Entevista com Barbara Bombachini

Existe uma grande diferença entre tirar fotos bonitas, trabalhar como fotógrafo e ser de fato um bom fotógrafo.

Um bom fotógrafo precisa não necessariamente possuir formação formal, para bons exemplos vide grandes nomes como Sebastião Salgado e Corey Richards, entre outros.

Com talendo singular, um olhar apurado, e uma paixão visceral pela natureza a fotógrafa Barbara Bombachini se destaca-se dentre seus colegas de profissão.

Ainda iniciante em atividades como trekking e escalada, Bombachini possui um elemento fundamental para quem pratica as atividades: a vontade de se jogar de cabeça na atividade.

Para saber mais sobre Barbara, a Revista Blog de Escalada achou um espaço na agenda apertada da fotógrafa e conseguiu uma entrevista das mais simpáticas.

Bárbara, você tem se dedicado a tirar fotos de paisagens em trilhas como Torres del Paine e outras. Como surgiu este interesse?

Eu gosto muito de estar na natureza e esse contato começou bem cedo pois desde os 6 ou 7 anos de idade fui escoteira e sempre participei de vários acampamentos.

Assim aprendi desde muito cedo a me orientar no meio do mato, fazer minha própria mochila e planejar a quantidade de comida e cozinhar, além de primeiros socorros e procedimentos em casos de emergência.

Foto: Barbara Bombachini

Foto: Barbara Bombachini

Então tudo isso me trouxe experiências muito enriquecedoras em meio à natureza, desde muito cedo, que me marcaram muito e me deixaram deslumbrada por conhecer sempre novos lugares, novas trilhas, novos caminhos e a desfrutar muito estar ao ar livre.

O único momento que me sinto completamente plena é quando estou em meio à natureza e todos os desafios que nos propomos, sempre nos trazem mais superações pessoais, autoconhecimento e aprendemos a dar valor às coisas mais importantes da vida.

Nada melhor do que aquela sopa quente, no final de uma longa jornada, no frio da montanha.

E é bastante difícil não querer fotografar os lugares maravilhosos que se tem a possibilidade de conhecer, embora meu interesse pela fotografia tenha surgido antes e por outras razões.

Fazer trilhas que exigem que o fotógrafo carregue equipamento como câmera, bateria extra e tripé faz o esforço ser maior?

Com certeza!

Acaba sendo um verdadeiro fardo carregar todo o equipamento extra, que geralmente é bastante pesado e que gera muita incompreensão por parte daqueles que não ligam muito para fotografia.

Foto: Barbara Bombachini

Foto: Barbara Bombachini

Para mim é sempre recompensador e nunca me arrependo de fazer mais esforço ou de compensar o peso extra levando menos troca de roupa ou tentando eliminar ao máximo outros itens menos necessários.

Sem contar que, em longas jornadas, enquanto o peso da mochila dos outros tende a aliviar bastante conforme os alimentos são consumidos, a minha mochila geralmente muda pouco de peso.

Na sua opinião, como é trabalhar como fotógrafo no Brasil na atualidade?

Faz pouco tempo que estou trabalhando de forma autônoma novamente, já que passei um tempo fora do mercado, trabalhando fixo em uma empresa multinacional de câmeras.

Vejo que o mercado está bem pior do que anteriormente e isso é natural pelo momento econômico que estamos passando.

Foto: Barbara Bombachini

Foto: Barbara Bombachini

Tento não ser muito negativa, mas a verdade é que para mim, daqui para a frente, mesmo que a economia volte a melhorar, a competição sempre será muito acirrada e tende só a aumentar.

Sem dúvidas que quanto mais qualificação você tiver, melhor. Acredito que cada vez mais precisa-se de versatilidade.

Dentro do universo de fotógrafos há praticamente duas tribos: Nikon e Canon. Qual a sua e por que?

Embora eu tenha começado a fotografar com Nikon, eu acabei me adaptando melhor à interface e à usabilidade da Canon.

Acredito que ambas marcas estão atualmente bem equilibradas na questão de tecnologia e o que conta na escolha final é muito mais uma questão de gosto e de poder comprar a câmera que ofereça as ferramentas necessárias para fazer você chegar lá, então antes de escolher entre uma ou outra é bom avaliar quais ferramentas são fundamentais, quais lentes você precisará investir, quais os valores a serem investidos e claro, se o equipamento te satisfaz na qualidade de imagem e ISO.

Foto: Barbara Bombachini

Foto: Barbara Bombachini

Quais seriam seus conselhos para pessoas que estão com o desejo de trabalhar profissionalmente de fotógrafos?

Leia, estude, veja vídeos, assista tutoriais, pesquise, veja muitas referências, inspire-se.

Daqui do Brasil quais seriam as trilhas que planeja realizar para algum projeto fotográfico?

Ainda existem muitas trilhas que não fiz aqui no Brasil, mas dentro dos meus próximos planos estão a Travessia Petrópolis-Teresópolis e o Monte Roraima.

Também farei um curso de escalada em breve e penso em planejar novas trilhas incluindo mais escalada.

Isso seguramente abre mais possibilidades de novos caminhos e me da mais segurança durante os trajetos.

Foto: Barbara Bombachini

Foto: Barbara Bombachini

Na sua opinião, o que faz um fotógrafo ser considerado destaque na profissão?

Essa é uma pergunta bastante difícil de responder, já que varia muito para cada ramo dentro da fotografia.

Acredito que boa parte do destaque e reconhecimento de um fotógrafo venha de sua qualificação, estudo, trabalho duro, esforço, bons contatos são fundamentais, ousadia, empreendedorismo e pitadas de inovação.

Cada um tem que descobrir o que funciona para si.

Foto: Barbara Bombachini

Foto: Barbara Bombachini

Quais são os profissionais que mais inspiraram ou inspiram você? Por que?

Eu acompanho o trabalho de muita gente, tanto no Brasil, quanto fora.

Vou em muitas exposições, palestras, tudo que pintar a respeito.

Comecei a gostar de fotografia vendo fotos históricas de Ansel Adams e comecei a ver a produção nacional com trabalhos malucos como o do Eustáquio Neves, que não tem muito a ver com o tema, mas que me mostrou novas e infinitas possibilidades.

Foto: Barbara Bombachini

Foto: Barbara Bombachini

Tive o privilégio de aprender a fotografar com filme e fazer muitos experimentos em laboratório e aos poucos fui conhecendo mais e gostando mais.

No começo não pensava em levar a fotografia como uma profissão, me parecia muito distante, caro e difícil, mas depois de um mochilão desapegado de 1 ano sozinha pela América do Sul eu resolvi voltar e estudar a fundo, e a tentar levar a fotografia como profissão, fosse como fosse. Hoje em dia vejo muitos trabalhos de fotografia relacionados à arte, e essa área me chama muito atenção.

Desnecessário dizer que os fotógrafos da National Geographic são sempre fontes de inspiração e que ultimamente acompanho muito o trabalho de Jimmy Chin e Renan Ozturk, Chris Burkard, Cory Richards, Tim Kemple, muitos outros.

Aqui no Brasil sigo o trabalho de muitos incluindo Andre Dib, Alexandre Socci, Fabio Piva, Maragni, Bernardo Gimenez, entre outros de outras áreas e incluso atletas.

Tem muita gente boa nesse mundo!

Foto: Barbara Bombachini

Foto: Barbara Bombachini

Foto: Barbara Bombachini

Foto: Barbara Bombachini

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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