Conheça os 10 atitudes essenciais que fazem alguém escalar melhor (ou pior)

Entre os escaladores de todo o mundo, é consenso de que, caso seja possível, exista alguma maneira de escalarem melhor, os praticantes irão buscá-la. Neste aspecto, quantidade é muito diferente de qualidade. Escalar mais (quantidade) não necessariamente faz de alguém melhor, ou pior, escalador. Há pessoas que somente escalam em um único lugar todo o ano e, por isso, em nada evoluem qualitativamente no esporte. Este é apenas um dos muitos exemplos de que escalar melhor (qualidade) é importante não somente para o esporte mas também para o espírito da pessoa.

Por isso, este artigo tem um objetivo simples: guiar interessados em melhorar qualitativamente sua experiência na escalada como um todo.

Imagem pessoal

Quanto mais alto o grau escala um atleta, maior é a sua vaidade. Este tipo de característica pode ser constatada pela avaliação pueril de várias pessoas quando atribui ao “ego” do escalador. O conceito de “Ego” é muito mais profundo do que verificar que um escalador é mais, ou menos, vaidoso que outros. A vaidade exacerbada de alguns escaladores tem uma explicação relativamente simples: o esporte possui um papel importante na vida daquela pessoa. Isso porque a imagem que ela tem de si mesma está ligada à maneira que ela se enxerga na sociedade.

Quando se destaca perante aos demais escaladores, imediatamente a sua autoimagem já o considera, por algum motivo, uma espécie de autoridade. O sentimento é de que faz parte de uma casta superior. Por isso, assim como acontece na sociedade, escaladores com a vaidade exacerbada sentem constantemente pressão intensa (que ele mesmo a cria), ansiedade e um total medo do fracasso. Este medo faz com que a pessoa procure ficar sempre na sua zona de conforto, escalando as mesmas vias e/ou visitando os mesmos lugares sempre.

Conhece uma pessoa assim? Se a resposta foi positiva, a explicação está no apego que a pessoa tem na sua autoimagem. Pois a cobrança interna faz com que ela mesma não aceite o resultado de alguma escalada, dando os famosos “chiliques” e “emburramentos”.

Pode parecer algum conselho de livro de autoajuda mas: procure escalar sem ter a necessidade de sempre fazê-lo melhor que os outros.

Amigos e inimigos

Foto: David Finch | http://www.letsbewild.com/

As pessoas à sua volta irão influir na atmosfera e, consequentemente, no seu dia de escalada. Por isso procure estar cercado de pessoas positivas. Não confunda, entretanto, pessoas positivas com os puxa-sacos e tietes. Pessoas assim, que apenas possuem o hábito de “jogar confete” em quem está escalando, apenas escondem o cinismo e inveja sob uma camada de elogios. Pessoas que estão próximos a você por algum motivo, apenas são vampiros de sua vida.

Por isso saiba identificar entre amigos e puxa-sacos. Há uma diferença muito grande entre amigos de verdade e verdadeiros (e bons) companheiros de escalada.

Zona de Conforto

Para fazer qualquer coisa melhor do que antes, é necessário superar o seu máximo. O seu limite atual é, impreterivelmente, a fronteira entre a sua zona de conforto e o mundo real. Aqueles que ficam escalando em um único lugar, inventando desculpas para qualquer conceito estabelecido na escalada, evitando de conhecer qualquer lugar novo, são pessoas que possuem um apego incomum à zona de conforto.

Apenas o que querem é interpretar um personagem à sociedade, para que assim siga vivendo uma mentira até quando ela for sustentável. Saber ter a humildade, além da força de vontade, de identificar a zona de conforto e querer superá-la é que faz alguém escalar melhor. Mesmo que seja uma dificuldade não tão alta, pois o que vale para o crescimento do ser humano é o desejo de evoluir como pessoa. Esta evolução como pessoa, e como atleta, vêm à medida que buscamos cruzar a fronteira da zona de conforto.

