Entrevista com Felipe Dallorto – diretor de “No Ropes No Bolts”

Felipe DallortoA prática de DWS (deep water solo), comumente chamada no Brasil de “psicobloc”, ainda está engatinhando no que se refere a difusão e desenvolvimento.

O maior expoente, e divulgador, do esporte é o carioca Felipe Dallorto.

O escalador que também é proprietário de uma academia de escalada no Rio de Janeiro, vem procurando incansavelmente popularizar sua grande paixão: o psicobloc.

Nesta procura incansável por lugares em que a prática da modalidade seja viável, foi visitar a meca dela: Mallorca.

Esta viagem à Europa originou um filme, que irá concorrer ao Festival de Filmes de Montanha do Rio de Janeiro.

O Blog de Escalada procurou Felipe Dallorto para que ele falasse mais do projeto, e que recado teria a dar para o público que irá estar presente ao festival.

Acompanhe a entrevista abaixo:

Felipe como foi para você a realização do “No Ropes No Bolts”?

Muito trabalhoso..rsrrss é meu primeiro filme que faço na vida.

Eu sempre quis fazer um filme sobre psicobloc, no inicio a ideia era fazer no Brasil, mas depois do convite dos irmaos

Pois a idéia evoluiu e fizemos o filme em Mallorca, onde nasceu o Psicobloc.

A dificuldade na realização foi o fato de não termos conhecimento prévio do local e das vias.

Foi então “tudo em um”, num curto espaço de 15 dias tive que escalar, conhecer os lugares, escrever e tomar decisões de roteiro e de fato executar as filmagens.

Essa era a parte do psicobloc.

No inicio não iriamos sequer filmar a Inglaterra, mas chegando lá vimos que era possível repetir o processo criativo e compor melhor a história.

 

– Seu filme é o primeiro brasileiro sobre o “Psicobloc”(Conhecido como Deep Water Solo também) e filmagens aparenta ser trabalhosa. A afirmação é verdadeira?

Sim, acho na verdade, que toda filmagem de escalada é trabalhosa, mas se tratando de psicobloc é mais trabalhoso ainda, pois o escalador não usa corda.

Não da para parar de grampo em grampo para filmar certos detalhes, então para ter ângulos diferentes tivemos que escalar várias vezes a mesma via .Felipe Dallorto

Sobre filmar de cima, que sempre é o angulo mais desejado, foi dificil, até conseguimos, mas como não há proteção fixa nos setores de psicobloc tivemos que improvisar com proteções móveis e nem sempre o local era apropriado para isso, dava um certo medo de cair de uma altura de 20m com todo o equipamento na água.

As vezes tinhamos bons platos para filmar, mas isso limitava nossos ângulos , acrescentamos filmando de dentro da água.

Teve um caso especifico em que o unico platô ficava muito distante e o uso de tripé foi fundamental para conseguir trabalhar com o zoom necessário.

 

– Como foi receber a notícia de ter sido selecionado para o Festival de Filmes de Montanha do Rio de Janeiro?

Confesso que fiquei surpreso e eufórico ao mesmo tempo..rsrsrrsrs, pois colocar a cara em um dos maiores eventos de escalada do Brasil é muito comprometimento.

Admito que fiz o filme para isso, mas quando chega a hora a gente não acredita.

 

– Qual a sua expectativa com relação a premiação no festival?

Para ser sincero não tenho expectativa em ganhar alguma premiação, pois como falei, é meu primeiro filme que faço e não tenho nenhuma técnica ou formação a nivel profissional.

Minha intenção é apenas mostrar as duas modalidades; psicobloc e escalada esportiva em móvel na meca de cada uma delas, além de incentivar mais filmes brasileiros de escalada.

 

– Qual foi o equipamento utilizado para as filmagens e edição do filme?

Foram 2 máquinas digitais Canon SX130 que filmam em HD e uma goPro HD Hero.

Só tinhamos 1 tripé e alguns extensores para fazer “gruas”.

Utilizamos somente materiais rotulados “pessoais” e nao profissinais, mas isso foi proposital, já era bastante material para carregar nas trilhas e manusear.

Não dava para arriscar com material caro nestas condições, as duas canonzinhas sofreram, voltaram pro Brasil com muito sal, areia e centenas de arranhoes.

O equipamento de edição, digo a “ilha”, ficou por conta da produtora ActionBrasil.tv onde o Julio Blander editou e finalizou o filme.

 

– Após a o festival haverá venda de DVD ou divulgação na internet para quem deseja assistir seu filme?

Sim, estamos pensando em fazer um DVD e colocar disponivel para download.

 

– Quais foram as produções que inspirou você nas suas filmagens?

Acho que todas..rsrrsrs adoro filmes de escalada, sejam nacionais ou internacionais….mas falando a nível brasileiro, gosto muito dos filmes do Eliseu Frechou.

 

– Existem outros projetos que você esteja planejando ou executando?

Projetos e idéias tenho muitos, mas é dificil executá-los.

O custo é muito alto e o mercado esportivo do Brasil não apoia tais realizações.

Tenho que dar muitas aulas de escaladas para fazer um próximo filme…rsrsrrsrsrs

 

– Existe algum recado que deseja dar a quem irá assistir a seu filme no festival?

Então, acho que a mensagem vai pra quem for assisitr qualquer filme, todas as historias ali são a realização de um sonho, então acredite em você e seu potencial, não desista dos seus sonhos, realiza-os.Felipe Dallorto

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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