Crítica do filme “Honnold 3.0”

6a00d834f4a66953ef017ee3bfe2ce970d-500wiO escalador Alex Honnold alcançou certa fama e estrelato após realizar várias acenções em escalada solo pelo mundo afora.

Considerado como a sua  “casa” as paredes de todas as vias de Yosemite, Honnold é sem dúvida um escalador diferenciado dos demais.

Alex realizou uma escalada em estilo “solo” que assombrou o mundo e foi documentada em um dos melhores filmes de escalada já feitos: “Alone in the wal”.

Como sempre pode ocorrer a algum atleta que realiza um feito extraordinário, a inevitável questão de “o que virá a seguir” sempre surgirá no horizonte.MF13-FILM-Honnold_3point0-4[1]

A resposta desta questão foi estabelecida por ele e pela equipe da Sender Films.

Honnold escolheu um desafio digno de seu talento e ousadia: realizar três escaladas solo em um dia.

Conhecida por quem frequenta o parque californiano de Yosemite o “triple crown” (tríplice coroa) que consiste nas escaladas em nas rochas Monte. Watkins, “El Capitan” e “Half Dome”.

1353012946ScreenShot20121115at3.51.48PM[1]O filme “Honnold 3.0” documenta esta tentativa de escalada em solo de Alex Honnold em vias nos locais citados.

Tudo em aproximadamente 19 horas.

Um feito extraordinário já que as vias existentes nestes locais tomam mais de 24 horas cada uma para escaladores “comuns”.

Pelo proposta de desafio o filme tem ingredientes para se tornar um outro clássico como o antecessor “Alone in the Wall”.

Mas com a reciclagem de muitas imagens de arquivo, declarações ufanistas e entusiasmadas o filme fica mais perto de um “fan film” do que uma produção de escalada.

Não que Honnold não mereça que lhe “joguem confete”, mas confundir elogiar com enaltecer qualidades exacerbadamente é um erro que pode vir a enfastiar o público durante uma exibição.

Com a clara intenção em “jogar confete” em Alex Honnold o objetivo de documentar como ficou a vida do escalador após o sua escalada em solo em Yosemite foi deixada para trás.

A partir de toda rasgação de seda de amigos e editores de sites e revistas o transcorrer do filme se assemelhou muito a uma corrida em estilo 007 para o salvamento de uma vítima (o que obviamente não estava acontecendo) do que um desafio de escalada a ser vencido.

Podendo ser considerado tropeço também é que toda escalada em solo é mostrada como uma atividade corriqueira para qualquer escalador, o que não é verdade.

Próximo ao final da produção o esgotamento físico e mental o esgotamento de Alex é nítido e por isso restou alternativa aos produtores de reduzirem também o ritmo do filme.

Nesta redução de velocidade que mostra um Alex Honnold mais humano o filme ganha em profundidade e fluidez.

“Honnold 3.0” é um bom filme de escalada porém passa a forte impressão que muito desta produção foi para capitalizar com a imagem do escalador e não mais com seus projetos pessoais ou o que pensa.

O filme demonstra o esgotamento precoce da fórmula de “Alex Honnold sola via X em Y tempo” e deixa no ar que projetos futuros do escalador ,e da própria Sender Films, podem tornar-se reboot da mesma história.

Resta torcer para que seja não.

Nota do Blog de Escalada:

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