Energia e motivação – escale para sentir-se vivo

Foto: http://warriorsway.com/

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Não escale porque faz bem para você; escale porque isso te da a sensação de estar vivo.

Esta frase nos da uma compreensão básica de motivação que precisamos para nos sustentar quando escalamos.

Nós não escalamos por causa do benefício físico e exercício mental; escalamos porque isso nos faz sentir vivos.

Nossas vidas são uma expressão de nossa energia. A motivação é essencialmente nossa energia fluindo através de nós. Nós precisamos viver nossas vidas por meio de algumas atividades que dão expressão à nossa energia.

Para muitos de nós a escalada é essa atividade. Através da escalada nossa energia pode fluir.

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Chris Sharma é alguém que parece ser motivado dessa forma. Quando fala sobre motivação, ele diz que não a força. Ele presta atenção a como ele se sente em relação à escalada. Se ele não se sente no ânimo de escalar, então ele não escala.

Se ele está com vontade de escalar boulders então ele escalará boulders. Ele não se força a escalar. Sua energia pode se expressar de maneira oportuna através da escalada.

Eu mencionei Rainer Rilke, o escritor e professor alemão, na última lição. Ele disse ao seu aluno confuso para “escrever somente se tiver que escrever”.

Sua resposta para o aluno nos instrui  a identificar qual atividade faz sentido dentreo de nós para que nossa energia possa ser expressa. Nós escrevemos somente se sentimos que temos que fazê-lo para viver uma vida plena.

Eu usei uma palavra chave nos parágrafos anteriores: sentir. Se nós determinamos nossa motivação pelo pensamento lógico, e podemos verbalizá-la, então nossa motivação tenderá a estar focada em resultados finais.

Nós somos motivados porque pensamos em atingir um grau específico ou escalada específica. Se não sabemos porque queremos escalar, somente sentimos que temos que escalar, então nossa motivação tende a estar focada em processos. Nós somos motivados pelo processo da escalada em si.

Entender a diferença entre a motivação baseada no pensamento e no sentimento é importante. A motivação baseada no pensamento e no resultado final é alcançada após uma escalada estressante. Portanto, ela é baseada no conforto.

A motivaão baseada no sentimento e no processo é alcançada durabte uma escalada estressante. Portanto, a motivação pelo processo valoriza o estresse. Nossa motivação nos move pra dentro e através da escalada estressante.

Se nós somos motivados por obter um resultado final, então nossa motivação não será tão poderosa quanto ela seria se estivéssemos motivados pelo processo da escalada em si.

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Como sabemos então quando a motivação é baseada no processo ou em resultado final? E, a motivação por resultados finais tem algum papel que nos traz benefícios?

Primeiramente, identificar resultados finais específicos nos ajuda a guiar nossas ações e a aplicação de nossa energia. Mas, o resultado final deve nos motivar primeiramente pelo desafio que ele traz, e em segundo lugar nos motivar ao alcançar o resultado final.

Esta hierarquia posiciona a motivação por processos como mais importante do que a motivação por resultados finais e permite que nossa energia se expresse completamente.

Em segundo lugar, devemos prestar atenção à nossa resistência ao estresse. Será que nós resistimos o comprometimento com uma escalada estressante por causa da atividade mental intensa com, ou será que é mais baseado no sentimento, que se origina do corpo?

A mente tende a contornar o estresse e procurar conforto.

Esta tendência se manifesta no diálogo mental intenso.

Uma parte da mente está pensando em se comprometer com o estresse a uma parte está pensando em resistir à ele.

A resistência que se origina do corpo está baseada em nossas experiências passadas e comparadas com o nível de estresse que enfrentamos agora.

Muita resistência significa que estamos indo muito além no estresse e precisamos prestar atenção à ele para tomar os riscos apropriados.

Finalmente, devemos entender que a motivação é cíclica. Mesmo quando estamos motivados pelos processos e sentimentos, não ficamos motivados o tempo todo.

Escalar vias esportiva pode parecer apropriado quando visto no contexto de risco apropriado, mas podemos não disfrutá-lo porque o fazemos há muito tempo. A vida funciona em ciclos e quando escalamos apenas vias esportivas, começamos a nos desgastar e perder outros tipos de escalada.

Se o Sharma se sente motivado para escalar boulders, então ele vai escalar boulders. Se sua motivação muda para escalar vias esportivas, então ele as escala.

Ele está prestando atenção para a natureza cíclica de sua motivação e a necessidade de sua energia se expressar.

Quando você entende sua motivação e sua energia desta forma, você aproveita mais a escalada. Você também se sentirá mais vivo porque sua energia está sendo expressada através de uma atividade que você escolheu.

Você não pode explicar porque você está motivado um dia e não no outro.

Ao invés disso, você deve prestar atenção a como sua energia está te direcionando em qualquer dia.

Dica Prática: Não se gaste

Você está perdendo sua motivação para a escalada, ou uma atividade que você escolheu fazer pela expressão de sua energia?

Considere estas questões para permitir que sua energia flua:

  • A quanto tempo você pratica a atividade?
  • Você já realizou um ciclo entre a atividade e um tempo longe dela?
  • Você se manteve em alguma atividade, tal como escalada esportiva ou de boulder, por tempo demais sem realizar outras atividades?
  • O que você se sente motivado a fazer hoje?

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Tradução do original em inglês: Gabriel Veloso

Arno Ilgner distinguiu-se como um escalador pioneiro nos anos 1970 e 80, quando as principais ascenções foram as primeiras fortes e perigosas. Essas façanhas pessoais são a base para Ilgner desenvolver o programa de treinamento físico e mental – Rock Warrior Way ®. Em 1995, após uma pesquisa aprofundada da literatura e prática de treinamento mental e as grandes tradições guerreiras, Ilgner formalizado seus métodos, fundou o Instituto Desiderata, e começou a ensinar seu programa de tempo integral. Desde então, ele tem ajudado centenas de estudantes aguçar a sua consciência, o foco de atenção, e entender seus desafios de atletismo (e de vida) dentro de uma filosofia coerente, baseada em aprendizado de tomada de risco inteligente. Ilgner considera a alegria e satisfação no esforço – a “viagem” – intimamente ligada à realização bem sucedida das metas.

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