmente alguns locais terão de ser fechados para recuperação natural.

A aderência na rocha é um dos fatores principais que um escalador percebe ao escalar por uma via, com melhor ou pior sensações. Dependendo do estado da aderência minimizando ou aumentando o esforço de aperto para um melhor tato.

Foto: Rachel Carr Photography

Graças a Carlos, o autor deste artigo, poderemos entender e compreender os distintos tipos de rocha.

Isso nos ajudará a nos conscientizar da importância de conservar sempre em bom estado os lugares de escalada, além de minimizar a erosão que o magnésio, junto do suor, provoca na roca e que pode produzir ao longo do tempo um aumento do grau das vias de escalada pela deterioração das agarras e cantos.

Qual a importância de escovar agarras e cantos de uma via de escalada

Comecemos falando um pouco dos diferentes tipos de rocha: geralmente na Espanha, o tipo de rocha que os escaladores mais frequentam, pela qualidade quando falamos de vias, é o calcário. Esta é a rocha mais abundante no país, tanto no norte da Espanha quanto no sul.

Diferentemente da parte central, onde encontramos granito. Também podemos encontrar locai de escalada de “conglomerado” (Margalef e Montserrat), arenito (San Bartolo e Albarracín), marga (Piñar e Villanueva del Rosario), dolomito (Los Cahorros e Alfacar), quartzito (Alange e Sierra Nevada), basalto (Canarias), Filito (Sierra Nevada)…

Cada rocha possui uma composição química diferente, a qual se ajusta no momento de sua formação. Isso determina tanto o nível de porosidade como de aderência. Para saber qual a frequência deveríamos escovar agarras de escalada de uma via, segundo o tipo de rocha, é importante saber qual a capacidade de absorção de água possui a rocha. Ou seja, saber sua porosidade primária e suas diaclases (fraturas que dividem as rochas em blocos) que, no nosso caso, seria impactado pelo suor de nossas mãos com o magnésio. Outro fator, também importante, que temos de saber é o clima que pode mudar completamente a textura da rocha por conta da umidade. Portanto se temos clima muito úmidos, ou ainda muito fresco, deveríamos nos dedicar um tempo exclusivo para escovar as agarras, sobretudo quando finalizar uma via de escalada.

O ato de escovar bem as agarras neste tipo de clima é essencial para que não se forme uma crosta de magnésio junto com a umidade, somado a isso o suor de nossas mãos, que atuam anulando a porosidade e, portanto, a aderência da rocha.

Independentemente do tipo de rocha, cima, porosidade ou tio de fratura que tenha, é importante cuidar e manter seu estado original para tudo o possível e, assim, tentar deixar a rocha tal qual como encontramos. Desta maneira fazemos um grande benefício, tanto para a rocha como ao escalador que escale depois.

Tipos de rocha versus porosidade

Calcário

Este tipo de rocha é formado principalmente por uma proporção, aproximada, de 80% de carbonato de cálcio e 20% de materiais detríticos. Estas porcentagens não são fixas e podem variar de acordo com o ambiente de formação. Isso faz com que tenha uma grande porosidade, permitindo que a água passe através da rocha com grande facilidade.

O calcário é uma rocha sedimentar a qual chamamos de “rochas moles”, pois são muito suscetíveis à erosão e intemperismo. Por estas características é que na sua formação há uma grande diversidade de agarras e cantos nas vias de escalada.

Cancário em Mallorca

Devido à grande porosidade deste tipo de rocha, é muito importante a utilização da escova nas agarras, para deixa-las bem limpas depois da escalada. Geralmente quando escalamos, temos as mãos impregnadas de magnésio, o que cria uma pasta ao misturar com o suor de nossas mãos.

Esta pasta branca fica em todas as agarras, atuando como uma barreira impermeável, o que, por sua vez, acarreta na perda de aderência e, consequentemente, tapando os poros da rocha. Desta maneira impede também que quando chove, os cantos impregnados de magnésio não sequem com a rapidez habitual, devido a estes poros que estão tapados. Por causa disso, rocha molhada por mais tempo, temos de esperar mais tempo para escalar.

Marga Calcário

Este tipo de rocha é sedimentar e é formada, aproximadamente, por 60% de carbonato de cálcio e 40% de materiais detríticos. A diferença do calcário, é que este tipo de formação possui muito mais areia (material detríticos), fazendo com que seja mais mole e tenha menos porosidade.

Isso é muito importante saber, pois a rocha irá filtrar muito menos nosso suor quando escalarmos devido à menor quantidade de poros. Por isso é mais importante ainda escovar as vias em rochas deste tipo, se queremos que as agarras este não queremos que as agarras fiquem ruins.

Rocha marga calcário com superfície de caliche ou concreto

Este tipo de rocha é muito comum na parte interior das vias, porque seu ambiente de formação são as áreas mais profundas. Este tipo de ocorrência se passa em Cuenca, o qual temos na base alguns setores em contato com a marga e o calcário acima. A esta rocha é necessário adicionar uma formação importante que está presente em 90% das vezes, igualmente ao calcário. Estou falando do caliche. Este tipo de formação se dá na superfície das paredes deste tipo de morfologia.

