Evasão Feminina?

No campeonato paulista de escalada esportiva organizado pela APEE no último final de semana teve um fato curioso.

Uma série de coincidências fez com que apenas uma mulher somente comparecesse para competir. desmotivada com a ausência de mulheres que queiram competir, a única presente não quis fazer parte de uma competição que ela mesmo seria a 1º,2º e 3º.

A opinição sobre isso, todos têm. Por isso resolvi colocar um texto escrito por mim a um tempinho atrás:

Para quem viveu nos anos 80, ou até mesmo nos anos 90 deve lembra da propaganda da bolacha que tinha o dilema: era fresquinha porque vendia mais ou vendia mais porque era fresquinha.

O mesmo dilema parece assolar a comunidade de escaladores que gostam de participar de campeonatos. Quando a organização colabora, os escaladores não fazem o mesmo. E quando a organização deixa a desejar, todos reclamam. E todos saem perdendo. E já estamos perdendo de goleada.

A organização de campeonatos de escalada vem sofrendo duros golpes nos últimos anos, e que este ano culminou (…) em suniço dos patrocinadores, reclamação dos atletas, e por ai vai.

A lista parece ser longa.

Todos seguindo a linha de “farinha pouca , meu pirão primeiro”.

Neste caso não adianta procurar culpados.

Culpados são todos nós que fazemos parte da comunidade de escaladores.

Sem exceção.

Se cada um fizesse a sua parte (e eu me incluo nisso, admito que não fiz muita coisa), e deixasse os “problemas” de egos à parte, o histórico hoje talvez seria diferente.

Fiquei sabendo de escaladores que só participariam se houvesse algum prêmio em dinheiro para o vencedor.

Como no sucesso de público e crítica Open de Boulder.

Como se premiação fosse algo fácil de se conseguir.

Acontece que para quem tem visão não muito ampla do negócio, aqui vai uma análise fria:
O Open de Boulder é um evento isolado.

É único.

Tem como objetivo a confraternização, e um prêmio em dinheiro.

Já um campeonato brasileiro tem como por objetivo captar e motivar os melhores atletas de cada grande centro de escalada do Brasil.

(…)

Escalar em um campeonato pode soar vazio para muitos.

Mas antes de julgar se está longe ou perto, de julgar os prêmios dados, o tamanho do troféu, ou a dificulade da via, deve-se pesar antes de tudo o seu papel como escalador.

Pois o dinheiro gasto para participar/prestigiar pode não voltar como dinheiro vivo de premiação, mas sim como apoio a quem está sempre levando os limites da escalada esportiva mais alto.

Publicado em: http://pempem.blog.uol.com.br/arch2007-10-14_2007-10-20.html

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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