Entrevista com Caroline Sinno

Existe um antigo ditado que em nos menores frascos estão os melhores perfumes (e os venenos mais fortes).

Fosse uma verdade incontestável, a pequena Caroline Sinno se encaixaria perfeitamente nesta descrição.

Mesmo sendo uma escaladora com “apenas” 1,58m e 43kg já realizou muito mais que várias pessoas com mais altura que ela.

Já tendo estrelado algumas webséries, e sendo a principal embaixadora de um bálsamo para escaladores Sinno é uma das escaladoras mais forte da Europa, e faz por onde merecer todos os adjetivos.

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Fotos: Acervo pessoal Caroline Sinno

A atleta de olhos verdes de tons claros tem preferência por praticar boulders, e durante as negociações para realizar a entrevista deixou claro a sua intenção de visitar Cocalzinho-GO para se divertir nas linhas abertas por lá.

Caroline Sinno concedeu uma entrevista exclusiva à Revista Blog de Escalada e nos presenteou com simpatia e graça em cada resposta cedida.

Caroline, você é patrocinada pela 5.10 e Crimp OPil. Como você conseguiu?

Eu também sou patrocinada pela Beal, Snap Climbing (os melhores crash pads que existem), 3rd Rock (roupas de escalada bem legais que se ajustam perfeitamente no corpo da mulher) e Climbing Family (comunidade que ajuda atletas a se promover).

Sou muito grata por ter o melhor equipamento de escalada e me permitir a testar novos modelos como a nova Five Ten “Hi Angles” ou a corda super fina “Opera” da Beal.

No Brasil temos um dos cinco melhores lugares do mundo para a escalada em boulder (Cocalzinho-GO). Você tem planos para visitar e conhecer este e outros lugares de escalada?

Com certeza eu adoraria visitar o Brasil e ir para Cocalzinho.

Este lugar parece ser inacreditável.

Posso ir fazer um tour?

Você é mais conhecida por ser boulderista. Porque a paixão por este estilo de escalada?

Escalar boulder é minha paixão, mas eu também amo todos os estilos de escalada.

Eu gosto de escalada esportiva em locias de calcário no sul da França e escalo vias de várias cordadas lá.

Até mesmo coloco equipamentos móveis!!!

Mas sim, boulder é meu estilo favorito porque é mais social e divertido estar com meus amigos e compartilhar informações e passar bom tempo juntos.

Também é mais simples, você tem apenas suas sapatilhas, um pouco de magnésio e crashpad como seus equipamentos.

Além de ser mais puro, escalar boulder é a essência da escalada, a dedicação ao movimento simples e difícil.

É como, em essência, pintar um quadro.

Foto: Eddie Fowke

Foto: Eddie Fowke

Voce também faz algum tipo de treinamento complementar como CrossFit ou Pilates? Qual?

Não, eu não faço nenhum treinamento complementar, com exceção de esquiar no inverno.

Eu treino, mas faço treinos específicos de escalada como sessões de fingerboard e tensão corporal.

Eu acredito que a tensão corporal é a parte do corpo mais importante para treinar, além de força nos dedos.

Além disso escalada esportiva é muito bom para treinar para boulder.

Acho que realmente ajuda bastante mudar de boulder para escalada esportiva de tempos em tempos

Foto: Stephan Denys

Foto: Stephan Denys

Como seus pais e amigos apoiam seu estilo de vida de escaladora?

Minha família me “forçou” a terminar os estudos antes de me dedicar à minha paixão de viajar o mundo para escalar (tenho duas graduações: Engenharia de Materiais e Marketing).

Eu acho que eles estavam certos, afinal é mandatório ter educação.

É importante saber fazer mais de uma coisa.

Infelizmente você não pode escalar todo o tempo, e eu quero ser produtiva na minha vida fora da escalada.

O ano de 2014 está quase acabando. Quais as conquistas você destacaria na sua vida neste ano?

No ano passado eu estava em Bishop (local de escalada nos EUA). Fiz uma viagem de 2 meses pelos EUA.

Primeiro fui para o sul em Chattanooga, depois para Hueco Tanks onde eu escalei meu segundo V12 chamado “Barefoot on Sacred Ground”, depois visitei algumas áreas de escamada próximas a Nova York (Bradley, Ice Ponds, Great Barrington), então fui para Bishop e Red Rocks.

Finalizando fui para o Colorado mas estava muito frio para escalar. Esta viagem foi uma experiência memorável para mim.

Então voltei para casa. Eu moro em Paris e é muito próximo a Fontainebleau.

Tive uma boa temporada lá. Procurei escalar um dos “big 5” (famosa série dos 5 boulders mais fortes da área chamados de ‘Rempart’) batizados de Big Golden.

Foram linhas muito difíceis para mim e eu tive de ser criativa para encontrar novos “betas” para o crux.

Fiquei muito feliz de tê-lo escalado.

Depois voltei para os EUA em Março para mais um mês e fui para o “Joe´s Valley” em Utah desta vez.

A rocha é muito similar a Fontainebleau aí. Um granito muito suave e cinza.

Foto: Neil Hart

Foto: Neil Hart

Me diverti muito.

Depois visitei o campeonato de boulder no final de junho no maior evento outdoor chamado Natural Games.

Foto: Jannovak Photography

Foto: Jannovak Photography

Lá existem vários esportes representados como Kayak, paragliding e BMX, além de concertos ao ar livre no final do dia.

Foi uma experiência bem legal.

A multidão era enorme (mais de 5000 visitantes em um dia)!!

Você tem algum projeto para 2015?

Tenho um monte de projetos para o próximo ano, é difícil escolher um, então decidi escolher um em cada estilo de escalada:

– Boulder: gostaria de escalar na Suíça em Branson, no boulde chamado “Feux d’Azeroth”(8A+) aberto pelo meu ídolo Fred Nichole, o qual é pioneiro em bouldering. Ele abriu boulders irados ao redor do mundo e encadenou um 8B+ dez anos antes de qualquer um.

– Estilo Alpino:  Gostaria de escalar o ” le Grand Capucin” em homenagem à minha avó que já o escalou e que morreu de cancer a um tempo atrás. Ela era minha mentora e sempre vou sentir saudades dela.

– Escalada esportiva: Eu gostaria de escalar o “Digital Crack” em Mont-Blanc. Esta via técnica parece me chamar.

– Viagens: eu gostaria de viajar para o Japão e Brasil para descobrir novas comunidades de escalada e culturas.

Foto: Blocbuster

Foto: Blocbuster

Foto:  Neil Hart

Foto: Neil Hart

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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