Isso porque foi formado devido ao fluxo de água pela parede, que nos fornece grandes acumulações de carbonato e minerais de alteração. É necessário dizer que muito poucas as vezes que e escala em calcário ou marga calcário, O mais habitual é escalar sobre o caliche, que pode chegar a ter uma espessura de vários centímetros sobre a parede.

Outra formação associada a estes tipos de rocha sedimentar é o paleocarste, um termo genérico para os rasgos de carste antigos que foram fossilizados ou conservados. Este é o caso de Piñar, no setor “Castillo”.

Dolomito

Este tipo de rocha possui um processo de formação um pouco mais complexo que os anteriormente citados. Ele se forma através do calcário ou margo calcário, através de um intercâmbio de átomos de magnésio por carbonato de cálcio. neste processo também participam, em menor quantidade, pequenos átomos de enxofre. Daí o mau cheiro da rocha quando a quebramos ou atritamos com outra. Este, inclusive, é um grande indicador para definir que a rocha se trata de um dolomito.

Normalmente o dolomito não aparece sozinho, pois as paredes de calcário podem estar parcialmente dolomitizadas. Isso requer que diga que a maioria das paredes as quais aparecem esta litologia não é em sua totalidade de dolomito, senão que aparecem com calcários que foram afetados neste processo.

Dolomita de Cahorros – Lugar de escalada em Granada

Com relação à porosidade, vemos reduzido sua quantidade com respeito ao calcário, mas a vantagem é que tem o processo de dolomitização. Assim deixa bastante triturada a parede com uma rede muito densa de fissuras. Neste caso, a utilização de uma escova depois da escalada é muito importante, porque as agarras podem perder aderência com mais rapidez ainda. Somado a isso há o efeito de uma saponificação típica da própria formação.

Os benefícios desta formação é que quando chove, a água circula pela rede de fissuras muito e limpa bastante a parede. Por outro lado, há uma erosão destas mesmas fissuras que nos oferecem uma grande variedade de agarras.

Arenito

Este tipo de rocha tem origem mecânica, formada por depósitos de fragmentos de rochas preexistentes. Sua origem é ígnea, metamórfica ou inclui outras rochas sedimentares. É detrítica e bem cimentada, podendo ser sílice se contém mais de 50% de silício ou carbonatada se é mais de 50% de carbonato.

A priori se pode confundir esta rocha facilmente com o calcário, pois uma de suas características mais identificativas, segundo sua composição, é o tipo de grão que é mais grosso e pouco arredondado.

Arenito tipo Grauvaca

Vamos diferenciar somente os tipos de arenitos. Se por um lado o grauvaque, que é o resultado da consolidação dos minerais resultantes da degradação de rochas, na maioria das vezes de vulcanite básicas, xisto argiloso, sílica ou filita. Estes fazem com que partes dos materiais detríticos tenham grande quantidade de feldspatos e quartzos, dando maior dureza à rocha.

Por outro lado, temos a “arcose “, que é uma rocha fracamente compactada, de cor avermelhada, rosada ou cinza. Sua composição mineralógica é parecida com a de um granito. Entretanto os grãos são pouco arredondados e com diâmetro de 0,02 e 2 mm. A rocha se constitui de quartzo, com mais de 25% de fragmentos de feldspato de potássio nas arestas vivas, de mica e de plagioclásio em pouca quantidade de matriz de grãos finos e de cimento de quartzo ou calcita.

Arenito tipo Arcosa

Qual praticante de boulder vemos sem uma escovinha escalando? No arenito, especialmente na modalidade de boulder, uma escova é tão importante quanto um crashpad, para limpar as agarras.

Este tipo de rocha, por ter um grão mais grosso, possui maior porosidade, o que faz com que se infiltre mais magnésio. Isso é, portanto, um indicativo que é ainda mais necessário a utilização da escova.

Conglomerado e brechas

Os conglomerados se constituem de uma quantidade maior de 50% de componentes de um diâmetro superior a 2 mm. Ele possui material com grãos finos que denominamos cimento, que atua suportando os fragmentos de rocha. Os componentes ou fragmentos são arredondados, muito relevante para chamarmos de conglomerados. Se os fragmentos tiveram as bordas angulosas, passaríamos a chamar de brechas.

Esta é a diferença entre um conglomerado e brecha. Os tipos de rocha, segundo seus fragmentos, podem variar muito segundo a composição da zona de erosão subministradora. Isso quer dizer que estes tipos de rocha se formam pela erosão e transporte e massa de uma montanha a um determinado lugar.

Conglomerado de Montserrat

No momento de escalar este tipo de rocha, é muito importante não abusar do magnésio e deixar a parede bem limpa.

