Entrevista com Diandra Pittella

Tivesse a escalada pessoas com a personalidade e o coração de Diandra Pittella, seguramente seria um esporte diferente.

Na hipótese de que se possuir excesso de simpatia tivesse valor monetário, Diandra Pittella seria bilionária.

Diandra Pittella é uma pessoa que se caracteriza pela sua energia positiva, e por sua paixão incondicional ao esporte que pratica.

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Foto: Naoki Arima

Não há ninguém que não se contagie com sua energia positiva e com seu bordão “exceleeeente”.

Para exemplificar o porque de tantos elogios Diandra gastou quase uma tarde inteira pendurada em uma via de 3º grau apenas para tirar fotos e orientar seus amigos que estavam experimentando uma escalada.

Por atitudes  como esta a caracteriza como alguém que procura fazer algo pelo esporte que pratica.

Por tudo isso o Blog de Escalada procurou Diandra Pittella para uma entrevista para que todos pudessem saber mais sobre esta escaladora que é destaque no Espírito Santo

Diandra, do Espírito Santo é um verdadeiro paraíso para a prática da escalada. Como está a difusão do esporte no estado?

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Foto: Acervo Pessoal Diandra Pitella

Realmente.

A Escalada Esportiva é recente no ES, e alavancou mesmo à partir do ano de 2000.

Temos ainda setores de boulders e vias de Big Wall.

É um estado que possibilita praticamente tudo em termos de escalada em rocha.

Certamente é um estado que tem um dos maiores potenciais para abertura de novas vias no Brasil.

Hoje estão sendo abertas academias nas cidades com escaladores mais engajados. No Espiríto Santo está acontecendo o mesmo?

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Foto: Acervo Pessoal Diandra Pitella

No Espírito Santo não temos academias de escalada.

Pelo que sei não existe nenhum plano em ter.

Temos a Sede da ACE (Associação Capixaba de Escalada), que abre todos os dias da semana das 18h às 22h.

Sempre que chove, tem alguém abrindo para treinos.

Você irá protagonizar um dos filmes que está sendo aguardado com grande ansiedade pela comunidade (Elas na PEDRA). Como foi para você participar dele?

21179_10151617072603081_1493082753_n[1]Foi incrível.

O convite foi feito e aceito na hora.

Poder escalar uma via que eu amo e gravar com amigos, já é perfeito.

Participar de um projeto tão lindo é… sem palavras.

Uma experiência única.

Dias e horas de gravações, um vai e volta, mas tenho certeza que o resultado vai ser sucesso.

Como é a sua rotina de treinos?

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Foto: Naoki Arima

Faz 3 anos que escalo, e os treinos começaram fevereiro deste ano.

Sempre escalei em rocha nos finais de semana.

Sempre que podia durante a semana.

Nunca consegui horários para treinar na ACE , pois trabalho a noite. 

Em janeiro montei um muro em casa, e os treinos começaram sob a orientação do Naoki Arima.

IMG_5221Os resultados começaram a aparecer em 3 semanas.

Hoje treino 2 vezes por semana.

Treino dura em torno de 1:40h, entre aquecimento, vias de graduação 7a/b, sem crux, mais diluídas e com 30 ou 35 movimentos.

Depois abdominal, apoio, finguer.

Nos outros dias que não faço este treino, faço finguer ou barras (que pra mim não são fáceis).

Sem considerar a escalada, qual outro esporte você pratica?

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Foto: Acervo Pessoal Diandra Pitella

Adoro correr.

Sempre que posso estou na praia correndo.

Não é nada muito constante por motivo de trabalho.

A escalada estava por se tornar esporte olímpico. Qual a sua opinião a respeito disso?

Um esporte olímpico vai dar uma “importância” para a escalada, uma visão mundial do “esporte” que a escalada nunca teve.

Atletas competitivos já tempos, e excelentes atletas.

Rio e São Bento 109Basta acompanharmos os campeonatos mundiais de boulder/escalada.

Sei que tem muitos escaladores que treinam para competições, e respeito muito isso.

Mas para mim, a escalada não é somente um esporte (ou não é um esporte), é um estilo de vida.

É um autoconhecimento, é objetividade, é trabalhar os medos, ariscar segundos da vida, auto-confiança….

Eu escalo pra mim, não para competir com alguém.

É uma auto competição.

Na sua opinião a popularização da escalada é real, ou otimismo de quem a pratica?

É real.

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Foto: Acervo Pessoal Diandra Pitella

Uma popularização no sentido de aumento de escaladores praticantes.

A cada dia temos mais festivais de escalada no Brasil.

E nesses festivais comprovamos o aumento.

O esporte de escalada mudou muito nos últimos 10 anos. Você acredita que as associações e federações acompanharam as mudanças?

Estou no mundo da escalada há 3 anos, não tenho tanto conhecimento dessas mudanças.

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Foto: Acervo Pessoal Diandra Pitella

Sei que as Associações estão cada vez mais organizadas, e lugares que não havia nenhuma associação hoje já estão se organizando.

Inclusive organizando festivais e eventos relacionados à escalada.

Poucos atletas possuem patrocínio, tendo apenas alguns apoios. A que você credita este tipo de postura das marcas e empresas com escaladores?

Falta de conhecimento das empresas sobre as leis de incentivo.

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Foto: Acervo Pessoal Diandra Pitella

Marcas e empresas investem em atletas que se destacam de alguma forma para que sua marca seja conhecida.

Como na escalada existem poucos eventos competitivos, pode ser um bom motivo para o não patrocínio.

O que é um absurdo.

Muitas marcas consagradas no exterior estão começando a vir para o Brasil. Você acredita que as marcas de produtos brasileiros devem se sentir ameaçadas?

Sim.

A competitividade é necessária para que as empresas se preocupem com a qualidade e preço dos seus produtos.

Qual conselho você daria para quem deseja começar a escalar?

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Foto: Acervo Pessoal Diandra Pitella

Que se divirta!

Acredite em você!

Escalar é um estilo de vida, que pode transformar sua vida.

Autoconhecimento pouco alcançado por aquele que não escala.

Muitos buscam tratamentos para se conhecerem e conhecerem a vida.

A escalada te traz muito mais que isso.

E a cada dia me transforma.

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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