Entrevista Marcela Prada

Existem pessoas que sempre terão aquela áurea de elegância por toda a vida.

Marcela Prada é uma pessoa assim: extremamente educada, elegante e inteligente sobre todos os aspectos. Por tamanha classe, que pode ser observada tanto em sua escalada quando no seu trato com as pessoas.

Escaladora de alto nível, e corredora mais que fanática Marcela é um exemplo a se seguir, e uma grande pessoa a se admirar.165032_193676807437067_1621834496_n[1]

Conhecer a Marcela seguramente é um privilégio.

O Blog de Escalada teve a honra de conseguir uma entrevista com Marcela, leia abaixo

Marcela, como é ter de conciliar escalada em alto nível e trabalho?

527693_128348243969924_1058773548_n[1]Eu trabalho com artesanato/patchwork e tenho meu próprio negócio o que muitas vezes facilita conciliar o trabalho com o esporte.

Dá para ser flexível no trabalho e me organizar.

Também curso um MBA com aulas duas vezes por semana.

Vou encaixando minhas tarefas para sobrar tempo para treinar.

Mas, tem semanas que não da e aí, o treinamento fica para o final de semana na rocha.

Além da escalada você pratica outros esportes com a mesma dedicação?

Além da escalada, sou apaixonada pela corrida.

Tento manter um treinamento semanal intercalando a corrida com musculação, principalmente focando na prevenção de lesões.

Você mora em uma cidade que não possui ginásio de escalada. Como consegue se manter em forma?

Faço meus treinamentos de escalada em casa, pagando série de barras e um treinamento um pouco mais específico usando o Rock Rings, onde eu consigo simular movimentos em agarras menores.

Sem contar nossas idas para rocha quase todos os finais de semana que, em minha opinião, é o que mais contribui.

582210_100931636711585_254915484_n[1]

Porém, agora em Piracicaba abriu uma academia (Academia Cap10), que oferece entre várias modalidades esportivas a escalada.

Nós (Juliano e eu) já fomos até lá para conferir (risos).

Para você quais as maiores dificuldades para uma mulher começar a escalar, ou até mesmo se dedicar ao esporte?

No primeiro contato com a escalada, eu acredito que a mulher se identifica muito com 544236_105632116241537_1211718231_n[1]o esporte, através do ambiente de natureza, das caminhadas de aproximação, da superação do medo (será que eu consigo?), além de ser um desafio.

Mas, na questão da força ela encontra uma dificuldade logo de início e, com isso, muitas mulheres acabam desistindo.

Outro ponto é conciliar trabalho, estudo, casa, marido, filhos, familiares com a prática do esporte que exige das mulheres um bom jogo de cintura para tentar equalizar tudo.

Você acredita que o público feminino está em crescimento na escalada?

Sim, vejo muito mais mulheres na rocha hoje do que há sete anos quando comecei a escalar.

Elas estão cada vez mais interessadas e dedicadas ao esporte.

Tem muita mulher mandando bem por ai (risos).

O esporte tem crescido muito nos últimos tempos, como você vê este crescimento?

Esse crescimento eu atribuo a busca das pessoas por melhor qualidade de vida, ambiente saudável e a melhora e manutenção da forma física e a escalada tem um contato direto com a natureza e trabalha muito a questão do equilíbrio entre o corpo e a mente.

Mas, vale ressaltar a importância de estar fazendo um curso de escalada, com um bom profissional, para adquirir conhecimento das técnicas e procedimentos que envolvem o esporte para que não haja dúvidas e envolvimento em acidentes.

Atualmente pouquíssimos atletas brasileiros de escalada possuem patrocínio de marcas e empresas outdoor. A que você credita esta realidade?

601195_229880067150074_2137265719_n[1]Para ganhar reconhecimento e destaque é necessário que as empresas e o próprio governo brasileiro participem ativamente desse processo e sejam parceiras do esporte.

Para as empresas é uma oportunidade de divulgar a sua marca e/ou seu produto, avaliar a qualidade do produto e torná-lo conhecido com boas possibilidades de retorno, mesmo que a longo prazo.

O atleta precisa de um programa de treinamento intensivo, acompanhamento profissional, equipamentos de escalada em geral, fazer intercâmbio/viagens para diversos lugares e países e, sem dinheiro e patrocínio isso se torna muito difícil.

Como você visualiza a possibilidade de Escalada Esportiva virar esporte olímpico?

Eu vejo como um potencial de crescimento ainda maior para o esporte, com envolvimento mais comprometido do Governo e empresas, através de incentivos (patrocínio, descoberta de novos atletas, divulgação do esporte); investimentos (abertura de novos Parques de Escalada, implementação de regras de acesso, abertura e manutenção de vias, novos ginásio de escalada) e inclusão social tornando o esporte acessível a um maior número de pessoas.

Para você, hoje quais são os melhores lugares de escalada esportiva do Brasil?

Difícil citar poucos lugares…

O Brasil é imenso e tem muitos lugares que ainda não conheci e que devem ser fantásticos.

A Serra do Cipó e a Lapinha são meus lugares preferidos, praticamente foi onde eu comecei a guiar vias e me sentir mais segura nas guiadas.

A escalada em Minas despertou em mim a vontade de treinar e ficar mais forte para encarar vias de maior dificuldade.

Além, é claro, das muitas amizades que fizemos.

Que conselho você teria a dar para as mulheres que estão iniciando agora na escalada?

A escalada é incrível, te apresenta lugares fantásticos, com muita beleza natural.

A dedicação, disciplina, força de vontade e a motivação devem estar sempre presente para encarar um novo desafio…

Sejam persistentes!

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

Comente agora direto conosco

Comment moderation is enabled. Your comment may take some time to appear.