Isso é porque devido à química do magnésio junto da água da chuva, afeta de maneira muito agressiva a parte do cimento da rocha, que vai meteorizando e é responsável pela queda de fragmentos de rocha.

Quartzito

Este tipo de rocha está composto por 80 a 90% de quartzo e 10 a 20% de material detrítico e minerais diversos. Por isso é que possui tamanha dureza.

Estou falando de uma rocha metamórfica, cuja porosidade é muito baixa, o que significa que sua textura na hora de escalar não vai ser agradável, pois há sensação contínua de que iremos escorregar.

Local de escalada o quartzito Alange

Por isso a importância de uma agarra bem escovada em vias de escalada com esta litologia.

Geralmente não há muitos lugares de escalada em rocha em quartzito, mas assim que escalamos em uma, devemos ajudar a aderência e textura da rocha a limpando bem logo após escalar.

Filito, Xisto e Micaxisto

O caráter que define essencialmente estes tipos de rocha, está na sua marcação na estrutura paralela, que lembra muito a estratificação sedimentária. Usando uma metáfora, lembra as folhas de um livro. Comecemos falando do filito, um xisto finamente escamoso de brilho sedoso. Seus componentes essenciais são a sericita e o quartzo. Já o xisto é formado pelo metamorfismo do contato com pedras argilosas. Seus componentes principais são a mica e o quartzo.

O micaxisto é um xisto micáceo, com estrutura mais escamosa que a filita. As partículas de mica possuem um tamanho superior aos 2 mm, por isso resultam perceptíveis à vista, observando como superfície de rochas é plana.

Micaxisto em Sierra Nevada

Após uma breve explicação destes tipos de rocha metamórfica podemos ver que seu índice de porosidade é nulo. Assim nos oferece uma textura e aderência no momento de escalar ainda pior. A utilização do magnésio na prática da escalada, neste tipo de via, é praticamente desaconselhável. Isso porque não irá ter nenhuma função devido ao que não pode penetrar nos poros da rocha e dará uma sensação contínua de umidade nas mãos. No caso de utilizar magnésio, é de vital importância escovar bem as agarras e fazer questão que fiquem limpos. Isso porque o resultado de não fazê-lo é criar uma superfície ensaboada, ensaboada no momento de agarrar algo. A única coisa que pode dar um pouco de tato neste tipo de rocha é a presença sutil de algum tipo de líquen.

Granito

Continuando o assunto, passemos a outro grupo muito importante de rochas, as que são chamadas de “ígneas”. Dentro deste grupo vamos passar a falar das “plutônicas” ás que pertencem os granitos. O nome de Plutão vem da mitologia grega e quer dizer deus dos infernos, já que se formam nas camadas profundas da crosta terrestre.

Granito em placa e aderencia em Torozo

O magma penetra em grandes massas pelas partes inferiores da correnteza sólida terrestre e se solidifica ali de forma gradual, originando rochas de grãos relativamente grosso a que pertencem os granitos. No caso dos granitos, vamos ter um índice de poros extremamente baixo mas, ao contrário dos demais tipos de rocha, há boa aderência devido à textura granular da rocha. O tamanho dos grãos é determinado no momento da sua formação. Caso haja um esfriamento do magma muito rápido, vamos ter um tamanho de grão muito fino. Mas se temos um esfriamento lento, o tamanho dos grãos é maior.

Na hora de escalar este tipo de rocha, é importante escoar bem as agarras pelo fato do granito oferecer grande quantidade de cantos. Isso porque no granito reinam as vias de aderência e fendas. Se não escovarmos bem os cantos no granito, o magnésio irá ocupar os pontos ocos e buracos que existem nos diferentes grãos que compõe a rocha, terminando por perder o tato criando grandes acúmulos de magnésio.

Conclusão

Para concluir este artigo, é necessário detalhar que independentemente da composição da rocha, tipo de esfriamento, nível de porosidade, fraturarão e ambiente de formação, é necessário ter um tipo de textura que dependerá a aderência na hora de escalar.

Por isso se não cuidarmos da rocha, as escovando pelo menos no final da atividade, chegaremos a um ponto em que muitas dos lugares de escalada deverão fechar as vias e setores para que, sem exagero, a rocha se oxigene e se limpe com o tempo pelas chuvas, ar e inatividade.

Observamos nas descrições acima que é praticamente igual a importância de escovar as agarras de escalada. A comunidade de escalada é a encarregada de cuidar dos lugares.

Caso não seja nos escaladores que cuide, ninguém o fará. Por isso temos de agradecer o grande esforço que fazem os conquistadores de vias de escalada por preparar as linhas mais interessantes e ousadas para que, posteriormente, desfrutemos delas, já que é um presente da natureza.

Tradução autorizada de Escalada Granada

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Mídia digital dedicada ao mundo do esporte em geral, e mais especificamente à escalada esportiva. Com linha editorial baseada na pluralidade de opiniões e variedade de informação.

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