Entrevista com Filipe Careli

Existem pessoas que possuem a impressionante capacidade de estar sempre de bom humor, além de ver o lado engraçado em qualquer situação.

Seguramente são estas pessoas que chegam a 100, ou mais, anos de vida (se nenhum acidente acontecer pela frente) esbanjando o costumeiro sorriso no rosto sem reclamar de qualquer aspecto da vida.

Foto: Acervo Pessoal Filipe Careli

Foto: Acervo Pessoal Filipe Careli

O mineiro Filipe Careli é uma destas pessoas, que sempre tem algo engraçado acontecendo em sua cabeça, e dificilmente é encontrado de mau humor por onde quer que esteja.

Mesmo estando longe de ser um “Fabio Porchat da vida”, Filipe mantém talvez o mais bem humorado blog de montanhismo de todo o mundo  : “a outra esquerda“.

Mesmo com ritmo menos acelerado de outros tempos, o blog hospedado no blogspot (mas que migrará para domínio próprio em breve) sempre há boas ponderações sobre humor, ironia e escalada.

Careli teve ainda a boa ideia de criar camisetas bem humoradas, que somente montanhistas entendem, para vender em seu site.

Para saber mais qual o segredo desde bom-humor infinito e do que pensa Filipe Careli de aspectos da escalada a Revista Blog de Escalada buscou uma brecha em sua agenda para uma entrevista.

 Filipe, você administra um blog de humor e escalada. Como esta idéia surgiu?

Foto: Acervo Pessoal Filipe Careli

Foto: Acervo Pessoal Filipe Careli

Quando eu comecei a escalar, eu escrevia às vezes em um blog da galera de Resende, onde morava, e os textos acabavam sempre indo para um lado mais humorístico.

Antes disto eu também já havia participado de outros blogs e sites sobre assuntos fora da escalada.

Sou meio nerd, fazer o que? rs 

Por conta do trabalho, a partir de 2009 eu mudei algumas vezes de cidade. 

Parei de escrever no blog de Resende por não estar mais lá, mas ficava mandando bobeiras, montagens sobre escaladas e piadinhas relacionando as mesmas com filmes, seriados, músicas para os amigos pelo e-mail.

Acabei um dia montando o “A Outra Esquerda” e colocando estas bobeiras lá e aí deu no que deu, o que era um blog para os amigos acabou tomando um proporção maior.

Mas a verdade é que o A Outra Esquerda é um blog de política enrustido!

O blog está em um ritmo mais lento ultimamente. Você pretende voltar ao ritmo que tinha antes?

Então, eu fiz 30, amadureci e parei com estas bobeiras! kkkkk.

Brincadeiras a parte, estou investindo um tempo na vida profissional e pessoal, fazendo mestrado e realizando o sonho da casa própria que o Baú não proporcionou.

E dedicando um tempo ao CEL (Clube Excurcionista Light – viram a entrevista do Claudney???), clube do qual faço parte da diretoria. 

Foto: Acervo Pessoal Filipe Careli

Foto: Acervo Pessoal Filipe Careli

A vida é assim mesmo, tem tempos menos atribulados e tempo mais tempestivos.

Mas, o que posso dizer é que eu já tenho todo um plano de crescimento do blog traçado e este será executado em breve, assim que as coisas se ajeitarem!

Já temos um novo template pronto e uma série de vídeos por editar.

Enquanto isso, a página do Facebook do a Outra Esquerda tem tido “atualizações” e piadinhas frequentes, por conta da facilidade de postar lá! 

Quem tem um site ou um blog tem de conviver com os haters e comentários de internautas grosseiros. Como você gerencia este aspecto?

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Foto: Acervo Pessoal Filipe Careli

É simples, eu ignoro! kkk

Já tive problemas no começo pelo simples fato que eu dava bola.

Hoje em dia eu só bloqueio um comentário caso este seja ofensivo ou discriminatório. Fora isso, deixo lá. Xingar a minha mão, meu cachorro, falar que eu não escalo décimo grau não afeta a minha vida.

Ouvi uma vez que o chato é simplesmente aquele cara diferente de você, então eu devo ser chato para muita gente.

