Sophia Danenberg: A primeira mulher negra a subir o Monte Everest

É de conhecimento geral que a japonesa Junko Tabei foi a primeira mulher a subir o Monte Everest (8.848 m). Tabei, inclusive, teve o seu devido destaque aqui mesmo na Revista Blog de Escalada, em artigo que contou a sua biografia.

Pode parecer panfletário, especialmente para quem não vive esta realidade, mas em grande parte do mundo, o simples fato de ser mulher é um desafio muito grande. Realidades como a pouca inserção no mercado de trabalho, ter cargos e salários desiguais, encontrar poucas oportunidades, conviver com a falta de respeito, violência, assédio (moral e sexual), entre tantos outras tristes realidades fazem parte da vida das mulheres.

Apesar de muitos considerarem o montanhismo como um mundo à parte, ele faz parte da sociedade e, inevitavelmente, reflete o que existe nela. Quanto à representatividade de mulheres no montanhismo, especialmente de quando falamos de alta montanha, é notório que há pouca representatividade de mulheres.

O Monte Everest, que é considerada a montanha mais desejada para quem é praticante de alta montanha, é um exemplo de como a sociedade reflete no montanhismo. Estima-se que o total de cumes realizados no Monte Everest é de mais de 4.000 pessoas.

Segundo dados oficiais, antes de 2018, das 4.738 pessoas que escalaram o Monte Everest, 605 eram mulheres, ou seja, um total de 12%. Os registros oficiais de 2019 divulgados pelo Departamento de Turismo do Nepal mostraram que as mulheres montanhistas respondem por 76 das 375 autorizações emitidas para estrangeiros. Ou seja, um total de 20%.

Como observado em reportagens especiais aqui na Revista Blog de Escalada sobre representatividade de pessoas afrodescendentes no universo outdoor, este tipo de dado também reflete nas ascensões em alta montanha. O montanhismo possui de fato poucos afrodescendentes. Quando se trata de falar sobre mulheres afrodescendentes no topo do mundo, o número é ainda mais impressionante.

Sophia Danenberg

Sophia Danenberg foi a primeira mulher negra a escalar o Monte Everest em 19 de maio de 2006, mas poucos prestaram atenção. Foi dado um destaque mínimo à sua conquista. Ela acredita que o movimento Black Lives Matter pode ter uma imagem positiva em uma busca que às vezes fica para trás em termos de igualdade racial.

Danenberg começou sua vida profissional como especialista em tecnologias verdes para uma empresa dos EUA, antes de se ir trabalhar para a Boeing em 2009. Lá, Sophia lidera o departamento que analisa a política internacional em meio ambiente, saúde e segurança. Danenberg mantém contato com empresas e organizações globais como as Nações Unidas, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Comunidade Econômica da Ásia-Pacífico (APEC).

Às 2 da manhã de 19 de maio de 2006, Danenberg alcançou o topo do Monte Everest. Resistindo ao mau tempo durante a noite que atrasou alguns outros escaladores.

O guia Pa Nuru Sherpa e Mingma Tshiring foram os únicos escaladores a testemunhar o feito. Na época, Danenberg estava sofrendo de bronquite, nariz entupido, queimadura provocadas pelo frio nas bochechas e sua máscara de oxigênio estava entupida.

Saray Khumalo

Já para Saray Khumalo, a primeira africana negra a subir o Monte Everest, o caminho foi mais longo. Nascida na Zâmbia, Khumalo trabalha como executiva de negócios de comércio eletrônico e é mãe de dois filhos.

Antes da sua conquista em 2019, ela tentou várias vezes subir o Monte Everest. Sua primeira tentativa foi em 2014, quando foi detida após uma avalanche que matou 16 guias na encosta. Ela tentou novamente em 2015, mas foi interrompida novamente por um terremoto no Nepal. Sua última tentativa, antes do sucesso, foi em 2017, onde foi forçada a voltar por causa do tempo terrível.

Ela também é conhecida por ter atingido o cume de cinco montanhas, incluindo o Monte Kilimanjaro (5.895 m) na Tanzânia, Monte Aconcágua (6.962 m) na Argentina e o Monte Elbrus (5.642 m) na Rússia. Khumalo é embaixadora das Bibliotecas Nelson Mandela, que arrecada fundos por meio do montanhismo para apoiar vários projetos, incluindo o Lunch Box Fund e o projeto Mandela Library em Thembisa, Joanesburgo.

Mas e o Brasil?

 

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O Brasil tem como a primeira mulher no cume do Monte Everest Ana Elisa Boscarioli em 19 de maio de 2006. Logo após Boscarioli, foi Cleo Weidlich em 2010. Entretanto, ainda não houve cumes de nenhuma afrodescendente brasileira na montanha mais alta do mundo. Até hoje apenas 25 brasileiros já chegaram ao cume da montanha nepalesa, sendo apenas cinco mulheres e nenhuma delas era negra.

No caso da guia de montanha Aretha Duarte, 36 anos, a história pode ser diferente. Moradora da cidade de Campinas-SP, tem como meta ser a primeira brasileira afrodescendente a chegar ao topo do mundo. Para concretizar o sonho Aretha está usando uma estratégia um pouco diferente de grande parte dos montanhistas patrocinados: reciclar lixo.

Desde o início de Abril deste ano, a montanhista lançou o projeto #ArethaNoEverest. Pelo projeto, a montanhista já recolheu mais de 350 quilos de papel e 400 de plástico. Todos oriundos de uma fábrica de palmilhas da cidade de Campinas.

Aretha Duarte é formada em educação física e trabalha como guia de montanha profissional.

Para saber mais sobre seu projeto e em como contribuir: https://apoia.se

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