Avaliando os riscos

Na escalada a todo momento enfrenta-se perigos e os medos internos. Quanto mais forte deseja-se escalar, maior será o perigo a ser enfrentado. Por isso é necessário saber avaliar a periculosidade de uma escalada, além da exposição enfrentada na escalada. De nada adianta arriscar a vida, ou mesmo a integridade física, apenas para poder contar ma história divertida depois.

Para enfrentar perigos é necessário estar preparado para eles. Buscar perigo apenas porque deseja aproveitar os louros da vitória, mas sem ter significado nenhum a você como atleta é procurar morrer à toa. Procure avaliar cuidadosamente os riscos possíveis antes de cada escalada.

Confiança

Foto: Blake McCord – https://www.mountainproject.com/

Para ser bem-sucedido em qualquer esporte, é necessário confiar em si mesmo. Se acredita na sua capacidade, todas as suas conquistas irão fluir normalmente. Para ter uma boa confiança, é necessário possuir uma boa bagagem de preparação física e mental. Estar confiante é completamente diferente de achar que “nunca vai acontecer comigo”. Este tipo de pensamento pode levar ao escalador a fazer coisas estúpidas, que ocasionalmente pode concretizar-se em um acidente.

Por isso é necessário também treinar os tipos de pensamentos que possuem quando se escala. Seja na academia, seja na escalada em rocha. Saber avaliar o que é confiança e o que é mera estupidez, é importante para alguém escalar melhor.

Aprenda a visualizar uma via

Saber visualizar uma via de escalada é fundamental para que alguém saiba se está preparado para enfrentar o desafio. Muitos fazem a “leitura da via” em voz alta, como se quisessem mostrar a todos à sua volta que está lendo uma via.

Este tipo de hábito colabora para que o corpo esteja preparado para a escalada preparando a mente para o que virá durante o trajeto. O mais apropriado é ir preocupando-se com cada pedaço da escalada, sem ficar antecipando etapas.

Rituais

Todo atleta possui um ritual que realiza antes de qualquer desafio. Há quem use somente uma determinada cor de roupa íntima, outros possuem uma peça de roupa benzida, alguns beijam objetos religiosos e assim por diante. Tudo isso faz parte do ritual do atleta.

Na escalada não poderia ser diferente. O ritual faz com que a mente e corpo comecem a entrar em estado de “escalada total”. Da mesma maneira que um filme tem a sua introdução, com música e cenas que ajudam a entender o enredo, os rituais do atleta fazem o mesmo com ele. Estes rituais fazem com que as pressões externas fiquem isoladas, pois o corpo começou a entrar em um estado de pré-escalada.

Serenidade agora

Foto: https://freeman.com.mx/

Na comédia televisiva Seinfeld, um dos personagens adotou um mantra para controlar o nervosismo mental. Com as palavras “serenidade agora!”, o personagem acreditava controlar os pensamentos nervosos, ficando mais calmo. A mesma tática poderia ser usada para quem está em uma escalada: controlar o nervosismo de alguma maneira própria.

Muitos respiram fundo, balançam os braços (mesmo sem estarem cansados), alguns não conseguem e acabam por desistir na primeira dificuldade. Por isso é importante não repetir a si mesmo palavras que apenas irão fazer você desistir. Imaginar que uma via é impossível, ou que somente há uma maneira de realizar um movimento, apenas fará com que qualquer escalador desista antes mesmo de tentar.

Identifique o próprio nervosismo repetindo palavras de calma, lembrando que é possível tentar o que a via exige. Ter calma e serenidade ajuda ate mesmo escaladores fora de forma conseguirem encadenar vias de escalada que outros em melhor estado físico não conseguem.

Procure escalar

Esteja consciente de que há um dia excelente de escalada, no qual tudo irá dar certo, e um dia ruim, que tudo sairá errado. Por isso saiba aceitar este fato da vida. Portanto encare o dia de escalada como um privilégio, mesmo que não encadene nada. O melhor dia de escalada é sempre aquele que aprende algo. Seja sobre você, seja sobre alguma técnica.

O importante de ir escalar nem sempre é escalar mais forte, mas escalar melhor e sempre fazer algo diferente do que fez no dia anterior. Para ficar na rotina, escalando vias que sabe os movimentos de cor, pode tornar a prática do esporte enfadonha e monótona.

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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