[EXCLUSIVO] Entrevista com Marcella Romanelli

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Foto: Ana Lígia Fujiwara

Quem assiste à elegância e suavidade de Marcella Romanelli sabe de imediato que se trata de uma grande escaladora.

Sempre figurinha carimbada na “Lapa do Seu Antão”, e uma das integrantes do Clube Montis de Escalada é sem dúvida merecedora do título de “gente que faz”.

Tivesse o Brasil mais escaladoras engajadas no esporte como Romanelli, o esporte sem dúvida seria muito maior do que é hoje

Acompanhada do fiel marido Felipe Belisário,  Marcella tem todo o potencial ,além de técnica de sobra, para estar na história da escalada do estado de Minas Gerais.

Por conta de tudo isso e de muito mais o Blog de Escalada a procurou para uma entrevista.

Leia abaixo:

 Marcella, você é uma das escaladoras mais forte do estado de Minas Gerais, como foi a sua dedicação para elevar a sua escalada a este nível?

Imagina, isso é um exagero seu, tem muita mineira forte, a mulherada tá apertando por aqui!

Eu gosto muito da busca pelo grau, que é natural na escalada esportiva.

Eu estaria falando mentira se dissesse que para mim o grau não é importante, porque é o que me motiva.

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Foto: Ana Ligia Fujiwara

Gosto muito de malhar as vias mais duras pra mim, de ir ao meu limite e ver a evolução acontecendo, lance a lance num projeto.

Ultimamente eu tenho tido mais tempo por isso consegui me dedicar mais, trabalhar mais o corpo e a cabeça e comecei a colher alguns frutos.

O que tem me feito muito feliz!

Você também é uma participante bem ativa do Clube Montis. O que ele representa para você?

Aqui em Minas Gerais nós estávamos acostumados a ouvir opiniões de escaladores mais conservadores que tinham dificuldades em aceitar a evolução do esporte.

Acreditavam que não havia como educar os escaladores.

Foto: Rafael Rodrigues

Foto: Rafael Rodrigues

Nós pensávamos o contrário: que o crescimento era inevitável e desejado e deveria acontecer de forma consciente.

Com o início das conquistas esportivas na “Lapa do Seu Antão” percebemos que deveríamos participar mais ativamente, colocar em prática as nossas ideias e nos tornamos responsáveis por gerir a área.

Foi aí que nasceu o Clube Montis, com um apoio massivo dos escaladores esportivos.

Eu participo da equipe gestora do Clube desde a sua fundação como vice-presidente.

Me dedico, dentre outras funções, à gestão da Lapa.

Cuido como se fosse o jardim da minha casa, tenho ciúmes da Lapa… rsrs.

O trabalho dentro do Clube é a realização de um sonho, tenho a chance de ver pessoas preocupadas com o uso consciente do espaço e fico muito feliz em ver que a ideia está sendo replicada aqui e em vários picos no Brasil.

Você possui algum projeto ambicioso de escalada para este ano?

A principal meta que eu tinha traçado para este ano já aconteceu: era estrear no nono grau.

Foto: Ana Ligia Fugiwara

Foto: Ana Ligia Fugiwara

Agora estou com alguns projetos, um deles é um pouco ambicioso sim.

É uma via lá do Antão, bastante técnica e que exige muita força em monodedos.

Está um pouco além dos meus limites, por isso vou alternando uns “pegas” nessa via com outras mais “reais”, até pra não me machucar.

Mas é bom ter um projeto ambicioso, eu gosto!

Você também participou em um dos filmes de escalada mais aguardados de 2013(Elas na Pedra), como foi a experiência?

Foi uma honra receber este convite.

Eu fiquei um pouco assustada no início porque não acho que tenho muito a mostrar da minha escalada.

Nunca me destaquei no esporte mas eu entendi depois que o objetivo do filme era mostrar as meninas normais, simplesmente apaixonadas pela escalada.

Foto: Felipe Belisário

Foto: Felipe Belisário

A produção das minhas imagens me proporcionou dias intensos de escalada, um vai e volta sem fim numa via que eu adoro, e isso foi muito divertido e muito legal pra mim.

Você possui uma rotina de treinamentos rígida? qual é?

