Crítica do filme “In a High Country”

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Foto: In a High Country

Nas revistas em quadrinhos, especialmente as de super heróis, há o conceito de “universo paralelo” ou “realidade alternativa”.

Neste “Universo Paralelo” vivem versão dos humanos que por alguma razão, ou decisão tomada, seguiram rumos diferentes em suas vidas.

Não somente isso, há ainda pessoas que pelo mesmo motivo, assumem o papel na sociedade das outras que existem em nossa realidade.high_country-capa

Parece complicado, mas é como se alguém neste universo estivesse assumindo o papel (trabalho, esposa, fama, estilo de vida) de alguma outra no universo paralelo.

A partir deste conceito podemos definir o amerinano Anton Krupicka como uma espécie de “Kilian Jornet do universo paralelo” (ou realidade alternativa).

Krupicka é um ultra maratonista e corredor de montanhas nos mesmos moldes de Jornet (guardada as devidas proporções) mas que escolheu um outro estilo de vida.

Este estilo de vida é representado no filme “In a High Country”, de produção de Joel Wolpert, e que tem a ambição de ser além de um simples filme para traçar o perfil de Krupicka, e trambém inovar na maneira que filmes outdoor são realizados.

A intenção de inovar em filmes e criar algo inédito não é nova, e é, aliás, recorrente em produções de todos os gêneros.

Como exemplos de rompedores de barreiras temos cineastas como Jean-Luc Godard ou Orson Wells que reinventaram a maneira de fazer filmes, ou mais particularmente Michael Moore na área de documentários.

Inspirações com estas citadas não faltam para o desejo de inovação, sentimento natural vindo com o amadurecimento de filmes outdoor.

Se auto intitulando como um “filme impressionista sobre corridas de montanha”(impressionistic mountain running film)  a produção procura mostrar como é a dedicação de Anton e como é sua relação com as pessoas e lugares por ondem passa.

Notavelmente há uma relação quase visceral do protagonista com toda a natureza.

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Foto: In a High Country

Procurando retratar as montanhas rochosas do estado americano do Colorado, “In the High Country” usa intensivamente imagens de Anton Krupicka correndo utilizando a técnica de POV(Point of View) seguindo-o à mesma velocidade, criando uma atmosfera dinâmica e precisa de seu estilo de corrida.

Com um visual “riponga”, é nítido que o protagonista possui estilo diferenciado dos atletas tradicionais, assim como um estilo de vida mais simplista.

Em linguagem coloquial seria simples defini-lo como um “Kilian Jornet Roots”.

Detalhes deste estilo são evidenciados à exaustão durante todo o filme, especialmente nas passagens que documentam o impacto em seu corpo de tantas corridas e treinamentos.

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Foto: In a High Country

Entretanto os produtores não aprofundaram muito na história de Krupicka , nem em sua carreira, muito menos na sua rotina de treinamento.

Tentando conduzir o filme a cada desafio realizado por Anton, além de optar por utilizar o mínimo de palavras possíveis, a direção deixa o público na expectativa de escutar algo que não é falado.

“In a High Country” pode ser encarado como um filme contemplativo, mas com pouca profundidade de história, e que todo o seu enredo pode ser resumido como “um homem corre e ultrapassa todos s obstáculos naturais”

Não há como negar, entretanto, que a produção possui cenas dinâmicas de suas corridas e escaladas solo nas montanhas rochosas, sendo inclusive motivador a qualquer praticante.

Um filme emana simpatia, muito disso pelo carisma de Krupicka ,mas possui muitas lacunas que poderiam ser contornadas com uma história mais profunda e menos interpretativa.high_country-4

Não deixa de ser, contudo, uma obra interessante, pois mesmo tendo alta carga contemplativa, ainda assim é lento e arrastado.

A dinamicidade do filme é mérito dos produtores que optaram por não repetirem cenas iguais, utilizando sempre alguma “novidade” em termos de desafios ao protagonista.

“In a High Country” é um filme interessante de assistir, especialmente quem deseja se dedicar a corridas de montanha, e procura produções criativas e de boa qualidade para se entreter.

Como entretenimento de esportistas a produção tem o grande mérito.

Nota da Revista Blog de Escalada:

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Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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