Entrevista com Flávio Daflon – falando sobre sua conquista na Patagônia

Uma das grandes lendas vivas da história da escalada e montanhismo brasileiro é o carioca Flávio Daflon.

Sempre motivado e determinado em suas escaladas, disciplinado e organizado em seus livros e guias e competente e didatico em seus cursos de escalada, Daflon é um símbolo vivo de escalador.

Tendo a sua base na cidade do Rio de Janeiro, Flávio é exemplo para várias gerações de como viver a escalada, e tê-la como estilo de vida.

No início de 2012 acompanhado de Luciano Fiorenza (Argentina) e Sérgio Tartari realizaram um feito para constar em todas as listas existentes de destaques do ano de 2013.

Os escaladores conquistaram uma nova via, graduada em 6º VIIa, com 1300 metros e que foi batizada de “Samba do Leão”.

A Revista Blog de Escalada procurou Flávio Daflon para um entrevista, e foi prontamente respondido.254929_101201946640447_8262109_n[1]

Leia abaixo.

Flávio, parabéns pela sua conquista na Patagônia. Como surgiu a sua ideia de realizar esta aventura?

A idéia surgiu quando escalávamos em Salinas.

O plano original era subir o Fitz, nem eu nem o Serginho tínhamos feito cume ainda.

Já havíamos escalado muito na região, mas não o Fitz.

Eu só poderia viajar no fim de janeiro. Serginho foi antes, no início do mês.

Justamente no meio do mês houve uma janela muito boa e Serginho, Luciano e mais um amigo do Luciano fizeram o cume do Fitz pela via Mate y Porro.

Quando vi o tempo excelente que fez pensei: “Putz! Vou chegar no final da janela e terei que esperar bastante até a próxima, isso se vier outra boa janela”.

75816_403064849787487_563951285_n[1]Foi quando o Serginho me ligou de lá e disse que havia a previsão de uma janela curta entre os dias 23 e 25 e se eu não conseguia adiantar meu vôo, que era para o dia 25, para fechar uma cordada com ele o com o Luciano.

A idéia era conquistar uma nova via.

No caminho para a Mate y Porro eles tinham visto uma linha que o Serginho disse que era incrível. A ligação do Serginho foi sábado à noite, dia 19.

Tentei na mesma hora ligar para a Aerolineas, mas nada, então fui em seguida ao aeroporto para tentar adiantar meu vôo.

Consegui para o dia seguinte à noite, dia 20. Ia ser cansativo, já que havia guiado na sexta, no sábado e ainda iria guiar no domingo antes de passar a noite toda viajando.

Cheguei em Chaltén no dia 21, no dia 22 já estávamos caminhando e no dia 25 no cume.

Era o dia em que deveria estar saindo do Brasil na programação original.

Como foi a sua preparação para o desafio?

Havia escalado razoavelmente em 2012, não como gostaria, sempre queremos mais, mas foi um ano bom para mim na escalada.549915_403066249787347_2110885392_n[1]

Estava escalando bastante no Rio, principalmente vias de parede, com o Ralf.

Estava indo nos Dois Irmãos, onde há boas vias em fendas, Pão de Açúcar, Pedra da Gávea, Corcovado.

Havia escalado na Serra, Salinas e na Pedra do Elefante. Postei fotos de quase todas essas vias no facebook.

O que mais dediquei tempo para treinar foi a parte aeróbica e pernas. Fazia o Costão do Pão de Açúcar, caminhadas de 1 dia, corria e pedalava.

Houve algum patrocínio de alguma empresa ou marca para que realizasse o desafio? E apoio?

Temos na Companhia da Escalada o apoio da Equinox e da Verticale.

El Chaltén é conhecido por possuir um clima não muito amistoso. Como estava o clima por lá?

A Patagônia é conhecida pelos ventos fortes e tempo instável.

598870_406891952738110_777407141_n[1]Você pode ficar um mês e não conseguir escalar nada.

Numa vez fiquei 35 dias para ter pouco mais de dois dias (não consecutivos) de tempo realmente bom para escalar.

Mas você pode dar sorte também e estar lá na hora certa.

Às vezes há janelas de tempo bom de 5 dias consecutivos, ou até mais. Fato que aconteceu nos dois últimos anos.

Que conselho daria a quem esteja planejando realizar algum feito semelhante?

Começar por montanhas menores para ir ganhando experiência, conhecer a região, saber montar uma estratégia eficiente, saber o que levar em cada situação, saber avaliar o clima, etc..

Após voltar, como foi para você a repercussão do feito na comunidade escaladora?

Recebi muitos parabéns! (rs) E muitas mensagens também de apoio. 71866_406839979409974_2143483536_n[1]

Agradeço a todos.

Essas mensagens são boas, principalmente quando se está longe de casa.

 Você é autor de vários livros e guias de escalada. Esta aventura também irá virar um livro?

Não, não penso em escrever um livro.

Escrevi um relato sobre a conquista, ainda em Chaltén, está no link: http://companhiadaescalada.com.br

Houve também algum tipo de cobertura do desafio como fotografias ou vídeos realizados?

No link acima tem fotos e no facebook também: https://www.facebook.com

Está publico, então mesmo que não tem conta no facebook pode ver.

Gravamos vídeos também sem compromisso, a partir da câmera digital.

Mas como está em HD e as imagens ficaram boas, queremos enviar pro Festival de Filmes de Montanha que acontece na segunda metade do ano.

Você já tem algum projeto agendado, ou agora prefere descansar o espírito?

Já descansei bastante depois da escalada, está bom.

Projetos sempre há, mas nada definido ainda, depende de tantos fatores, mas vamos tocando, uma hora sai mais uma viagem legal.

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é aficionado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema” e jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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