A meta máxima para um novo ano : Uma mente livre para desfrutar as montanhas

Este ano, considere estabelecer a meta máxima: ter uma mente livre. Muitas vezes encontramos a mente em uma prisão mental criada por ela mesma. A prisão é confortável porque é familiar, mas não devemos morar nela. Encontrar a chave liberta a mente para ela poder ir aonde ela precisa ir, para que possamos viver vidas plenas.

Mas como achamos a chave?

Acessar o que os atletas de ponta chamam de “estado de fluidez é um exemplo de uma mente livre operando nos esportes. A fluidez também pode ocorrer quando um grupo de jazz entra em sintonia. Ou quando um samurai luta bem. O estado de fluidez é um estado que permite que a atenção “flua” de momento em momento com as situações em que estamos engajados, sem ser inibida por uma mente que resiste o que está acontecendo.

Foto : Simon Trnka

Uma parte importante de libertar a mente para que ela consiga fluir, é encontrar um caminho intermediário através da ação. Em vez de dizer um ou outro/ou, pense ambos/e. Nós vamos além das polaridades de certo/errado e bom/ruim, pensando que as situações são “certas e boas” ou “erradas e ruins”. Quando a mente está apegada ao conceito de “certo” e “bom” ela resiste a aceitação de “errado” e “errado” que está ocorrendo no momento presente. Isto distrai nossa atenção. Portanto, em vez de se apegar no “certo” e “bom” e evitar o “errado” e “ruim”, nós achamos um caminho através de ambos.

Equilibramos certo/errado. Podemos fazer algo errado, que consideramos um erro. Em vez de enxergar os erros como algo errado, nós os vemos como algo necessário para o aprendizado. Não precisamos nos identificar com os erros, criando uma autoimagem negativa. Podemos aceitar a responsabilidade pelo erro e procurar a oportunidade de aprendizado.

Nós também equilibramos bom/ruim. Podemos estar em uma situação estressante e rotula-la como ruim. Em vez de enxergar o estresse como ruim, o enxergamos como algo necessário para aprender. Vamos além do rótulo de “ruim” e ficamos curiosos para o que precisamos aprender. Ao equilibrar certo/errado e bom/ruim, nós libertamos a mente para focar no aprendizado.

O aprendizado inclui tanto o erro como o estresse, que são aspectos da experiência que tendemos a rotular como “errado” e “ruim”. Porém, ambos são necessários e inevitáveis para a melhoria. Nós trabalhamos através do estresse, cometemos erros e aprendemos com eles. Uma mente flexível encontra seu caminho através do certo/errado e bom/ruim, e se liberta de sua prisão confortável.

Foto: coresites-cdn.factorymedia.com

Por exemplo, nós fazemos um plano para a escalada, nos comprometemos e caímos. Em vez de estarmos presos ao nosso plano de estarmos certos, encontramos um caminho intermediário que nos junta à rocha. Fazemos um plano, mas o modificamos conforme formos aprendendo o que é necessário para a escalada. Podemos esperar que uma agarra seja grande e descobrir que ela é pequena quando pegarmos nela. Em vez de ficarmos presos ao plano de estar certos, modificamos a forma como usamos a agarra ou escolhemos uma diferente.

Os relacionamentos podem ser estressantes, causando muita ansiedade. Podemos talvez discutir com nossos companheiros. Podemos esperar que eles sejam amáveis conosco, mas eles nos criticam. Em vez de ficarmos presos à nossa opinião de estarmos certos, modificamos nossa abordagem. Nós os escutamos para entender suas preocupações e encontramos formas de ajudar.

Foto: coresites-cdn.factorymedia.com

O caminho intermediário não é ser inflexível e não ficar firme nos assuntos importantes para nós. Ele requer mais força mental do que estar rigidamente apegado a estar certo. Estamos todos em um constante estado de aprendizagem. Se estamos apegados rigidamente a uma forma específica de entender a realidade, nosso aprendizado fica limitado. Aceitar nossa compreensão limitada nos deixa em uma posição de permanecer curiosos nas situações que nos encontramos; assim podemos aprender. Aceitar nossas limitações é muito mais difícil do que insistir que estamos certos.

Ficamos firmes na nossa intenção de nos engajar, seja numa escalada ou num relacionamento. Nos engajamos com a rocha encontrando formas de misturar o que estamos fazendo com o que a rocha requer. Nos engajamos com os outros ao achar formas de criar um melhor entendimento entre nós. Estamos comprometidos com a firmeza de nosso engajamento.

Foto: i.dailymail.co.uk

O caminho intermediário permite que nossa atenção flua em conjunto com as situações em que estamos engajados. Seja nós e a rocha, ou nós e nossos companheiros, juntos nos tornamos maiores do que a soma das partes.

É assim que a fluidez funciona. A vida é um inteiro interdependente. Cada “coisa” conecta com outras “coisas” de tal forma que apoiam o todo quando juntos. Nós expandimos além de nossos egos individuais e nos tornamos algo maior…a vida em si, fluindo juntos naturalmente através das experiências. Fluímos juntos para criar algo maior e melhor do que podemos fazer individualmente.

Foto : Simon Trnka

A chave para libertar a mente de sua prisão confortável é o caminho intermediário. Nós damos passos na direção do que tendemos a resistir-erros e estresse- e descobrimos que não precisamos de nenhuma chave. A ação de ir adiante abre a porta da prisão por si só. Depois podemos viver vidas plenas, permitindo que a mente vá aonde ela precisa ir, para podermos permanecer conectados com o aprendizado e crescer.

Dica pratica: Ligar o botão

Você está praticando ou aplicando ? Se estiver praticando, então você deve estabelecer ciclos entre conforto e estresse, se pendurando na proteção e aprendendo sequências de escalada. Se você estiver aplicando, então você se compromete com ficar no estresse, aplicar o que você aprendeu. Decida qual você está fazendo e comprometa sua atenção inteiramente a um ou outro.

Não fique na sua zona de conforto da prática por muito tempo. Uma vez que tenha decidido que já aprendeu o bastante, então “ligue o botão” e comprometa-se em aplicar o que você aprendeu. Comprometa-se a permanecer no estresse sem fugir dele.
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O livro “The Rock Warrior Way – Mental Training for Climbing” está à venda traduzido para a língua portuguesa no Brasil em : http://www.companhiadaescalada.com.br/

Tradução do original em inglês : Gabriel Veloso

Sobre o Autor

Arno Ilgner

Arno Ilgner

Arno Ilgner distinguiu-se como um escalador pioneiro nos anos 1970 e 80, quando as principais ascenções foram as primeiras fortes e perigosas. Essas façanhas pessoais são a base para Ilgner desenvolver o programa de treinamento físico e mental – Rock Warrior Way ®. Em 1995, após uma pesquisa aprofundada da literatura e prática de treinamento mental e as grandes tradições guerreiras, Ilgner formalizado seus métodos, fundou o Instituto Desiderata, e começou a ensinar seu programa de tempo integral. Desde então, ele tem ajudado centenas de estudantes aguçar a sua consciência, o foco de atenção, e entender seus desafios de atletismo (e de vida) dentro de uma filosofia coerente, baseada em aprendizado de tomada de risco inteligente. Ilgner considera a alegria e satisfação no esforço – a “viagem” – intimamente ligada à realização bem sucedida das metas.

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