Conheça as principais montanhas mais altas do mundo e que ainda permanecem virgens

Todo montanhista raiz, seguindo definições dentre parâmetros não tão claros, sonha com realizar uma alta montanha virgem. Na primeira metade do século XX a exploração de altas montanhas, turbinadas por uma política imperialista de cada país, patrocinou grande parte das expedições a lugares até então não pisados pelo homem. Muito desta corrida criou a fama, hoje não justificada mas alimentada por jornalistas saudosistas, de escalar o Monte Everest.

Já foi debatido aqui que escalar a montanha mais alta do mundo é corriqueiramente feito por sub-celebridades e aspirantes de palestras motivacionais. Há, inclusive, “especialistas” em Monte Everest falando e divulgando falácias que, de maneira indiscutível, perpetuam muitos dos preconceitos, além de muitos clichês, a respeito do montanhismo.

Acampamento no col do Midi antes de escalar o Mont Blanc | Foto: Sergio Gomez

Mas olhando o planeta pela ótica do montanhista, há ainda alguns lugares que povoam o sonho de quem realmente gostaria de escrever o nome na história por merecimento. Por incrível que pareça, pois vivemos em um mundo com mais de seis bilhões de habitantes, ainda há lugares não pisados pelo homo sapiens.

Consequentemente, como não poderia deixar de ser diferente, povoam os sonhos de quem pratica o esporte. Os motivos desta “virgindade” são políticos e religiosos em sua maioria. Apesar de que há pessoas que acreditam que toda montanha tem de ser escalada, há antes a necessidade de saber que antes de pensar em subir uma montanha, respeitar a cultura (ou seja tanto a política quanto a religião do local) do país o qual está a montanha virgem é fundamental.

Disponibilidade de informação

Apesar de vivermos na era da abundância de informação que, pelo menos em teoria, com apenas um clique no computador já obtemos cartas cartográficas, informações de GPS e passagens aéreas para qualquer lugar, existem muitas informações topográficas de áreas remotas que datam de 50 a 60 anos atrás.

Dentro destas áreas remotas estão várias cadeias montanhosas do mundo e, consequentemente, algumas montanhas que à época nunca tinham sido escaladas e permanecessem assim até os dias de hoje.

Foto: http://www.surveywi.com

Por existir muitas informações as quais cada uma segue um tipo de referência diferente o UIAA teve de definir que o critério para definir se um local é uma montanha independente, sub-cume ou cadeia montanhosa é a proeminência.

Basicamente falando, sem entrar em aspectos técnicos, a proeminência, tal como a altitude, é o valor absoluto para uma montanha e depende unicamente do ponto mais baixo que une uma montanha com qualquer outra mais alta que ela. Quanto maior proeminência topográfica tem uma montanha, mais se destaca entre as que a rodeiam, independentemente da sua altitude.

Foto: http://dothanlandsurveying.com/

Ainda existem pelo menos quinze cumes com mais de 7.000 metros de altitude no Himalaia e Karakoram ainda virgens.

Mas a ausência de informação precisa apenas levanta discussão a respeito conceitos sobre serem montanhas independentes ou sub-cumes.

Religião e política

Conceitualmente religião é o conjunto de sistemas culturais, crenças e visões de enxergar o mundo que estabelece os símbolos que relacionam a humanidade, espiritualidade e valores morais. Somente a explicação de religião em si já e complicada pois, como não poderia deixar de ser, é um assunto delicado para quem possui uma ou não.

A partir disso entra o principal fator limitante no montanhismo: lugares sagrados. Toda religião do mundo possui lugares sagrados e as montanhas não poderiam ser deixadas de lado. Enxergue, por exemplo, um lugar sagrado como uma sede de um time de futebol.

Você consegue imaginar uma pessoa com uma camiseta de um time adversário indo à sede, sala de troféus ou o museu? Pois é mais ou menos desta maneira que pessoas religiosas enxergam montanhas sagradas sendo escaladas.

Paralelamente ligado á religião estão diversos sistemas políticos ao redor do mundo. Alguns com relações mais, outros menos, próximas da religião. Se é correto, melhor, pior, errado, interessante e absurdo não cabe a nenhum montanhista analisar.

Mas em países que possuem religião e estado confundindo-se há lugares que o montanhismo (assim como qualquer tipo de visitação) é proibido. A partir desta proibição é que está estabelecido o motivo da montanha ser virgem até hoje.

Gangkhar Puensum

O Butão é um país interior localizado no sul da Ásia, no extremo leste do Himalaia. No país estão localizadas várias montanhas que permanecem virgens até hoje.

