Devo ou não ressolar? Como evitar o desgaste da sapatilha de escalada

O reparo em botas e sapatilhas de escalada, quando se troca a borracha da sola, chama-se “ressola”. Aqui mesmo na Revista Blog de Escalada existe uma lista completa, a qual é periodicamente revisada com serviços de pessoas e empresas que se dispõe a fazer este serviço. Ressolar uma bota ou sapatilha de escalada é uma arte dominada por poucos. Frequentemente vemos “aventureiros” procurando explorar o nicho da escalada, mas frequentemente acabam por inutilizar o calçado pela sua imperícia.

Quantas vezes já reparamos em nossas sapatilhas de escalada de estimação, pequenos furos na ponta que, para nossa decepção, é quase a morte do calçado. Este mesmo furo que colocamos a culpa da falta de precisão nos pés. Isso porque não existe nada melhor que as sapatilhas laceadas em nossos próprios pés, que depois de semanas de uso intenso parecem meias e uma espécie de segunda pele. Mas, parecendo seguir a Lei de Murphy, no momento que aparece um pequeno furo já percebemos que ele crescerá como um câncer e levará nosso amado calçado a morrer.

Às vezes até pior, como descrito acima, na ressola, que o “profissional” prometeu que iria ficar como nova, às vezes perde precisão, sua ponta não é mais a mesma e, às vezes, com uma borracha que deixa muito a desejar.

Mas antes de perder a guerra para o desgaste, podemos ganhar muitas batalhas antes de ter que mandar uma sapatilha de escalada ao lixo ou ao ressolador. Para entender como retardar este processo, é necessário entender três problemas sobre o desgaste:

Sola solta

 

Este tipo de problema é de fácil conserto, porque a sola, além de sua ponta, deve estar intacta e isso deve ser somente um pequeno problema de fábrica. Muito provavelmente a cola de ter despregado. O melhor conselho, caso queira dispensar o uso de algum sapateiro ou ressolador, é primeiro limpar muito, mas muito mesmo, as superfícies descoladas. Compre uma cola de solda de PVC, preferencialmente transparente. Nas lojas de sapatarias existem colas transparentes para calçado que também funciona muito bem.

Uma vez limpos à perfeição as superfícies soltas, aplique a cola em ambas as superfícies. Deixe a cola agir por um tempo curto, e as una. Deve-se sentir que ambas as superfícies estão bem secas. Um conselho que dou antes de uni-las é que passe nas superfícies alguma chama, apenas para aquecê-las. No momento aproveite para uni-las com força e as mantenha assim por pelo menos umas 4 a 5 horas.

Para manter esta união, use uma fita adesiva. Caso deseje usar algum peso para que mantenha as superfícies unidas, pode ser uma boa alternativa.

Furo na ponta (que não afeta o solado)

Provavelmente esse é o desgaste mais frequente das sapatilhas de escalada. Este tipo de defeito aparece mais em escaladores principiantes ou em escaladores de vias mais verticais. Um buraco na ponta da sapatilha de escalada é incômodo, pois pode aparecer com a sola quase intacta. Pode acontecer também quando se arrasta a sapatilha em demasia ao subir uma via na rocha.

O buraco deste tipo é muito incômodo, ainda mais quando o solado parece estar intacto. Este tipo de buraco sempre começa a crescer e alargar em profundidade, chegando a mostrar os dedos. Desta maneira, leva a sapatilha de escalada a deformar-se e perder a precisão da ponta.

Cuidado ao escolher ressoladores

Os ressoladores e sapateiros, quando as arruma, substitui por uma ponta nova, assim como o solado, o qual na maioria deixa a ponta arredondada e o calçado perde precisão. Esta, talvez, é a principal razão que muitas pessoas evitam de ressolar. A melhor solução, neste caso, é escolher profissionais os quais grande parte dos escaladores reconheça como bons profissionais.

Escolher um ressolador baseado somente no preço é arriscar, e muito, em ficar com uma sapatilha de escalada arruinada.

Tradução autorizada: http://rocanbolt.com

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Gonzo Rocanbolt é chileno, médico, escalador e indiscutivelmente uns dos mais completos autores de artigos sobre treinamento de escaladores existentes no mundo. Respeitado em todo o mundo é o organizador do Simpósio de Medicina de Montanha no Chile e palestrante de eventos de escalada no Chile, Argentina e Espanha

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