Entrevista com Neely Quinn

Costuma-se dizer que nada consegue ser mais bem sucedido do que uma boa ideia bem executada com excelência.

Fosse resumir o podcast s”TrainingBeta” sobre treinamentos de escalada de Neely Quinn, esta seria a definição mais correta : excelência.

O podcast sobre treinamentos de escalada de Neely Quinn rapidamente atingiu notoriedade e é seguramente um dos mais ouvidos da comunidade escaladora.

Neely teve ampla aceitação de vários meios de comunicação pelo mundo afora (que divulgaram seu trabalho diferenciado), assim como teve excelente receptividade com escaladores como Alex Puccio, Arno Ilgner, Hazel Findlay entre outros.

O programa, em formato de entrevista, tem duração média de 1 hora e manteve a qualidade desde o primeiro episódio.

Para saber mais desta escaladora, nutricionista e podcaster a Revista Blog de Escalada foi procurar Neely Quinn para uma entrevista e fomos prontamente atendidos.

Respondendo detalhadamente cada pergunta, e com uma educação singular, Neely Quinn presenteou com respostas diretas e sem rodeios.

Neely, você administra um website com um podcast bem interessante. O quão estressante é isso?

neely-quinn-6Bem, é, e também não é, estressante. De um lado tenho de editar, criar e publicar estes podcasts, o que é muito trabalho e eu tenho de estar pronta quando tenho de falar nas gravações.

É um pouco intimidante de estar me mostrando. 

Por outro lado, eu posso falar com meus heróis da escalada, e quem não gostaria de ter este trabalho !?

É irado falar com todos estes escaladores fantásticos, sabendo mais deles perguntando coisas que eu sempre queria perguntar.

Acho que é uma honra imensa ter este trabalho :)

2 – Todo website tem problemas com “haters” e comentários mau educados. Como você administra isso no seu site?

Honestamente, eu os ignoro.

Eu trabalhava como blogueira no http://www.paleoplan.com, e respondia a cada comentário raivoso que eu recebia. E eu recebia um monte deles.

Por alguma razão, mulheres de meia idade são terríveis enquanto troladoras (que eram normalmente quem comentava nos meus blogs).

De qualquer maneira percebi que isso estava sugando minha energia e tempo escrevendo para este povo que somente queria cuspir negatividade.

Me fazia muito mal – sendo muito estressante. Então agora quando recebemos um comentário de hater, seja no blog ou facebook, eu só deleto e ignoro.

Não vale meu tempo.

Mas devo dizer que estamos ENCANTADOS em como são gentil, bem falado e carinhosa nossa comunidade é.

Comparando escaladores com o público de http://PaleoPlan.com, meus deus, são muito melhores !

As pessoas são muito mais objetivas em geral, e quando não são somente fazem piadas. Por isso
não temos muitos haters ou comentários negativos.

Digo, estamos falando da comunidade escaladora, então todos estão interessados em aprender -não apenas dar sua opinião.

Eu amo a comunidade escaladora.

Foto : Acervo Pessoa Neely Quinn

Foto : Acervo Pessoa Neely Quinn

Como você consegue administrar tantos episódios de seu podcast que está frequentemente publicando? Você tem uma programação grande?

Bem, eu tento fazer um episódio toda a semana, mas isso não acontece sempre.

Eu não tenho um emprego “normal” fora da TrainingBeta e de meu site de nutrição (http://neelyquinn.com), então tenho uma agenda bem flexível.

Tento agendar as pessoas quando elas podem, e me programo com antecedência com os convidados para não poder fazer malabarismos com o conteúdo.

Tudo funciona e não é muito estressante. Eu somente tenho de ser mais disciplinada com o meu tempo.

Como nutricionista, na sua opinião como são os hábitos alimentares de um escalador comum? Você mudaria alguma coisa nele?

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Foto : Acervo Pessoa Neely Quinn

Simplesmente tento não ter nenhuma opinião a respeito de nenhuma dieta alimentar das pessoas.

Pode soar estranho como nutricionista, mas desde que estas pessoas são meus amigos, e definitivamente meus parceiros, não seria legal para ninguém se eu sair por aí julgando as pessoas.

No geral, entretanto, escaladores tendem a ser um grupo bem educado de pessoas.

Levam a escalada de maneira séria, e maioria ao menos se interessa em como come e os efeitos disso na saúde e na sua escalada.

O que eu gosto de ver é que mais e mais pessoas estão comendo comida de verdade nos lugares de escalada (e em geral) em vez de usarem barrinhas e outras comidas e refeições pré-embaladas.

Na minha opinião, escaladores precisam de bastante proteína, e estas barrinhas não são o suficiente.

Isso sem mencionar que não é comida suficiente.

Eu acho que ter comidas de verdade nos lugares de escalada – como as sobras de refeições em tuppeweares – é totalmente realista.

Meu marido e eu fazemos isso todas as vezes que saímos e nós vivíamos na estrada por um ano, escalando 4 dias por semana.

Então é totalmente possível.

Esta seria a maior mudança que eu faria.

A gordura corporal e peso é uma preocupação constante em escaladores. Como você observa esta obsessão ?

