Entenda o que é uma “Força Fraca”

Qualquer coisa em excesso se torna o seu oposto. O bom se torna ruim, o positivo se torna negativo e as forças se tornam fraquezas. Uma força em excesso se torna uma fraqueza que nos limita.

Por exemplo, ser intuitivo ou analítico começa como uma força e se torna uma fraqueza. Eu tenho a tendência a ser mais intuitivo. Ser intuitivo é uma força que me ajuda a agir.

Eu tenho abordado a escalada dessa maneira. Isso tem me ajudado a lidar com situações de medo e realizar vias assustadoras. Vias assustadoras tipicamente têm graduações mais fáceis do que vias bem protegidas.

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Foto: http://warriorsway.com/

Em vias bem protegidas eu não consigo descobrir como melhorar minha força física e estratégia para escalá-las. Eu tendo a perder o interesse após alguns esforços. Sem consciência eu volto para as vias assustadoras de graduação mais fácil.

A força de ser intuitivo se torna uma fraqueza, pois eu me escondo no conforto do que é fácil para mim. Sendo intuitivo, eu não penso o bastante para preparar para os riscos.

Eu não tenho a disciplina para pensar em como melhorar minha força e estratégia e dedicar tempo para fazer vias difíceis.

Foto: http://soloboulder.com

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É interessante ver que uma força pode nos ajudar a realizar algo que é estressante e depois nos da um senso de conforto. Nós mudamos de usar a força para lidar com o estresse, para depender dela para ter conforto. Nós usamos a força em excesso e inconscientemente encontramos o conforto para esconder uma fraqueza.

Ser intuitivo coloca o corpo em ação; ser analítico leva a mente a pensar. Depender em demasia no corpo intuitivo nos faz pensar de menos, o que limita o processo de preparação da mente.

Depender demais da mente analítica nos faz pensar demais, o que limita o processo de ação do corpo.

Qualquer um, quando usado em excesso, nos faz ficar fora de equilíbrio. Nós precisamos balancear as tendências intuitivas e analíticas.

Se tendemos a ser mais intuitivos, precisamos ativar a mente analítica a pensar nos riscos. Se tendemos a ser mais analíticos, precisamos deixar o processo de pensamento da mente de lado, quando a preparação tiver acabado, e ativar o corpo intuitivo para agir nos riscos.

Eu preciso equilibrar minha tendência intuitiva ativando minha mente para pensar e fazer uma preparação efetiva. Isto é algo que eu tenho praticado intencionalmente nos últimos anos.

Foto: http://soloboulder.com

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Em 2011 eu entrei em uma via difícil de fenda em teto (Gilgamesh) que precisaria que minha mente analítica pensasse em como melhorar minha força física e estratégia de escalada.

Eu dediquei tempo e muitas visitas para aprender as sequências de movimentos, lugares para instalar as proteções e minhas habilidades de escalada.

Eu também preparei uma série de malhação que incluía fazer barras de entalamento de mãos para aumentar minha força de entalamento. Em maio de 2012 eu encadenei a Gilgamesh, graduada em 5.13a (9a).

Usar minha mente analítica equilibrou minha tendência intuitiva e me permitiu engajar no estresse da escalada difícil e bem protegida sem esconder no conforto das vias assustadoras de graduação mais fácil.

Consciência é importante. Depender inconscientemente de uma força é como um véu que cobre a fraqueza. Precisamos remover o véu para nos tornar conscientes de estar fora de equilíbrio.

Se não somos conscientes, nossas forças se tornarão fraquezas.

Simplesmente precisamos remover o véu e estarmos dispostos a ver.

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O livro “The Rock Warrior Way – Mental Training for Climbing” está à venda traduzido para a língua portuguesa no Brasil em: http://www.companhiadaescalada.com.br/

Tradução do original em inglês: Gabriel Veloso

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