Entrevista Rebeca Werner Bastos

Fosse possível estabelecer qual o principal acontecimento do ano de 2017, seguramente o sucesso do Circuito Mantiqueira de Boulder seria sério candidato. O evento competitivo, o mais bem-sucedido no Brasil no ano passado, revelou nomes e evidenciou qual é a nova cara dos atletas que estão dispostos a competir em escalada.

A escaladora Rebeca Werner Bastos, conhecida pelo apelido de Beka, é sem dúvida nenhuma a encarnação do novo espírito que existe entre atletas que competem no Brasil. Sempre exigente com o comprimento de regulamento, mostrando personalidade forte, além de muita força e dedicação nas competições, sagrou-se vice-campeão circuito.

Beka esbanjou concentração e técnica em todas as etapas da competição e evidenciou uma nova faceta para a comunidade de atletas exigentes com a organização de eventos. A atleta fez com que o evento ficasse mais bem executado.

Por tudo isso, a Revista Blog de Escalada a procurou para uma entrevista para escutar um pouco sobre suas opiniões e reflexões a respeito da escalada brasileira.

Foto: Guilherme Taboada

Rebeca, você foi um dos destaques do Circuito Mantiqueira de Boulder. Como foi para você ficar entre as três melhores atletas?

Como amante do esporte e principalmente da modalidade boulder, sem dúvida é gratificante ver minha evolução na escalada. Fico feliz de ter conseguido completar vários desafios apresentados durante as etapas do Circuito e também de grandes amizades que fiz e que gritaram o ‘Kmon’ para me apoiar.

Receber o carinho e o feedback de amigos e atletas que me viram escalar durante todo o campeonato me trouxe muita motivação. Um dos aspectos mais importantes para mim não foi só a minha evolução mas também aprender junto com essa galera e ver que todos evoluíram dentro de suas dificuldades.

O Circuito Mantiqueira de boulder foi sucesso de público revelando vários atletas. Você saberia apontar quais foram os segredos?

O Circuito sediou eventos em academias nos estados de SP, RJ e MG. Isso facilitou a participação de vários atletas de diferentes estados. Além claro, da dedicação de todos os participantes.

O campeonato em formato de festival também é descontraído, deixando os iniciantes no esporte mais à vontade para arriscar-se numa primeira competição.

Foto: Leonel Bastos

Atualmente as competições de escalada no Brasil passam por uma crise política que se arrasta por anos. Qual a sua opinião a respeito disso?

Infelizmente a escalada brasileira só perde com essa separação. É confuso para os atletas ter dois campeonatos brasileiros da mesma modalidade no país em um ano.

Acredito que a união entre as organizações traria muitos benefícios, mas sei que ambas possuem seus motivos que ocorreram lá no passado.

Obviamente não é uma tarefa fácil dirigir uma organização.

Foto: Leonel Bastos

A escalada feminina no Brasil não teve ninguém competindo no exterior. Você conseguiria explicar o motivo?

Não acho que a questão seja exclusivamente feminina. Mesmo tendo atletas masculinos competindo esse ano no exterior, a escalada no Brasil ainda não possui grande reconhecimento. Temos muito a evoluir para atingir o nível dos atletas no exterior.

Possuímos uma quantidade limitada de academias ao redor do país, assim como treinadores e especialistas no esporte. Os custos com equipamentos e de participar de um evento no exterior também são altos.

Sendo assim, os atletas necessitam de maior reconhecimento e apoio de patrocinadores. Na minha opinião, a escalada como esporte olímpico já está começando a mudar essa realidade.

Foto: Leonel Bastos

Como é feito o seu planejamento de treinos?

Tive meu primeiro contato com a escalada em 2007, mas somente há mais ou menos 3três anos embarquei a fundo nesse mundo do esporte. Comecei a frequentar uma academia indoor tentando manter um ritmo de treino de duas vezes na semana.

Nesse mesmo período, iniciei pilates que no decorrer do tempo acabou se tornando um pilates funcional, que me ajuda com exercícios para prevenir lesões e a trabalhar pontos fracos. Pratico também corrida, ao menos duas vezes na semana.

E o mais importante, a frequência na pedra que veio com tudo em 2017.

Foto: Leonel Bastos

Para o ano de 2018 quais são os seus objetivos?

No ano de 2017 ficaram alguns projetos pendentes. Em breve gostaria de quitar essas “dívidas”.

Superando essas pendências, o maior objetivo é mandar o meu primeiro V10. Para isso, pretendo seguir com um bom volume de pedra e intensificar o treino de ‘campus’.

Espero que seja um ano repleto de cadenas!

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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