Entrevista com Eric Dornelles

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Foto : Davi Fantino

Sem dúvida o estado que concentra a maior quantidade de lugares interessantes para a escalada em rocha, além de ainda ter potencial para muito mais é Minas Gerais.

Como sempre acontece por todos os lugares do mundo, existem pessoas que são a representação viva do estilo e pensamento de cada escalador.

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Foto : Gabriel Oliveira

Uma destas pessoas é Eric Dorneles, conhecido escalador mineiro que é bastante popular pela comunidade da escalada.

Para sabermos um pouco mais sobre Eric, o procuramos para uma entrevista descontraída com perguntas bem diretas.

Confira a entrevista abaixo.

Eric, hoje o estado de Minas Gerais é considerado o centro da escalada esportiva brasileira. Você concorda com esta afirmação? Porque?

Cada estado possui suas características, sua peculiaridade e belezas.

Mas sem dúvida Minas Gerais é o centro da escalada esportiva no Brasil. O estado conta com alguns dos principais picos do Brasil com diferentes formações rochosas,movimentos alucinantes e belezas naturais surpreendentes.

A comunidade em Minas vem trabalhando muito nos últimos anos, seja conquistando novas vias ou abrindo novas linhas de boulders, organizando festivais e encontros para que ocorra a troca de informações, experiências, entretenimento e divulgação da escalada.

Morar em Minas Gerais é possuir inúmeras opções de onde ir escalar.

Existem escaladas para todos os gostos e dificuldades. São tantas opções que as vezes fica difícil escolher qual será o próximo destino. Acredito que essa diversidade de estilos, só contribui para o crescimento e evolução do esporte.

Recentemente a FEMEMG começou a aceitar filiações individuais de escaladores e montanhistas. Você acredita que é uma normal evolução das federações aceitarem filiações sem burocracia? Por que?

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Foto : Carine Veiga

Claro, quanto menos burocracia, mais pessoas irão se filiar.

Quanto mais pessoas, junto as federações, mais atividades poderão ser feitas para a evolução e melhoria do esporte no país.

Muitas marcas estrangeiras começaram a atuar no Brasil nos últimos anos. Na sua opinião qual seria a postura que as marcas nacionais de produtos outdoor deveriam ter para concorrer ?

Acredito que, quando uma marca estrangeira começa a atuar em um país, este carrega um cenário positivo do esporte, afinal, uma marca só entra em um país se houver público, isso significa que a escalada no Brasil vem crescendo aos poucos e tende a evoluir cada vez mais, ao contrário de alguns anos atrás, onde o Brasil não era reconhecido no cenário mundial.

Cabe as marcas nacionais competirem de igual para igual, ou seja, produzirem seus produtos com conforto, qualidade (o que já está sendo feito, por muitas marcas) e o que mais falta é investir mais no design das peças.

O ano de 2014 teve uma explosão de encontros de escalada enquanto as competições definharam. Você acha que as duas coisas estão relacionadas?

Os encontros e festivais de escalada, em diversos picos do Brasil, já são figurinhas carimbadas no calendário nacional, tendo uma edição anual há alguns anos, principalmente alguns festivais de Boulder, como o da Pedra Rachada em Sabará, Ubatuba, Cocal entre outros.

O número de encontros vem aumentando cada vez mais em diversas cidades e estados do Brasil, o que é muito bom para incentivar as pessoas a viajarem para conhecerem novos picos, fazerem novas  amizades, conhecerem uma nova cultura e se divertirem, que é o mais importante.

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Foto : Matheus Farage

Em relação as competições, acredito que uma coisa não está relacionada com a outra.

A organização de competições requer uma outra logística, diferente dos encontros em rocha.

Para aumentar o número de competições, precisamos de pessoas dispostas a trabalharem para fazerem isso acontecer.

Muitos escaladores e até mesmo a mídia não especializada focam muito a atenção em atletas estrangeiros. Na sua opinião porque você acha que acontece este interesse?

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Foto : Gille Groenner

No Brasil existem muitos atletas que se destacam e que fazem a diferença no país, mas alguns anos atrás, esses atletas não tinham a oportunidade de divulgar esse trabalho para a comunidade, devido a carência de produtores de filmes, vídeos e fotos de qualidade e nível profissional.

Nos últimos anos, esse quadro vem mudando e hoje em dia, possuímos fotógrafos e produtores capazes de registrar esse momento especial da escalada brasileira.

Com a produção de vídeos e fotos profissionais, acredito que o foco somente em atletas estrangeiros, deva mudar, valorizando cada vez mais os atletas brasileiros.

Alguns produtores e fotógrafos que merecem destaque no Brasil são: Bruno Graciano, Murilo Vargas (100limite ), Gabriel Oliveira e Lucas Rocha ( Pedra Viva ).

Há uma discussão muito grande a respeito de se um escalador deva ou não comprar equipamentos no exterior em vez de aqui no Brasil. Qual a sua opinião a respeito disso ?

Infelizmente a realidade no Brasil, todos já conhecem.

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Foto : Chris Magalhães

Impostos altíssimos o que torna muito caro os preços dos produtos, em relação aos preços em outros países.

Acredito que cada um é livre para comprar seus equipamentos onde quiser.

 

Se a pessoa tiver a oportunidade de comprar no exterior, ótimo, caso ela não tenha e os produtos que se encontram a venda no Brasil, possam lhe servir da mesma forma e se couberem no seu “bolso”, não há problema algum em comprar aqui.

Você hoje possui algum projeto na escalada para 2014? Qual é?

Sim, sempre estou em busca de novos projetos, mas acabei de chegar de uma viagem longa e para conseguir concretizar esses novos projetos, preciso voltar a treinar e fortalecer novamente.

Enquanto isso, irei subir a pedra sem olhar letras e números, somente pensar em me divertir, escalando com minha namorada e com meus amigos.

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Foto : Cristiano Viana

Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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