Há alguns meses eu comecei a treinar com um pouco mais de frequência, em casa mesmo, com barra, finger e alguns outros exercícios.

Eu deveria treinar mais, mas eu detesto e sou muito preguiçosa.

A minha sorte é que estou conseguindo escalar com frequência na rocha.

Eu tenho trabalhado de forma menos intensa nos últimos tempos, moro muito perto do calcário e tenho um marido muito parceiro, por isso conseguimos seguir uma rotina de muita escalada.

Seguramente o estado de Minas Gerais é um paraíso para a escalada esportiva, porém você possui planos de fazer um tour de escalada pelo Brasil?

Pois é, isso aqui realmente é um paraíso.

Eu gosto muito de viajar, mas não ligo de viajar para o Cipó não… rsrs.

É brincadeira…

Estamos planejando algumas viagens pelo Brasil sim, Corupá, São Bento, Araxá, Itaqueri, Caxias, Itatim, MOC, vários lugares pra onde queremos ir, mas realmente temos saído pouco.

As “trips” estão nos planos, mas os projetos por aqui são muitos, não podemos reclamar.

Muitos escaladores não possuem patrocínio de marcas e empresas de escalada. A que você atribui esta triste realidade?

Isso acontece e não é só com a escalada.

Foto: Eduardo Barão

Foto: Eduardo Barão

Exceto o futebol, poucos esportes no Brasil tem o incentivo de marcas e da mídia, que eu acho que leva sua parcela de culpa nisso tudo também.

Eu acho que a solução para este problema está longe, muitas marcas nem são brasileiras e estão chegando oficialmente aqui só agora, outras nem chegaram.

Por outro lado, penso também que muitos atletas gostariam de viver do esporte, mas poucos são sérios e agem com uma postura profissional para isto.

Ultimamente vêm aumentado significativamente o número de acidentes com escaladores. Você tem alguma teoria para este crescimento?

Vejo muitas situações onde um escalador leva alguns amigos para conhecer a escalada.

Eu mesma já fiz isso e acho muito saudavel.

O problema é que quando este amigo gosta do esporte ele deve fazer um curso, e isto raramente acontece.

Várias vezes vimos freios montados errados e escaladores se colocando em situações de risco, muitas vezes por não saberem o que estão fazendo mesmo!

O curso é imprescindível!

Outro ponto muito sério é a desatenção, as pessoas conversam muito e se distraem com facilidade, isso é um perigo!

O número de mulheres aumentou significativamente na escalada no Brasil, que mensagem você teria para as mulheres que estão começando?

Foto: Ana Lígia Fujiwara

Foto: Ana Lígia Fujiwara

A minha mensagem vai para as medrosas, como eu.

Não tenha vergonha, aprenda a conviver com o medo.

Vá com calma, procure se divertir e não se afetar com as cobranças alheias!

Eu aprendi isso depois de muito sofrimento, então eu comecei a desenvolver as minhas estratégias para conseguir mandar meus projetos: coloco costuras longas em partes mais adrenantes, roubo os lances para conhecer a via, etc.

Às vezes preciso de várias entradas em uma via para me acostumar com o medo dela, com alguma costurada, ou com alguma vaca, mas não me envergonho disso.

Vamo que vamo!

Quais são as mulheres escaladoras que você se espelha para ir lapidando a sua escalada?

Depende da fase, ultimamente tenho gostado muito de ver as meninas que estão com

Foto: Ana Lígia Fuijiwara

Foto: Ana Lígia Fuijiwara

eçando aqui em Minas, muitas delas escalam com muita naturalidade, é muito legal de ver!

Procuro aprender com elas!

Gostaria muito de agradecer ao http://blogdescalada.com pela oportunidade de contar um pouquinho da minha história, quero incentivar as pessoas a trabalhar mais ativamente em prol do nosso esporte!

A escalada precisa da colaboração de todos pra crescer de forma consciente.

Não basta só não fazer o mal, é preciso fazer o bem!

Quero agradecer a equipe Montis, por toda a dedicação destes anos de trabalho e ao apoio da recém criada Equipe Montis de Conquista e à Rokaz pela parceria.

Queria convidar a todos para conhecerem meu blog, onde conto de forma bastante descontraída sobre o que acontece por perto de mim: www.escaladalivre.com.br

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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