Crítica do filme “Au-dela des Cimes” – Catherine Desteville

Au-dela_des_Cimes_capaExiste uma lenda de que um filme mediano não passa em uma regra simples: A regra dos 15 anos.

Por mais que impere o saudosismo nas pessoas, e o carinho por uma determinada obra, após quinze anos (geralmente do espectador) o filme de grande qualidade, acaba por ser considerado uma galhofa.

O que um filme necessita para ser considerado um clássico ao longo dos tempos?

A resposta não é simples, apesar de ser fácil fechar os olhos e imaginar.

Na opinião de muitos um filme que é possível ser mostrado por diversos tipos de gerações e ainda assim agradar a todos, é facilmente considerado um clássico intocável.

Grandes produções hollywoodianas que possuem esta aurea é “Poderoso Chefão” (The Godfather – 1972), “Laranja Mecânica”(Clockwork Orange – 1971), Forrest Gump (Forrest Gump – 1994) e muitos outros.

O filme “Au-dela des Cimes” (“Mais acima dos cumes” em tradução livre) se encaixa neste seleto clube de grandes clássicos.

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A produção realizada em 2009 é até hoje um dos melhores filmes de escalada já produzidos, conseguindo unir como poucos qualidade em quase todos os fundamentos de uma produção  fotografia, roteiro, diálogos e escalada de qualidade.

É inclusive uma produção que foi planejada e executada para ser vista e exibida em telas de cinema.

Mais até do que isso, o diretor Rémy Tezier convida o espectador a refletir muito sobre a vida e as escolhas que fizemos.

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“Au-dela des Cimes” documenta as reflexões da escaladora francesa Catherine Desteville em três escaladas desafiadoras e de beleza única nos alpes franceses.

Todas as escaldas na mesma região: Alpes Franceses.

Desteville em 1992 se tornou a primeira mulher em completar uma escalada em solo na face norte do Eiger.

Não bastasse o feito, o realizou no inverno e em somente 12 horas.

Catherine é uma lenda vida da escalada em todo o mundo, e motivo de orgulho de seu país e companheiros de escalada.

No filme brilhantemente filmado com tomadas que até hoje inspiram produtores de filmes outdoor, além de ângulos fantásticos o desenrolar do filme sempre se da junto com reflexões da escaladora e do narrador do documentário.

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Imagens que até hoje com a existência de drones e o barateamento de equipamentos de filmagem são assombrosas.

Com fotografia exuberante o filme aborda toda a técnica e humanidade da escaladora, que mesmo sendo um mito leva quedas em algumas escaladas.

Muitas das cenas de escalada são em ângulos privilegiados, além de vários “travelings” executados por helicópteros e que arregalam os olhos do espectador.

Au-dela_des_Cimes_4Por sempre estarem escalado e com a mesma paisagem ao fundo, próximo de exibido 2/3 de duração começa a ser um pouco maçante, especialmente para quem não é apreciador de escaladas.

É nítido, entretanto, o ritmo mais lento e cadenciado tanto das imagens como da trilha sonora discreta existente no filme, o que irá desagradar quem aprecia ritmo mais acelerado.

Mas estes pontos são apenas características, e não defeitos de um filme que beira a perfeição, e que serve de verdadeira lição de execução de filmes outdoor.

A se destacar ainda a preocupação de mostrar a escalada, o ato de escalar e o estilo de vida do escalador tal qual uma religião, o que enobrece mais ainda o esporte a quem é apresentado por meio deste filme.

“Au-dela des Cimes” é uma obra de arte impecável e um filme acima de qualquer suspeita (ou preconceito) e resiste ao tempo e modismos e de maneira elegante e com classe como se faz uma produção que retrate de maneira digna a escalada.

Nota Revista Blog de Escalada:

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Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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