Entrevista com Sérgio Tartari

Foto Flávio Daflon

Foto Flávio Daflon

Poucas vezes neste mundo temos a oportunidade de conversar com verdadeira lendas do esporte o qual nos dedicamos.

Cada esporte possui suas lendas : Pelé para o futebol, Michael Jordan para o basquete, Tiger Woods para o Golf e assim por diante.

Não seria nenhum exagero que para a escalada brasileira, o carioca Sérgio Tartari se encontra neste patamar.

Neste ano de 2013 o escalador Sérgio Tartari realizou feitos incríveis na Patagônia que muitos escaladores ainda nem sonham em atingir.

Por este motivo e por tudo o que o Sérgio Tartari já realizou em sua carreira o Blog de Escalada procurou o escalador para uma entrevista.

Poucas vezes me senti tão honrado em ser atendido.

Leia a entrevista abaixo

Sérgio, seus projetos de escalada em geral elevam a escalada brasileira a um patamar superior. Como eles são escolhidos?

Na verdade não faço projetos bem definidos.

Foto Eliseu Frechou

Foto Eliseu Frechou

Em primeiro lugar imagino o que eu gostaria de fazer e tento transformá-los em realidade mas de uma forma quase como um sonho.

Alguns convites são aceitos e fazem parte dessas imaginações anteriores.

É quase como que me deixo levar por esses sonhos para que eles aconteçam.

Desde quando você começou a escalar, o que mudou na escalada para você?

Já escalo há 34 anos e muita coisa mudou.

Mais experiência e menos erros cometidos,alguma lesão e melhor escolha do que quero fazer,e uma motivação mais direcionada,tudo através dos sonhos que são a grande inspiração.

Há muitos incidentes a respeito à desrespeito à locais de escalada no Brasil e no exterior. como você enxerga este problema?

Foto Eliseu Frechou

Foto Eliseu Frechou

Para mim isso é simples : “Não faça aos outros e ao ambiente o que não gostaria que fizessem a você e ao seu ambiente”

Você é das poucas pessoas que é escalador profissional (ou seja vive da escalada). Existe algum segredo de atingir este objetivo?

Na verdade atualmente vivo do meu refugio e da cerveja que fabrico.

Praticamente guio muito pouco assim que acho que não vivo diretamente da escalada

Talvez indiretamente pelo fato do refúgio ser frequentado por escaladores.

Você sempre está realizando projetos de expedições ao exterior. Como você se motiva para elas?

Como disse anteriormente a motivação vem através dos sonhos,acho que sou um grande sonhador que consegue realiza-los.

Há muitas marcas de equipamentos que não patrocinam, e penas algumas apoiam escaladores. A qual motivo você acredita este tipo de postura?

Aqui no Brasil não temos ainda um comércio forte de “equipos” por isso os representantes oferecem pouco aos que se dedicam mais na atividade.

Foto Edemilson Padilha

Foto Edemilson Padilha

De qualquer maneira procuro não depender de empresas para realizar escaladas que me motivam.

Com certeza que algumas ficam inviáveis se não há um patrocinador,mas a grande maioria basta a sua vontade e o dinheiro da passagem.

Como você visualiza o desejo do Governo Federal querer regulamentar a escalada e práticas de esporte de natureza?

Me parece que a escalada é uma atividade bem anárquica o que dificultaria muito essa regulamentação por parte de órgãos do governo.

Se alguém pode regulamentar são os próprios escaladores.

Excluindo, por motivos óbvios, a região de escalada conhecida por Salinas, quais são seus locais preferidos de escalada no Brasil?

Foto Eliseu Frechou

Foto Eliseu Frechou

Serra dos Órgãos em Teresópolis.

Petrópolis com suas dezenas de paredes.

No exterior Patagônia e Bariloche e Cochamo.

Olhando para trás, que aprendizado você teve em sua carreira de escalador?

Melhorar como pessoa nos relacionamentos humanos,confiança própria e segurança nos procedimentos.

Para você o que caracteriza um escalador completo?

Por definição um escalador completo tem que dominar as técnicas básicas das varias facetas da montanha,rocha,gelo,escalada artificial e escalada esportiva.

Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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