Os picos do norte do país atingem mais de 7 000 metros de altitude, e o ponto mais elevado é  a montanha que povoa os sonhos de todos os montanhistas é Gangkhar Puensum (7.570 m). A razão para a sua “virgindade” são várias.

Foto: Flex A. Retkar | http://www.amusingplanet.com

Uma delas é que o Governo do Butão somente permitiu a escala no país no período de 1983 a 1994.  Porém, por problemas políticos e religiosos, a escalada em todas as montanhas do país foram proibidas em 2004.

O governo, uma monarquia constitucional, seguiu orientações dos líderes religiosos do budismo vajrayana (extensão do budismo maioria) a qual é seguida pela grande maioria da população.

Tongshanjiabu

Foto: https://www.takeit.to

Outra montanha que permanece virgem no Butão é o Tongshanjiabu (7.207 m) e assim como o seu “primo” butanês há pouca informação a seu respeito.

Mesmo fazendo fronteira com a China, que permite a escalada pela face voltada a seu lado, a escalada é considerada dificílima e exposta.

Muitos montanhistas declaram que a montanha é um desafio para as próximas gerações.

Monte Kailash

O Monte Kailash (6.638 m) está localizado no Tibet, região controlada pela China, e considerado o pico mais sagrado do mundo.

A montanha é importantíssima para a religião bön (antiga religião do Tibet que alega preceder o próprio budismo).

Foto: http://www.summitpost.org

Após a invasão chinesa, ocorrida no ano de 1959, o Tibet se tornou-se governada pela China ostentando o título de região antômana. O Tibet é a região mais alta do mundo, com uma altitude média de 4.900 metros.

Para demonstrar desrespeito à religião local o governo chinês permitiu em 1985 que o Monte Kailash fosse escalado e o convocado para a façanha foi Reinhold Messner. O lendario montanhista declinou do convite. Somente em 2001 os chineses repetiram o gesto, concedendo desta vez a honra para uma expedição espanhola liderada por Jesus Martinez Novas.

Habilidosamente Dalai Lama (líder oficial do governo tibetano em exílio) marcou um encontro com Novas e após uma reunião dissuadiu das tentativas de escalada. Logo após os chineses anunciaram a proibição de escalada ao Monte Kailash.

Machapuchare

Considerado o “primo” do Monte Kailash, o Machapuchare (6.993 m) que fica próximo do Annapurna (8.091 m), também é cercado de muita religiosidade pelos nepaleses.

Esta montanha, entretanto, teve várias expedições no início do século XX.

Foto: http://www.cookdandbombd.co.uk

No ano de 1957 uma expedição inglesa ficou a 50 metros do cume e, segundo afirmam os livros de história, desistiram de chegar ao cume em um gesto de respeito á religião nepalesa.

Desde então foi decretada a proibição ao cume de Machapuchare.

Labouche Kang

Também localizado no Tibet, o Labouche Kang (7.250 m) é considerado um dos mais inacessíveis em todo o solo tibetano.

Foto: http://www.jakubrybicki.pl/

Houve várias tentativas de expedições ao seu cume, algumas bem sucedidas, mas seu cume central Labouche Kang III permanece virgem.

Karjiang

Karjiang (7.221 m) fica no Tibet e próximo á fronteira com Butão nas proximidades de Gangkhar Puensum.

Foto: http://bhutanindex.com

A montanha é considerada tecnicamente difícil e exposta além de, segundo informações disponibilizadas, não possuir nenhum caminho fácil ao cume.

Kabru

Localizada na fronteira da Índia com Nepal, o Kabru possui 7.412 metros e é das poucas montanhas virgens do mundo que o motivo não é político ou religioso.

O que impede qualquer ascensão ao seu cume é que trata-se de uma crista com três cumes, sendo esta crista é uma extensão do Kangchenjunga (8.586 m) que é a terceira maior montanha do mundo.

Por isso exige uma escalada muito complexa e extensa, que demandaria muitos recursos.

Gasherbrum

O Gasherbrum (7.147 m) é um remoto conjunto de picos situado na extensão do Karakoram (cordilheira localizada na fronteira entre Paquistão, China e Índia) e possui a aproximação a um cume mais longa do mundo.

Somente para chegar ao cume, com tempo bom, é necessário dez dias. Nestes dez dias a primeira montanha somente é avistada somente depois de uma semana de aproximação.

Nao bastasse estar a um acesso tão exigente há o detalhe de estar na fronteira entre Índia e Paquistão. A região é cercada de conflitos.

Todo o conjunto do Gasherbrum possui seis cumes e o V (7.004 m) e VI (7.147 m) não foram escalados.

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