Se as pessoas encararem as coisas com uma postura mais leve, rirem um pouco mais de si mesmas e entenderem que escalar um boulder é totalmente diferente de fazer uma parede, tudo certo. (Afinal, os boudeiristas são uns preguiçosos e os escaladores de parede gostam de passar perrengue! rsrsrs) .

Tem escalada para todo mundo, do praticante de segundo grau ao esportista de alta performance que vai encarar um mundial.

E, finalizando, você é responsável por tudo o que você escreve.

Colocar uma opinião na rede é colocar a cara a tapa.

Temos que saber ouvir críticas, pois só com elas que crescemos.

As escaladas de competição estão voltando a acontecer no Brasil. Como você visualiza as competições de escalada?

Eu visualizo em cima de uma piscina com jacarés ou de crashs com facas!!!

Eu acho ótimo, principalmente pela divulgação que da ao esporte, que ainda é crescente e desconhecido pela maioria do Brasil.

Além disso, as competições podem ser um dos meios para, no futuro, termos mais pessoas vivendo de escalada aqui, o que hoje é raro.

Foto: Acervo Pessoal Filipe Careli

Foto: Acervo Pessoal Filipe Careli

Todo escalador tem uma viagens dos sonhos na cabeça. Qual é a sua?

Subir as montanhas-russas da Disney ou quase isso! rs

Foto: Acervo Pessoal Filipe Careli

Foto: Acervo Pessoal Filipe Careli

Eu sempre tenho uma viagem em mente, um lugar que quero conhecer.

Algumas eu já realizei, outras não. Atualmente é Yosemite, mas o dólar está atrapalhando!

Um viagem, que não é necessariamente de escalada, sobre a qual eu sempre converso com o meu cunhado é ir ao campo base do Everest.

Em breve o A Outra Esquerda faz uma cobertura exclusiva de ambas!

Os Encontros de escalada estão se multiplicando cada vez mais. A que você credita este fenômeno?

Diminuição dos piratas no mundo, do cangaço e do coronelismo. Pode ver que foi só eles diminuírem que rolaram mais encontros! kkk

Com o aumento dos escaladores, dos points e do fluxo de informação, principalmente pela internet, acho normal este movimento. E ele é ótimo.

Ano passado estive no EENe com a minha esposa e conheci tanta gente, tive um crescimento tão bacana em tão pouco tempo. As entidades, as empresas e os próprios montanhistas tem que incentivar mais encontros, mais palestras, mais campeonatos.

Foto: Acervo Pessoal Filipe Careli

Foto: Acervo Pessoal Filipe Careli

Eu sou suspeito de falar, pois sou “de clube”, como eles falam aqui no Rio.

Sou diretor técnico no CEL e quando morava em Resende participava do GEAN.

Para mim, ser de clube é acreditar no trabalho voluntário, acreditar que este esporte tem mais a oferecer do que só diversão.

É acreditar que um montanhista tem toda uma formação e visão diferencial e querer fazer parte disso.

É saber que você não tem tempo para nada, e mesmo assim dedicar um pedacinho da sua vida para passar para frente o que você aprendeu.

Neste contexto, que venham mais e mais eventos!!! (E que sobre dinheiro e tempo para eu ir em todos! kkkk)

Estamos vivenciando um momento de transição em que jornais e revistas estão deixando de existir, e as informações estão migrando para a internet. Como você vê esta transição?

Eu sou “velho”, adoro folhear um livro, uma revista.

Porém, acho que cada vez mais rumaremos por este caminho. 

O próprio conceito do seu site é este, uma revista on line, não?

Foto: Acervo Pessoal Filipe Careli

Foto: Acervo Pessoal Filipe Careli

Tem a mesma função, atualização, notícias, porém ao alcance da mão em qualquer lugar.

É uma evolução natural.

Participei de fanzines na época do colégio e da muito trabalho.

Hoje em dia é muito mais fácil para uma pessoa criar um blog um site!

É muito mais fácil começar, por assim dizer.

Lógico que, se quiser ter qualidade, um bom conteúdo, vai ter que dedicar, estudar levar a sério.

É como eu costumo dizer, internet tem o seu lado bom e seu lado ruim.

O bom é que a internet tem de tudo… e o ruim é que a internet tem de tudo.

Foto: Acervo Pessoal Filipe Careli

Foto: Acervo Pessoal Filipe Careli

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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