Eu não acho que é uma obsessão para maioria dos escaladores. Eu acho que as pessoas gostam de comer, e preferem comer e beber seus burritos e cerveja do que estar em uma dieta super restrita.

Quando as pessoas de fato ficam obsessivas é porque possuem altas metas e se comprometem a cumpri-las.

É chato, mas pode funcionar muito bem. Você em geral perde peso quando come menos.

Eu acho que existe época e lugar para isso – como pouco antes de iniciar um projeto grande.

Mas não enquanto está realizando, porque você precisa de energia em alguma hora, e não pode ficar com fome enquanto está andando morro acima e queimando calorias enquanto escala.

Então acho que quando se leva a sério sua paixão (a escalada), e possui grandes metas, às vezes você faz coisas intensas e é aceitável.

Mas durante este tempo quando não está no modo projeto e está treinando e vivendo normalmente, não há absolutamente nenhuma necessidade de estar ultra-mega-magro.

Isso pode seguramente afetar sua performance na escalada e estar mais suscetível a uma lesão.

Vamos dizer que existe uma linha tênue, e existe objetividade e inteligência da pessoa para cruzar esta linha.

Foto : Acervo Pessoa Neely Quinn

Foto : Acervo Pessoa Neely Quinn

Qual é a sua opinião a respeito de escaladores, e montanhistas, que são vegans e vegetarianos ?

Eu tenho uma coisa com o vegetarianismo, não vou negar.E é bem tendenciosa. Fui vegetariana dos 12 até os 23 anos de idade, e isso me ferrou inteira.

Eu fiquei muito doente : minha digestão, pele, humor, cabelo, visão, metabolismo, articulações…

Basicamente todas minhas partes foram negativamente afetadas pela pouca quantidade de carne na minha dieta e pelo abuso de grãos e derivados do leite.

Eu comecei a ser vegetariana porque eu não queria comer animais torturados, e não sabia que existiam animais que tinham tratamento ético na época. Se soubesse não teria começado.

Eu seria uma pessoa diferente agora por conta disso (provavelmente não seria nem nutricionista).

Acho que há muita má informação sobre os riscos de comer carne, e isso me deixa irritada.

O “China Study” é um monte de merda, e você pode ler sobre porque está disponível em http://www.rawfoodsos.com.

Me desculpe ser franca sobre isso, mas se pegar os estudos neste livro, encontrará GIGANTESCOS furos e falsa exploração.

Coisas como “Uma específica proteína no derivado do leite pode talvez contribuir para desenvolvimento do câncer, então vamos dizer às pessoas que todas as proteínas daí são ruins”.

Isso é a essência básica dele. Mas as pessoas não sabem disso, e vê este doutor gentil dizendo que comer carne é ruim para elas, e elas acreditam.

Então pode realmente danificar sua saúde se necessita de carne para viver.

Não estou dizendo que vegetarianismo é ruim, ou que que as pessoas não deveriam ter todos os tipos de vegetarianismo (pisci, ovo-lacto, etc).

Só estou dizendo que você deveria ser mais informado sobre o dano potencial a fazer em si por não comer carne e confiar em grãos pobremente processados e soja como sua fonte de proteína.

Digo, soja é um alimento muito ruim a menos que seja fermentado, e mesmo assim. Cara eu poderia falar por horas. Este é um tópico que para mim me faz esquentar.

Basicamente eu gostaria que as pessoas tomassem decisões mais bem informadas sobre algo tão importante.

Conseguir a maior quantidade de proteína de fonte animal o tanto puder (comendo peixe, ovos, derivados de leite em vez de vacas, porcos e etc). Obter a carne de fontes responsáveis fazendas locais.

Escute seu corpo e se começar alguma revolta contra sua nova dieta vegetariana.

Não continue se sua energia acabar, sua pele ficar amarelada, começar a ganhar peso, e começar a ter problemas de articulação todo o tempo.

Este são sintomas clássicos de deficiência em proteína e muitos grãos e glúten na sua dieta.

Trabalhar como nutricionista, gravar um podcast, escrever para o seu website… Você tem alguma rotina de treino também? Como é ?

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Foto : Acervo Pessoa Neely Quinn

Eu tenho uma rotina de treino, mas desde minha cirurgia no ombro em novembro último tenho ficado um tanto intermitente.

Tive alguns problemas de saúde aós minha cirurgia, então não tenho sido muito consistente.

Quando estava treinando escalava 4 dias na semana, e fazia sessões de fingerboard e campus board uma vez por semana.

Levantava pesos algumas vezes na semana, e exercícios de estabilidade de ombro
algumas vezes na semana, caminhava muito também.

Agora eu descansado muito, e apenas escalando um ou dois dias na semana enquanto recupero minha saúde.

No Brasil temos uma gigantesca quantidade de frutas e vegetas. Quando você virar para a América do Sul para experimentar nossa comida e escalada?

Eu adoraria visitar o Brasil !

Escutei falar que as pessoas mais bonitas vivem aí, certo?

Estamos pensando em ir a Cuba este ano se eu estiver vem de saúde, mas América do Sul é algo que já conversamos sobre.

Se formos, você pode nos mostrar as coisas aí!

Foto : Acervo Pessoa Neely Quinn

Foto : Acervo Pessoa Neely Quinn

Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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