[EXCLUSIVO] Crítica do vídeo “The Tribe”

Não chega a ser uma regra geral, mas vídeos gratuitos até um passado bem recente era sinônimo de má qualidade.

Outro tipo de filme bastante estigmatizado por sempre cair na mesmice são os que retratavam a prática de boulder.

Portanto é bastante comumg que muitas pessoas quando convidadadas para assistir inventam desculpas para não o fazer.

O vídeo “The Tribe” contradiz tudo isso, e é talvez um dos melhores vídeos de boulder produzidos nos últimos meses, e pode ser considerada uma verdadeira lição de como se faz um filme de escalada.

Porém de tempos em tempos há filmes que mudam o jeito de ser o seu gênero, e vira referência e dita a tendência de quem vier depois disso.

“The Tribe” é uma destas produções que rompe barreiras e dita tendências

Os produtores planejaram cuidadosamente como mostrariam a região de boulderes de Boone, no estado americano da Carolina do Norte, sem cair na mesmice de imagens de escaladores vencendo desafios de boulder.

Os apreciadores do gênero adoram este tipo de filmagem, que até ganhou o apelido de “rock porn” , porém os leigos ficam entediados com o passar dos minutos.

Algumas produções do gênero parecem demorar uma eternidade para terminar.

Muito por este motivo produções de boulder de orçamento mais pomposo foram deixadas de lado.

O resultado deste tipo de característica é que a  atratividade do público foi mais para os “solos” de Alex Honnold, ou os “guinchos de harpias” de Adam Ondra.

Durante toda a execução em seus pouco mais de 17 minutos o tempo flui com rapidez por ser agradavel de assistir.

Importante também salientar que pela qualidade apresentada tudo o que é retratado é eficientemente entretenido e interessante para qualquer tipo de público.

Seguramente muito do mérito de “The Tribe” está em na maneira que foi escolhida de contar a história do lugar.

O foco principal não foram na rocha imponente opção que é o lugar comum de filmes deste gênero.

A atenção foi toda nas pessoas e as relações de amizades entre elas, e ao esporte que praticam.

As filmagens do grupo passou a sensação de que o espectador fazia parte daquele dele, e até mesmo tinha laços sentimentais com cada um.

Retratou com maestria e bonita fotografia caminhadas, brincadeiras, e conversas que seguramente desperta o sentimento de como é agradavel estar entre pessoas amigas.

Nisso é que está o grande êxito do vídeo: retratar a força, influência e importância que nossos amigos exercem em nosso prazer de escalar.

As imagens de escaladas não se limitaram somente em mostrar escaladores apertando agarras com música de fundo, e câmera desvendando os segredos de algum problema.

Há sim imagens de escalada em boulder(sem fornecer nenhum “beta” a quem se interessar a visitar o local) porém sempre com uma narração de alguém por trás detalhando não somente a escalada, e sim o sentimento que possuem pelo local.

Até mesmo as legendas para identificação da graduação dos boulders apresentados fugiram do padrão, ficando de maneira mais criativa e interessante.

O filme foi realizado pela comunidade responsável pelo “Triple Crown Bouldering”, e muitos de seus membros foram retratados no vídeo.

A trilha sonora de muito bom gosto foi escolhida, mas para figurar como pano de fundo, e não para ilustra um vídeo-clipe de escaladores.

Tudo por um motivo simples: a amizade de escaladores e a interação é que fazem prazeroso a escalada, e não somente vencer algum limite pessoal.

Com um roteiro e edição perfeitos, o vídeo é obrigarório para qualquer profissional , ou entusiasta, se inspirar e aprender outras alternativas.

The tripe por reunir qualidades tão singulares, e de uma maneira facil e simples é talvez, desde já, um clássico.

 Nota do Blog de Escalada:

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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