Qual a diferença entre “incidente” e “acidente” na montanha

Quando todo e qualquer praticante de esportes de montanha sai de casa para praticar a sua atividade preferida, seguramente não está pensando em se envolver em nenhum acidente.

Por isso mesmo da-se o nome de “imprevisto” (quando algo não está previsto) para todo e qualquer incidente que possa evoluir para algo mais ou menos grave. Porém há certamente um costume quase que cultural de procurar encontrar um “culpado” para que possamos jogar toda a culpa.

Já foi escrito aqui que todas as pessoas são culpadas, seja em maior ou menor grau, de um acidente de montanha. Por conta desta necessidade parte da imprensa não especializada, maioria das vezes sem muita informação precisa ou conhecimento técnico, divulga notícias com detalhes recheados de dados imprecisos.

Na realidade uma parcela baixa de praticantes de esportes de montanha possuem real consciência à respeito do comportamento a se ter no caso de um acidente na montanha. Muitos optam pela opção de esconder de todos o que realmente aconteceu, e até mesmo abafar a propagação da notícia. Assim como existe uma diferença sensível entre “perigo” e “risco”, ou sobre “possibilidade” e “probabilidade”, também se faz necessário saber a diferença entre incidente e acidente.

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Definição Acidente

Se formos definir o termo acidente de uma maneira bem simplista é qualquer acontecimento inesperado e não desejado que acaba ocasionado por uma perda.

Por perda entenda não somente morte, mas também mutilações, fraturas e outro tipo de contusões aos praticantes. Geralmente é a consequência de uma sucessão de acontecimentos de forma involuntária nos quais algo saiu errado e que gerou danos a pessoas, objetos ou ambos. Em termos gerais podemos encarar como sendo um acidente uma sucessão de imprevistos.

Os acidentes de montanha são potencialmente de alta gravidade.

Definição Incidente

Um incidente é um evento igualmente inesperado, e tampouco desejado, mas que não causa trauma algum, mas sob certas circunstâncias poderia ter causado um acidente. Algumas publicações, em geral sensacionalistas, divulgam como um “quase acidente” ou “quase perda”.

A principal diferença de um acidente é que a sucessão de imprevistos não causa dano a ninguém. Porém em se tratando de incidentes há um considerável mal comportamento, imperícia e negligência por parte dos envolvidos no incidente.

Os números de incidentes são em número menor, porém é sabido que os casos reportados são uma pequena parcela do que realmente ocorrem, pois como não há vitimas são considerados imprevistos pequenos sem importância.

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Registro de Acidentes e incidentes

Por conta da pouca importância dada aos incidentes, estes são os que merecem mais atenção, e devem ser estudados mais profundamente por resgatistas.

Portanto toda associação de resgatistas que não possui um registro de incidentes, além do obrigatório sobre “acidentes”, está sendo negligente com seus conhecimentos e com a comunidade que presta serviços.

Toda entidade de classe (associações, federações e confederações), que visa representar seu gruo de associados, assim como os praticantes de atividades de montanha (vinculados ou não à associações), tem como obrigação moral e ética possuir um cadastro de acidentes e incidentes de atividades de montanha, assim como relatar de maneira madura e sóbria à comunidade.

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A cada erro divulgado, há uma reflexão por parte de todo o praticante a respeito de sua postura.

Por isso, não somente deve haver colaboração de todos em contribuir para a divulgação, mas também deve haver uma monitoração dentro da comunidade para que as histórias e relatos reportados por fabricantes estejam disponíveis

No Brasil os acidentes de escalada e montanhismo estão cadastrados em: http://www.cbme.org.br

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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