Como saber que uma mente está focada

Nós fazemos um exercício de meditação-respiração em alguns cursos do Caminho do Guerreiro (Warriors’ Way).

A intenção do exercício é redirecionar a atenção.

O processo inclui focar a nossa atenção na atividade somática da respiração, observando quando a atenção é distraída para o pensamento, e redirecioná-la para a atenção.

Nós fazemos isso por cerca de 3 minutos.

Depois do exercício, nós perguntamos aos estudantes sobre suas observações, especialmente quantas vezes eles notaram que estavam pensando e tiveram que redirecionar sua atenção para a respiração. Nós obtemos uma variedade de respostas, variando de uma ou duas vezes, até centenas delas.

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Foto: http://warriorsway.com

Então, nós perguntamos aos estudantes: qual é o indício de ter uma mente que é focada e consciente: poucos ou muitos redirecionamentos de atenção?

Os estudantes tendem a relacionar poucos redirecionamentos de atenção com uma mente mais focada e consciente. Suas mentes lhes pregaram uma peça criando um resultado final – não ter muitos pensamentos – de forma que seus egos se sentissem satisfeitos. Seus egos relacionam ter poucos pensamentos com uma mente focada.

Na realidade, é o oposto. Se tornar mais consciente e mentalmente focado é um processo constante de perceber os diversos pensamentos sutis que a mente cria.

A primeira coisa para se lembrar ao observar a mente é entender que o seu trabalho é pensar, e que ela faz isso constantemente.

A tendência da mente de pensar constantemente dificulta manter a atenção exclusivamente focada numa atividade somática, como respirar. A atenção se distrai facilmente da respiração, voltando-se para o pensamento.

Se nós notamos poucas distrações, isso indica que a mente está limitando nossa consciência, evitando que notemos pensamentos mais sutis.

Existem diferentes níveis de pensamento: do evidente até o sutil. Na atenção evidente, nós reconhecemos distrações grandes.

Por exemplo, se estamos focados em escalar acima da proteção, numa via desafiadora, nós notamos uma distração evidente: como o medo de cair.

É preciso maior atenção para notar as diversas distrações sutis, como usar força desnecessária nas agarras, ficar elevado nas pontas dos pés, pensamentos de fracasso, desejo por sucesso, etc.

Precisamos distinguir o ato de pensar de nossa habilidade de observar a mente, para elevar a consciência.

Nós precisamos manter essa perspectiva diferente, entre o observador e a mente.

Observar a mente aumenta nossa habilidade de notar níveis mais sutis de atividade mental. Observando a mente, nós nos tornamos conscientes de nossa tendência maníaca de pensar.

Praticando exercícios de meditação, nós melhoramos nossa habilidade de observar distrações e podemos redirecionar nossa atenção mais rapidamente.

Foto: Jim Thornburg

Foto: Jim Thornburg

A lição aqui é que desenvolver a consciência é um processo constante, ao contrário de um resultado final e definitivo.

Se nós observamos somente uma ou duas distrações de atenção enquanto meditamos, então a mente nos enganou, fazendo-nos pensar que atingimos um modo Zen, com um resultado final sem nenhum pensamento.

Na verdade, a mente pensa continuamente.

Nós precisamos melhorar nossa habilidade de observar pensamentos sutis que distraem nossa atenção.

Fazer isto é um constante processo de se tornar mais consciente.

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O livro “The Rock Warrior Way – Mental Training for Climbing”está à venda em: http://www.companhiadaescalada.com.br/

Tradução do original em inglês: Gabriel Veloso

Arno Ilgner distinguiu-se como um escalador pioneiro nos anos 1970 e 80, quando as principais ascenções foram as primeiras fortes e perigosas. Essas façanhas pessoais são a base para Ilgner desenvolver o programa de treinamento físico e mental – Rock Warrior Way ®. Em 1995, após uma pesquisa aprofundada da literatura e prática de treinamento mental e as grandes tradições guerreiras, Ilgner formalizado seus métodos, fundou o Instituto Desiderata, e começou a ensinar seu programa de tempo integral. Desde então, ele tem ajudado centenas de estudantes aguçar a sua consciência, o foco de atenção, e entender seus desafios de atletismo (e de vida) dentro de uma filosofia coerente, baseada em aprendizado de tomada de risco inteligente. Ilgner considera a alegria e satisfação no esforço – a “viagem” – intimamente ligada à realização bem sucedida das metas.

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